Doença do Refluxo Gastroesofágico

A pirose (azia) persistente ou a regurgitação de ácido são indicadores do refluxo gastroesofágico (RGE). Quando o músculo do esfíncter esofágico inferior (anel de músculo que age como válvula entre o esófago e o estômago) não funciona adequadamente, o suco gástrico pode refluir para o esófago. Isto causa a sensação de ardor da azia.

A pirose (azia) persistente ou a regurgitação de ácido são indicadores do refluxo gastroesofágico (RGE). Quando o músculo do esfíncter esofágico inferior (anel de músculo que age como válvula entre o esófago e o estômago) não funciona adequadamente, o suco gástrico pode refluir para o esófago. Isto causa a sensação de ardor da azia.
A azia nocturna pode perturbar o sono.
Algumas pessoas podem sofrer de RGE sem sentir azia. Pode originar dor torácica, rouquidão matinal, odinofagia (dificuldade em engolir) ou uma tosse seca e irritativa. Não sendo tratado, o RGE poderá causar uma dolorosa inflamação ou cicatrização do esófago, ou conduzir ao esófago de Barrett, alterações nas células que o revestem, o que aumenta o risco de cancro.

CAUSAS

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Há várias situações que aumentam a pressão no músculo esfíncter esofágico inferior, impedindo-o de bloquear eficazmente o ácido que reflui para o esófago. Uma delas é a hérnia do hiato, que implica que a parte superior do estômago se projecte através do diafragma (o músculo que separa a cavidade abdominal da torácica), penetrando parcialmente na cavidade torácica. No entanto, muitas pessoas têm hérnia do hiato sem padecerem de RGE.

A sua principal causa é o excesso de peso, que aumenta a pressão dentro do abdómen. Pela mesma razão, bem como pelos efeitos hormonais, a gravidez pode contribuir para o desenvolvimento do RGE.

Pode também ser causado por alguns alimentos que irritam o esófago ou relaxam o esfíncter. Os citrinos, o chocolate, bebidas com cafeína, alimentos fritos ou ricos em gordura, alho, cebola, hortelã e os alimentos à base de tomate, como o molho de massas e o chili, podem originar azia. O consumo de álcool e o tabaco são também factores desencadeantes. O RGE tem tendência a verificar-se em vários elementos da família, sugerindo uma componente genética. Encontra-se também com frequência em pessoas que sofrem de asma, embora os investigadores não afirmem com certeza uma interligação.

PREVENÇÃO

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Ajude a manter o conteúdo do estômago no seu devido lugar permanecendo em posição vertical depois de comer, pelo menos durante 3 a 4 horas, e elevando a cabeceira da cama cerca de 15 cm, através da colocação de volumes sob os pés da mesma. Não utilize várias almofadas, porque dobram o corpo, provocando pressão intra-abdominal. A utilização de cintos pouco apertados e roupas soltas reduz também a pressão que contribui para a azia.

Evite alimentos e bebidas que lhe pareçam provocar a pirose. Não ingira grandes repastos. Opte por refeições mais pequenas, em porções moderadas e mais frequentes. Os fumadores devem procurar ajuda para deixar de fumar.

É igualmente importante adquirir e manter um peso saudável.

As pessoas com um índice de massa corporal (IMC) superior ao recomendado para a sua altura estarão muito mais dispostas a desenvolver o RGE. (IMC é a relação entre o peso e a altura, utilizada para avaliar se o indivíduo possui um peso inadequado.)

DIAGNÓSTICO

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Quem recorra a antiácidos por mais de duas semanas deve consultar um médico, que poderá diagnosticar o RGE pela frequência com que um doente tem azia ou regurgitação de ácido — quando o ácido do estômago atinge a cavidade oral. Sempre que um sintoma se verifique duas vezes por semana ou mais, é considerado o limiar do RGE.

Nos asmáticos, a tosse nocturna pode ser um indicador, e sintomas como a rouquidão, laringite ou sinusite podem também ser sinais reveladores. A deterioração do esmalte ou erosão dentária, provocadas pela regurgitação do ácido, podem também ser facilmente detectadas pelo dentista. Em crianças e bebés, a dor de ouvidos por vezes indicia RGE.

O gastrenterologista deve avaliar eventuais lesões no esófago se os sintomas continuarem. O médico poderá recomendar exames para detectar problemas como inflamação (esofagite), hérnia do hiato, estreitamento do esófago (estenose) ou alterações pré-cancerígenas das células. Os exames poderão incluir uma radiografia com papa baritada, na qual o doente bebe uma solução de bário antes de iniciar os raios X. Poderão ser obtidas imagens mais detalhadas utilizando uma endoscopia digestiva alta. Depois de a cavidade oral e a faringe serem levemente anestesiadas com um spray, é introduzido um tubo muito fino e flexível com uma pequena câmara, designado endoscópio. Uma monitorização de pH em ambulatório regista quão frequentemente e em que quantidade o ácido reflui até ao esófago. Neste exame o doente usa um pequeno tubo aí inserido durante 24 horas, enquanto procede à sua rotina diária.

TRATAMENTOS

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A alteração do estilo de vida, como em cima descrita, e os antiácidos que não necessitam de receita médica são o primeiro passo no tratamento para o RGE.

Medicação. Muitos dos antiácidos que não necessitam de prescrição médica utilizam combinações de sais de magnésio, cálcio e alumínio para neutralizar o suco gástrico. Estes agentes revestem a mucosa gástrica para prevenir o refluxo.

Os neutralizadores do ácido, disponíveis por prescrição ou sem receita médica, interferem na produção de ácido. Devem ser tomados apenas durante algumas semanas de cada vez, a menos que sob a supervisão de um profissional de saúde. Os inibidores da bomba de protões são extremamente eficazes na azia e por vezes conjugados com neutralizadores do ácido. Os gastrocinéticos são fármacos que reforçam o esfíncter esofágico inferior e ajudam o estômago a esvaziar-se mais rapidamente. O médico poderá aconselhar a combinação desta medicação.

Cirurgia. Se os sintomas não desaparecerem durante um longo período, a cirurgia pode ser a melhor opção. A maior parte das cirurgias para controlo da azia pode ser efectuada por laparoscopia. O cirurgião faz passar pequenos instrumentos através de um tubo que é inserido através do abdómen.

O laparoscópio pode igualmente retirar amostras de tecido para uma biopsia. Um procedimento designado fundoplicatura, que pode ser levado

a efeito através de laparoscopia, envolve a zona superior do estômago em volta do músculo esfíncter esofágico inferior para o fortalecer, podendo também corrigir a hérnia do hiato. Dois novos

mecanismos de endoscopia são utilizados para tratamento do RGE. Um coloca pontos no esfíncter esofágico inferior para o reforçar, o outro utiliza eléctrodos para proceder a pequenas incisões no

músculo. Quando estas incisões cicatrizam, originam um tecido cicatrizado mais forte. Um novo tratamento utiliza um implante que sustenta o músculo do esfíncter esofágico inferior. Através do endoscópio, o médico injecta uma solução que espessa transformando-se numa massa esponjosa, ajudando o músculo a bloquear o refluxo de suco gástrico.

Factores de risco:

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História familiar

Obesidade

Tabagismo

Fármacos anticolinérgicos broncodilatadores (utilizados para dilatar as vias aéreas)

Consumo de álcool

Alergias alimentares

Asma

Informações adicionais

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Embora o RGE possa, por vezes, causar dor torácica, é essencial verificar inexplicáveis dores no tórax para afastar o diagnóstico de enfarte do miocárdio.

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