Desnutrição

Uma taxa insuficiente de substâncias nutritivas durante um prolongado período de tempo gera alterações tão variadas e relevantes no funcionamento do organismo humano que, se não for solucionada, mais cedo ou mais tarde conduz à morte.

Conceitos

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Fala-se de mal nutrido, geralmente, para designar qualquer estado patológico de uma pessoa, resultante de um desequilíbrio entre a taxa alimentar e as necessidades nutritivas do organismo. É claro que esta expressão engloba tanto os desequilíbrios por defeito como por excesso, embora seja utilizada prioritariamente para designar as consequências de uma dieta deficitária quantitativa ou qualitativamente.

Mas, mesmo atendendo a isso, a falta prolongada de nutrientes pode obedecer a situações tão diferentes que, embora com resultados semelhantes, nada têm a ver entre si quando se trata de estabelecer as suas origens ou, inclusivamente, a sua evolução e possível solução. Assim, regra geral, fala-se de desnutrição para se referir às situações derivadas estritamente de uma falha na taxa nutricional alimentar, principalmente por falta de recursos, como ocorre nos países não desenvolvidos. Mas estes, embora a nível mundial sejam os mais numerosos, não são os únicos casos de nutrição inadequada.

Também pode ocorrer um estado de desnutrição secundária em indivíduos que contam com recursos alimentares disponíveis, mas sofram de doenças que impossibilitem uma alimentação adequada ou o aproveitamento oportuno dos nutrientes - - fala-se, então, de magreza patológica ou, em casos extremos, de emaciação.

Causas

A causa de desnutrição mais frequente no planeta é, simplesmente, a falta de recursos alimentares - calcula-se que 1/3 da população mundial apresenta um maior ou menor grau de desnutrição. Nos países industrializados também podem acontecer situações deste tipo nas camadas mais carenciadas da sociedade, mas os sistemas de protecção social, públicos ou de organizações humanitárias, costumam preveni-las ou atenuá-las.

No entanto, existem outros motivos para que se verifiquem casos de magreza patológica, de índole diversa. Nas crianças, os conflitos afectivos com os pais, por vezes, levam a uma restrição alimentar, quando não são os próprios educadores que os privam da alimentação adequada como método de castigo ou devido a crenças de diversa índole. No adulto, a depressão conduz frequentemente a um estado de restrição alimentar, não sendo invulgares os casos em que se seguem regimes rigorosos, daqueles em que se eliminam alguns grupos de alimentos indispensáveis. Não serão também ra-ros os casos de idosos que vivem na solidão e seguem uma alimentação muito limitada ou demasiado desequilibrada, com as consequentes carências nutritivas.

Consequências na criança

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Para descrever esta situação, os melhores exemplos, lamentavelmente, são das crianças que habitam nas regiões mais desfavorecidas dos países em vias de desenvolvimento. Na criança pequena, sem reforços energéticos aos quais o organismo possa recorrer e com elevadas necessidades nutricionais para poder fabricar os tecidos em pleno período de crescimento, as consequências da desnutrição são nefastas. Na sua descrição, no entanto, podem diferenciar-se duas formas:

A desnutrição global, com uma taxa energética insuficiente, provoca um quadro denominado marasmo, que resulta numa grave perda de peso com diminuição do tecido gordo e muscular e um notório atraso no desenvolvimento corporal e intelectual. A criança está triste, apática, não brin-ca, tem a pele fina e seca, os cabelos estão frágeis e o seu crescimento em peso e altura está atrasado. Se o cérebro não receber os nutrientes necessários ao seu crescimento, as repercussões estendem-se ao intelecto.

A desnutrição proteica, conhecida como kwashiorkor, desenvolve-se em crianças que recebem uma taxa energética relativamente suficiente em forma de alimentos feculentos ou farinhas, mas uma escassa taxa de proteínas. Desde logo, isto dá origem a um desenvolvimento pobre das massas musculares e posteriormente a uma atrofia da musculatura, mas chega um momento em que a situação se complica ainda mais, especialmente porque implica uma diminuição das proteínas plasmáticas e a consequente passagem de líquido do espaço intra-vascular para os tecidos, formando-se edemas. A magreza geral do corpo contrasta com o inchaço provocado pela acumulação de líquido que se produz, sobretudo, no ventre e na face. A pele está frágil, o cabelo descolorado e o crescimento em peso e altura retarda-se tanto quanto o desenvolvimento intelectual.

Consequências no adulto

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O organismo do adulto conta com reservas energéticas proporcionadas pelos hidratos de carbono depositados em forma de glicogénio no fígado e nos músculos, bem como pelas gorduras acumuladas no tecido adiposo subcutâneo e perivisceral. Perante um défice da taxa nutricional, o organismo recorre primeiro a estas reservas para obter a energia necessária para a manutenção das suas funções. Mas se o défice nutritivo se mantiver, as reservas esgotam-se e o organismo vê-se obrigado a utilizar os seus próprios tecidos como fonte de energia.

A perturbação manifesta-se em indivíduos previamente bem nutridos com uma perda significativa do peso corporal. A pele torna-se seca, fria, adoptando ocasionalmente uma tonalidade acinzentada ou azulada, as pregas cutâneas acentuam-se e as rugas tornam-se mais vincadas. A perda de tecido gordo subcutâneo faz com que se perceba com facilidade o esqueleto (costelas, omoplatas e outros relevos ósseos). Os olhos e as maçãs do rosto estão submersos, numa expressão do rosto que denota apatia e indiferença, se não sofrimento. O ventre fica oprimido, apresenta rugas profundas e pregas salientes.
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