Administração por via parentérica

Esta via de administração corresponde à introdução de produtos líquidos directamente nos tecidos do corpo ou na circulação sanguínea, para que sejam distribuídos através do sangue a todo o organismo.

Generalidade

Topo A administração por via parentérica compreende a utilização de soluções ou essências especialmente preparadas para serem introduzidas, mediante injecção, nos tecidos orgânicos ou na circulação sanguínea. Este facto marca uma evidente diferença com outras vias de administração: como é necessário uma técnica precisa e uma certa experiência, a administração por via parentérica apenas costuma ser efectuada por enfermeiros ou médicos, apesar de o próprio paciente ou algum familiar poder aprender a dar as injecções, o que pode ser, por vezes, muito conveniente (por exemplo, no caso dos diabéticos que necessitam de constantes injecções de insulina).

A via parentérica tem várias vantagens, na medida em que, para além de possibilitar uma rápida distribuição do medicamento por todo o organismo e, consequentemente, um rápido efeito terapêutico, permite conhecer com precisão a quantidade de medicamento administrado, pois não está dependente de variáveis como o seu grau de absorção no tubo digestivo, como ocorre quando é administrado por via oral. Todavia, a administração por via parentérica também acarreta alguns inconvenientes: por um lado, gera mais incómodos e receios do que outras vias de administração, por outro lado, porque existe um certo risco, já que uma injecção aplicada de forma inadequada pode provocar vários tipos de problemas nos tecidos da zona e proporcionar uma via de comunicação com o exterior - caso não seja realizada em rigorosas condições de assepsia, de modo a evitar-se a contaminação dos tecidos, pode favorecer o desenvolvimento de uma infecção. Em suma, apenas se deve recorrer à administração de medicamentos por via parentérica quando existem motivos que o justifiquem, sobretudo quando o fármaco utilizado não pode ser administrado por outras vias, por exemplo, porque seria destruído pelos sucos digestivos caso se recorresse à via oral ou quando é necessário um efeito rápido e preciso, sendo que, embora seja utilizada com frequência no hospital, esta via de administração é pouco utilizada nos tratamentos domiciliários.

Tipos de administração parentérica

Topo Esta via de administração costuma consistir na introdução de medicamentos directamente no organismo através de uma injecção, mediante o recurso a uma seringa e uma fina agulha oca. Todavia, é possível distinguir, em função do local onde se insere a agulha, vários tipos de administração parentérica, cuja selecção depende da rapidez de acção, da natureza do medicamento a utilizar e da dose necessária.

Administração intradérmica. Consiste na injecção de pequenas quantidades de substâncias em solução imediatamente por baixo da camada superficial da pele, na espessura da derme. Apenas é utilizada em casos especiais, como nos exames de alergia na pele.

Administração subcutânea ou hipodérmica. Consiste na injecção de pequenas quantidades de substâncias muito solúveis na hipoderme, uma zona de tecido conjuntivo mole com escassa irrigação, o que faz com que as substâncias passem lentamente para a circulação sanguínea. A injecção costuma ser realizada na face externa da coxa, no abdómen ou na face externa do braço. Existem alguns medicamentos tipicamente administrados por esta via, como a heparina, uma substância utilizada nos tratamentos anticoagulantes, e a insulina, utilizada no tratamento da diabetes mellitus.

Administração intramuscular. Consiste na injecção de substâncias em solução ou essência na espessura da massa muscular, onde os medicamentos passam facilmente para o sangue. Para se aplicar a injecção, deve-se seleccionar um sector do corpo com massa muscular volumosa onde não existam grandes vasos sanguíneos e troncos nervosos, normalmente o quadrante superior externo das nádegas, a face lateral anterior da coxa (músculo vasto externo) ou a parte superior do braço (músculo deltóide). Como a técnica de aplicação da administração parentérica é relativamente simples, esta via é a mais utilizada nos tratamentos domiciliários.

Administração intravenosa ou endovenosa. Consiste na introdução de soluções aquosas directamente na circulação sanguínea através de uma punção venosa, a maneira mais rápida de se introduzir um medicamento no sangue, de modo a que seja distribuído pelo organismo. No entanto, como necessita de uma técnica relativamente complexa, é praticada, sobretudo, nos hospitais, sendo raramente utilizada nos tratamentos domiciliários. A administração intravenosa necessita do recurso a diferentes procedimentos consoante a quantidade de medicamento e o ritmo de administração necessário. O método mais comum consiste na injecção do medicamento através da introdução de uma agulha numa veia superficial e acessível, normalmente na prega do cotovelo. Todavia, também se pode recorrer à administração endovenosa de um grande volume de líquido em infusão contínua através de um sistema de perfusão ou "gota a gota", como o utilizado na administração de soro.

Informações adicionais

Precauções higiénicas

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Embora cada tipo de administração parentérica necessite de uma técnica específica, existem algumas questões básicas em comum. Por exemplo, as seringas e agulhas utilizadas, de diferentes tamanhos e características segundo o tipo de injecção, devem ser sempre esterilizadas, de modo a evitar contaminações e o consequente perigo de infecção para o paciente, sendo igualmente por este mesmo motivo que a pessoa que aplicar a injecção deve lavar as mãos antes de manipular os ditos elementos e desinfectar cuidadosamente a zona onde vai inserir a agulha. No entanto, a pessoa que aplicar a injecção deve adoptar outras precauções, para a sua própria protecção, pois como nunca deve manipular ou dobrar as agulhas utilizadas, devido ao risco inerente a uma picada acidental e consequente exposição a doenças infecciosas que o paciente eventualmente sofra, deve colocar o instrumento utilizado num recipiente, para que fique protegido até ao momento em que se deve proceder à sua esterilização ou envio para o lixo.

O médico responde

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A minha mãe está doente e necessita que lhe dêem injecções diariamente. Poderia eu própria aprender a fazê-lo?

A menos que sejam injecções endovenosas, que como envolvem uma técnica complexa necessitam de ser realizadas por enfermeiros capacitados, não é difícil aprender a dar injecções. Todavia, deve adquirir alguns conhecimentos sobre o assunto e treinar sob a supervisão de um enfermeiro capacitado que, para além de ensinar a técnica com precisão, as oportunas precauções, os possíveis contratempos e o comportamento a adoptar em cada caso, deve confirmar se a pessoa está preparada para o fazer, já que a administração indevida de injecções pode ser muito perigosa.

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