Administração por via oral

A administração por via oral, ou seja, pela boca, é uma das formas mais antigas e comuns de utilização de medicamentos, sobretudo devido à sua comodidade.

Generalidades

Topo Os medicamentos administrados por via oral são engolidos da mesma forma que os alimentos, para que as substâncias neles presentes, à semelhança do que acontece com os nutrientes, passem para o tubo digestivo e sejam absorvidas através da mucosa gástrica e, sobretudo, do intestino, de modo a chegarem à circulação sanguínea e serem distribuídos pelo organismo até alcançarem o sector onde têm de cumprir a sua missão. Como esta forma de administração apresenta inúmeras vantagens, devido à sua simplicidade e ao facto de não necessitar de qualquer equipamento ou assistência especiais, é a mais utilizada nos tratamentos ambulatórios em que a terapêutica depende do próprio paciente ou das pessoas que cuidam dele.

Dado que as características da mucosa digestiva permitem a adequada absorção de inúmeras substâncias, a maioria dos medicamentos disponíveis pode ser administrada por via oral, visto que se pode administrar por esta via as formas farmacêuticas sólidas (cápsulas, comprimidos, pastilhas, pílulas) e as líquidas (soluções, essências, xaropes). Como alguns medicamentos tomados por via oral podem tornar-se irritantes para o estômago ou serem desactivados pelo suco gástrico, os que evidenciam estas características são protegidos por um revestimento especial, denominado revestimento entérico , que não é alterado durante a sua passagem pelo estômago, chegando completo ao intestino, onde se desintegra e liberta o seu conteúdo. Este revestimento apenas é eficaz se estiver intacto no momento da sua ingestão.

Doseamento

Topo As formas sólidas da administração oral, como os comprimidos, cápsulas e drageias, costumam ser doseadas em unidades de um determinado peso, em que cada dose se deve ajustar ao conteúdo de uma unidade. Todavia, existem algumas formas que permitem a sua divisão, como é o caso de alguns comprimidos constituídos por uma ranhura que facilita a sua divisão. No entanto, existem outras formas que não podem ser divididas, independentemente de ser para que as suas propriedades farmacológicas não sejam alteradas ou, como ocorre no caso das cápsulas, porque o seu conteúdo em pó não pode ser doseado correctamente.

As formas líquidas de administração oral, como as soluções, essências e xaropes, têm de ser utilizadas de acordo com as instruções da bula presente na embalagem. Para além disso, muitos destes produtos têm de ser bem agitados antes de serem administrados, de modo a assegurar-se uma mistura homogénea dos seus componentes. As doses costumam ser estipuladas em mililitros (ml) do produto ou directamente em colheres. Existem inúmeros casos em que o frasco do produto vem acompanhado por um recipiente graduado ou uma colher de volume contrastado, que devem ser utilizados de forma a proporcionar um doseamento exacto. Caso contrário, deve-se recorrer à utilização de colheres comuns, apesar de ainda não se ter definido o conteúdo considerado mais ajustado. Por exemplo, considera-se que uma colher de chá equivale a 5 ml, uma de sobremesa a 10 ml e uma de sopa a 15 ml.

Uma outra possibilidade é a dose ser estipulada em gotas, após serem diluídas num pouco de água, aproximadamente 25 a 50 ml. É muito importante contar as gotas com precisão, cuja quantidade é, por vezes, expressa em números romanos.

Técnica

Topo Os medicamentos administrados por via oral devem ser introduzidos na boca e engolidos, para que possam passar para o tubo digestivo. Como estes medicamentos devem ser tomados numa posição vertical, caso o paciente esteja deitado deve-se sentar ou, no mínimo, manter-se direito durante alguns momentos. Embora a deglutição das formas líquidas não seja complicada, deve-se tomar as formas sólidas com um pouco de líquido. Todavia, deve-se ter em conta que, apesar de alguns medicamentos poderem ser tomados com sumos ou leite, deve-se sempre assegurar em cada caso específico que o produto utilizado não perde efeito com o mesmo - neste caso, apenas se deve utilizar água.

Caso a pessoa tenha dificuldade em engolir uma forma sólida, como acontece com muitos idosos, deve-se colocar o medicamento na parte posterior da língua, com o intuito de se estimular melhor o reflexo de deglutição. Embora se possa facilitar a administração de uma forma sólida ao proceder-se à trituração do produto, é um recurso que não pode ser feito em todos os casos, já que apenas se pode triturar os comprimidos não protegidos e as cápsulas que não sejam constituídas com um revestimento entérico (moles), não se devendo abrir as drageias com protecção entérica (duras), porque o seu conteúdo deve chegar intacto ao intestino delgado.

Como os bebés mais novos costumam ter dificuldade em engolir medicamentos sólidos, costuma-se recorrer a produtos líquidos, como xaropes. Quando se administra um produto líquido, deve-se verter o produto para um recipiente graduado ou uma colher doseadora, de modo a comprovar-se que a dose é a correcta, colocando-a ao nível dos olhos. Caso exista líquido em excesso, este deve ser deitado fora, sem nunca se devolver o medicamento ao frasco.

Em caso de lactentes, pode-se facilitar a administração através da utilização de uma seringa descartável. Neste caso, deve-se igualmente precisar a dose, ao aspirar-se a quantidade oportuna da embalagem e comprová-la ao nível dos olhos, deitando-se fora o restante. Depois de se tirar a agulha, deve-se colocar a extremidade da seringa na boca, introduzindo-a entre o lábio e a zona dos dentes molares, de modo a se instilar lentamente o produto. Deve-se igualmente manter a cabeça do bebé levantada, de modo a evitar a passagem do medicamento líquido para as vias respiratórias e o consequente quadro de aspiração pulmonar.

Informações adicionais

Medicamentos e refeições

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Como os medicamentos administrados  por via oral são absorvidos nos mesmos órgãos que os alimentos, por vezes acabam por interferir mutuamente na sua absorção.

• Quando se indica que os medicamentos devem ser tomados fora das refeições, significa que devem ser administrados com o estômago vazio, ou seja, uma hora antes ou mesmo duas horas depois de qualquer refeição.

• Quando se indica que os medicamentos devem ser tomados com as refeições, significa que devem ser administrados enquanto se come ou imediatamente após, para que os alimentos evitem efeitos negativos sobre a mucosa gástrica. Não é necessário ser ao longo das refeições principais, bastando ser acompanhado por um copo de leite e biscoitos.

Formas farmacêuticas de administração por via oral

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E ormas de apresentação sólidas. As mais comuns são os comprimidos, igualmente denominados pastilhas, proporcionados pela compressão de princípios activos e excipientes em pó, de modo a adoptarem uma forma sólida e serem facilmente engolidos e separados ao chegarem ao tubo digestivo. Para além dos comprimidos efervescentes, ou seja, destinados a dissolverem-se em água antes de serem ingeridos, existem os comprimidos mastigáveis, que se devem desfazer na boca antes se serem engolidos. As drageias são comprimidos revestidos por açúcar ou outra substância que facilite a sua ingestão e a torne mais agradável ou constituídos por um revestimento entérico que apenas proporcione a libertação do seu conteúdo depois de o mesmo chegar ao intestino. Para além de serem mais pequenas, as pílulas são constituídas por uma massa composta por um ou vários princípios activos combinados com os excipientes adequados. Deve-se referir que as pílulas de reduzidas dimensões denominam-se grânulos. Entre as formas sólidas deve-se destacar igualmente as cápsulas, pequenas embalagens de substâncias assimiláveis (gelatina) com o medicamento presente no seu interior, que apenas libertam o seu conteúdo quando os sucos digestivos actuam sobre esse revestimento, sendo por isso que existem cápsulas que têm um revestimento de protecção entérica, resistente à acção do suco gástrico, devendo apenas libertar o seu conteúdo quando chegam ao intestino delgado.

Formas de apresentação líquidas. Neste caso, as substâncias activas encontram-se dissolvidas num meio líquido ou vêm sob a forma de pós que devem ser dissolvidos em água antes de serem ingeridos. Os xaropes são soluções aquosas açucaradas, um pouco densas, às quais se deve incorporar as substâncias activas. As soluções são formas líquidas transparentes constituídas pelas substâncias do medicamento dissolvidas. As essências são líquidos constituídos por quantidades relativamente elevadas de substâncias médicas sólidas, que em vez de serem dissolvidas são mantidas suspensas, o que dá um aspecto turvo ao produto.

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