Dietas especiais

Em diversas situações, como medida de prevenção ou até como parte do tratamento de algumas doenças, o médico pode indicar certas restrições alimentares - trata-se das dietas terapêuticas ou regimes dietéticos.

Dieta contra a diarreia

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A diarreia, ou aumento da frequência, do volume e da fluidez das defecações, pode ter origens muito variadas, mas em todos os casos verifica-se a mesma situação: um aumento da velocidade do trânsito intestinal. Os alimentos não podem ser devidamente digeridos e assimilados no intestino, a quantidade de resíduos é maior do que o habitual e o cólon não pode absorver água suficiente para que as fezes tenham a sua consistência normal. Portanto, a dieta que se segue durante um caso diarreico tem importância, tanto para favorecer a resolução do problema, como para evitar que este traga perturbações para a nutrição. Em primeiro lugar, reduzir a quantidade das refeições e dividir as ingestões em porções pequenas. Em segundo lugar, é importante reduzir o consumo de alimentos que originem muitos resíduos, em especial os que são ricos em fibra vegetal. Em terceiro lugar, enquanto persistir a perturbação diarreica deve suprimir-se o consumo de produtos que acabem por ser irritantes para as paredes gástricas e acelerem o esvaziamento do estômago (refogados, fritos, enchidos, alimentos muito salgados e álcool), bem como especiarias, café e citrinos (laranjas, limões).

É frequente recomendar-se o consumo de alimentos bem tolerados e fáceis de digerir, bem como produtos que tendem a provocar secura no tubo digestivo (efeito adstringente), reduzindo as contracções das suas paredes e retardando o trânsito do seu conteúdo: cereais refinados e derivados, como massas e pão branco (torrado), batatas cozidas, peixe branco, carne magra e pouco fibrosa, fruta em compota, maçã assada, etc.

Actuação perante uma diarreia aguda. Quando se desencadeia uma diarreia aguda, num primeiro momento, o melhor é seguir um período de jejum total: o intestino estará irritado e convém deixá-lo em repouso durante algumas horas ou até durante todo o dia. Embora nesta primeira fase se deva evitar todo o tipo de alimentos sólidos, principalmente se as fezes forem muito fluidas, convém repor o líquido perdido bebendo água ou infusões ligeiras - - isto é muito importante para evitar um estado de desidratação; por isso, se as defecações forem demasiado fluidas, se nem sequer se tolerar a ingestão de líquidos e, sobretudo, se o paciente afectado for uma criança ou um idoso, deverá sempre consultar o médico de imediato.

Depois da primeira etapa de jejum, pode-se começar a beber água de arroz ou de cenouras, chá ou outras infusões sem açúcar ou muito pouco açucaradas e, segundo a evolução de cada caso particular, alimentos moles e progressivamente mais sólidos: primeiro arroz cozido, caldos com massa, batata cozida ou no forno, frango (sem pele) ou peixe magro cozidos, pão torrado, maçã cozida... Quando a situação estiver melhor, pode-se ir adicionando à dieta carne magra e peixe grelhados, iogurte e queijo mole, bolachas, verduras cozidas... Os últimos alimentos a incorporar são o leite e os queijos duros, fruta e verduras cruas, café e especiarias picantes, para finalmente voltar a uma alimentação normal.

Dieta contra a prisão de ventre

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A prisão de ventre corresponde a uma diminuição da frequência e a um aumento da consistência das defecações, podendo ter múltiplas causas, mas dependendo sempre de um retardamento do trânsito do conteúdo intestinal. As matérias fecais ficam retidas no cólon mais tempo do que o normal e, por isso, dado que as paredes intestinais continuam a absorver água, secam em excesso, adquirindo a sua característica dureza, bem como, geralmente, um tamanho menor do que o habitual. Por este motivo, acaba por ser muito conveniente aumentar o consumo de alimentos ricos em resíduos, que produzam fezes mais volumosas e moles, para estimular assim os movimentos intestinais e favorecer a sua actividade.

Mas, muitas vezes, a prisão de ventre deve-se fundamentalmente a uma alimentação pobre em resíduos e, nestes casos, a dieta adquire uma importância máxima. Então, o melhor é consumir produtos ricos em fibra vegetal (fruta crua, verduras, legumes e hortaliças, cereais integrais e seus deri vados), já que não se digerem e, além disso, absorvem água, o que garante um aumento do volume dos resíduos e uma diminuição da sua consistência, favorecendo assim as contracções do cólon e um trânsito mais rápido pelo intestino.

É claro que, para garantir a efectividade desta dieta, é extremamente importante consumir uma boa quantidade de líquido: não menos de 3 1 de água por dia entre os alimentos e as bebidas, sendo preferível beber a mais do que a menos.

Dieta em caso de febre

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O aumento da temperatura corporal, independentemente da sua causa, leva a um aumento do metabolismo basal e, portanto, do gasto energético. O organismo tende sempre a utilizar primeiro os hidratos de carbono disponíveis, quer sejam os provenientes da alimentação ou os presentes nos depósitos do corpo em forma de glicogénio. Mas estas reservas são limitadas e, se a alimentação não tiver hidratos de carbono, cedo se esgotam. Nesse caso, o organismo vê-se obrigado a recorrer a outros nutrientes energéticos, as gorduras, a fim de satisfazer as suas necessidades. Mas isto tem os seus inconvenientes, uma vez que os resíduos do metabolismo das gorduras, como são corpos cetónicos (acetona), podem ocasionar diversas perturbações: é comum, sobretudo nas crianças, que um aumento dos níveis sanguíneos de acetona seja acompanhado de náuseas e vómitos. Além disso, o aumento da temperatura provoca grande transpiração e, com ela, uma perda de líquido que, se não for reposto, pode ocasionar um quadro de desidratação, especialmente se também existirem vómitos. Por tudo isto, além de proceder ao tratamento da causa da síndrome febril, é importante adoptar algumas medidas dietéticas básicas que evitem essas complicações. Por um lado, convém incrementar o consumo de hidratos de carbono, em especial os simples, ou açúcares, que se absorvem rapidamente a nível intestinal e podem ser aproveitados com maior facilidade. Dado que, geralmente, a febre provoca uma certa falta de apetite, uma boa forma de fornecer açúcares, sobretudo quando o paciente é uma criança, é em forma de doces e sobremesas que sejam atractivos. É importante também fornecer outros nutrientes, mas que as refeições sejam sempre ligeiras, fáceis de digerir, incluindo alimentos feculentos como cereais e batatas, lacticínios, carne e peixe grelhados, no forno ou cozidos, fruta e verduras. Pelo contrário, é preferível evitar as refeições fartas e pesadas, alimentos gordos e fritos, refogados e refeições muito elaboradas no geral. Por outro lado, há que assegurar uma ingestão abundante de líquidos, fundamentalmente com o consumo de água, mas também através de infusões suaves açucaradas, sumos de fruta e caldos vegetais, que também fornecem sais minerais.

Dieta hipossódica

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A dieta hipossódica, ou seja, com baixo teor de sódio, principal constituinte do sal comum (cloreto de sódio), está indicada no tratamento de diversas patologias: hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, perturbações renais... O sódio tem a particularidade de se associar à água e, portanto, a dieta hipossódica costuma recomendar-se, por exemplo, quando existe uma retenção de água nos tecidos (edemas) e também quando se pretende diminuir o volume sanguíneo (no caso de hipertensão arterial).

Mas nunca se trata de uma abstenção total do consumo de sódio, primeiro porque isso não seria possível, uma vez que o mineral está presente em praticamente todo o tipo de alimentos, e depois porque o organismo necessita sempre dele, mesmo que seja em quantidades mínimas.

Segundo se calcula, nos países industrializados, consome-se diariamente uma média de 10 a 20 g de sal, muito mais do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde para a população geral - um máximo de 5 g diários. Mas, no caso da dieta hipossódica, pode ser preciso diminuir ainda mais esta quantidade, embora em grau diferente, segundo as necessidades de cada caso em particular.

Os médicos costumam distinguir três variantes de dieta hipossódica: a standard ou normal, com uma taxa de 2 a 3 g de sódio por dia; a dieta hipossódica moderada, com uma taxa máxima de 700 a 800 mg de sódio por dia; e a dieta hipossódica restrita, na qual não se deve superar um consumo de 200 a 500 mg de sódio por dia.

Geralmente, para se seguir uma dieta hipossódica, deve-se reduzir ou, melhor ainda, suprimir o hábito de adicionar sal às refeições, bem como moderar ou suprimir o consumo de alimentos ricos em sódio: determinadas águas minerais, enchidos, conservas, queijos, carne e peixe salgados, fumados ou curados, mariscos, produtos elaborados industrialmente, etc. Uma dieta hipossódica restrita proíbe muitos alimentos, embora seja sempre preferível que o médico dê ao paciente uma lista completa dos alimentos permitidos e proibidos.

Para conseguir seguir uma dieta hipossódica, que normalmente se deve manter durante muito tempo ou de maneira indefinida, é importante eleger formas de cozedura que potenciem o sabor próprio dos diferentes alimentos. Assim, são preferíveis modalidades de preparação como grelhados, assados, na brasa, ao vapor ou fritos em óleo. Além disso, pode-se proporcionar mais sabor e aroma às refeições recorrendo a condimentos que não contêm sódio: vinagre, limão, azeite, alho, cebola, pimenta, tomilho, louro, noz-moscada, orégãos, alecrim, estragão, cominho, açafrão, caril, canela, salsa...

Dieta contra o colesterol

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O excesso de colesterol no sangue, ou hipercolesterolemia, é um factor predisponente de patologias cardiovasculares muito graves e que constitui uma das primeiras causas de mortalidade nos países desenvolvidos, causando a aterosclerose e as suas temíveis consequências, como o enfarte do miocárdio ou os acidentes vasculares cerebrais (AVC). Por isso, se se detectam níveis sanguíneos de colesterol muito elevados, o médico, além de prescrever medicamentos específicos, costuma indicar uma dieta hipocolesterolémica, com baixo teor de colesterol.

O colesterol é um tipo particular de gordura que o próprio organismo produz a nível hepático, mas que também se associa no organismo como tal, com o con-umo de determinados alimentos ricos neste elemento, basicamente de origem animal. Além disso, também o consumo de gorduras saturadas no geral, mesmo sendo de origem animal, favorece o aumento dos valores sanguíneos do colesterol ligado às denominadas LDL (lipoproteínas de baixa densidade), que é a parte mais prejudicial. Assim, numa dieta contra o colesterol é fundamental moderar ou suprimir, se for esse o caso, alimentos como enchidos, gema de ovo, leite gordo e derivados, sobretudo queijos gordos e manteiga, carnes gordas, vísceras (miolos, fígado), mariscos e produtos de pastelaria, aos quais se adicionam habitualmente gorduras de origem animal. Pelo contrário, para conseguir uma nutrição suficiente, terá que aumentar o consumo de peixe, lacticínios magros, carne magra, clara de ovo e, é claro, alimentos de origem vegetal como cereais, legumes, hortaliças, etc.

Informações adicionais

A ter em conta

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• Existem dietas que apenas são pretendidas durante um período muito limitado, mas quando se trata de dietas necessárias durante um período prolongado ou de duração indefinida, as indicações devem ser estipuladas especificamente pelo médico em cada caso particular.

• Embora numa dieta se proíbam determinados alimentos, os que são permitidos, no seu conjunto, devem proporcionar sempre uma alimentação completa e equilibrada - - o organismo tem necessidades nutritivas básicas que devem sempre ser satisfeitas.

• Se uma dieta não é bem feita ou não se leva a cabo de forma adequada, o seu resultado não só poderá ser insuficiente, como inclusivamente contraproducente.

• Quando o médico propõe uma dieta, é muito importante informá-lo de todos os hábitos alimentares específicos, daquilo que prefere e daquilo que não tolera, com total franqueza, para que o clínico possa elaborar o regime conveniente e adequá-lo o mais possível aos gostos do seu paciente.

Dieta de exclusão

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Um tipo particular de dieta é aquela que pretende suprimir específica e totalmente da alimentação um nutriente em concreto. É o caso, por exemplo, da dieta sem glúten, uma proteína presente em diversos cereais (trigo, aveia, cevada, centeio), indicada como tratamento da doença celíaca; ou, então, as dietas sem lactose ou sem proteínas do leite de vaca, às vezes indicadas para crianças com intolerância às mesmas. Deve-se ter em conta que, quando o médico prescreve uma dieta desta índole, é fundamental erradicar por completo o consumo do elemento proibido em questão.

Dieta para a gota

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A gota é uma doença metabólica provocada por uma concentração sanguínea excessiva de ácido úrico - trata-se do resultado da degradação das purinas, substâncias proteicas constituintes dos ácidos nucleicos das células. Por isso, no tratamento desta doença, o médico pode aconselhar uma dieta hipopurínica, ou seja, com baixo teor em purinas. Entre os alimentos mais ricos nestas substâncias, e cujo consumo se deve moderar, destacam-se a carne vermelha, especialmente a caça, assim como as vísceras, as conservas de carne e peixe, o peixe azul e os mariscos. À moderação no consumo destes produtos deve-se juntar, por outro lado, uma redução ou abstenção do consumo de bebidas alcoólicas.







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