A cama do paciente

Quando um paciente se vê obrigado a permanecer durante um certo período de tempo acamado, a preparação da cama e as oportunas mudanças da roupa lavada constituem um aspecto extremamente importante para se garantir a sua higiene e comodidade.

Generalidades

Topo Embora um paciente incapacitado ou afectado por uma doença que o obrigue a um repouso absoluto em casa durante um tempo mais ou menos prolongado possa utilizar uma cama comum, caso se preveja que a convalescença seja prolongada, é preferível contar-se com uma cama con- vencional de hospital, articulada, para que se possa ajustar a sua posição e inclinação, e com rodas, de modo a facilitar a sua deslocação.

Independentemente do tipo de cama, a muda da roupa da cama deve ser sempre considerada um ponto essencial nos cuidados ministrados ao paciente, não só por questões de higiene e comodidade, mas muitas vezes também como medida de prevenção, já que a permanência em lençóis sujos ou humedecidos pode tornar-se prejudicial.

Caso o paciente esteja confinado ao quarto, deve-se-lhe fazer a cama, no mínimo, uma vez por dia, embora se deva, dentro do possível, arranjá-la mais vezes, tendo-se atenção, sobretudo, ao esticar do lençol inferior para que não tenha pregas e fique bem direito. Em relação à frequência da mudança dos lençóis, depende de cada caso específico, já que embora o ideal seria fazê-lo todos os dias, pode ser suficiente fazê-lo de quatro ou cinco em cinco dias e, por outro lado, deve-se mudar os lençóis com maior assiduidade, caso fiquem manchados.

Sempre que o paciente se consiga movimentar sem dificuldades, é preferível que se levante para que se possa proceder ao arranjo da cama com maior comodidade. Caso o estado do paciente não o permita, deve-se fazer a cama ou mudar a roupa da mesma com o paciente na cama.

Material e técnica

Topo O material básico para se fazer a cama do paciente compreende um jogo de cama, uma manta leve e uma colcha, que proporcionam um abrigo suficiente num quarto morno, as correspondentes fronhas das almofadas e, eventualmente, uma forra para proteger o colchão. Como princípios básicos, considera-se que uma cama está bem feita caso os lençóis fiquem bem esticados, sem pregas, e caso a manta e a colcha não fiquem muito apertadas. Em relação ao jogo de cama, costuma-se colocar um lençol superior e inferior, igualmente denominado forra, e por vezes é aconselhável colocar-se um outro adicional, denominado resguardo, que deve ser colocado transversalmente por cima do inferior.

O lençol inferior deve ser bem esticado para que fique perfeitamente liso, sem pregas, colocando-se todas as extremidades entre o colchão e o estrado. Para os cantos, existe uma forma utilizada nos hospitais para que fiquem bem esticados: coloca-se o lençol no canto e depois dobram-se as laterais, de modo a que formem pregas de 45° (ver figura).

O resguardo é um lençol comum que deve ser dobrado, de modo a que possa ser colocado atravessado sobre o lençol inferior com o intuito de revestir a zona compreendida entre o tórax e os joelhos. A sua utilização é muito útil caso o paciente tenha de permanecer o dia inteiro de cama, pois caso faça as necessidades na mesma pode-se proceder à sua alteração sem se ter de voltar a fazer a cama. Para se fazer um resguardo, deve-se meter um lado do lençol por baixo do colchão, esticar bem e repetir a operação do outro lado. Caso o paciente seja afectado por incontinência, deve-se colocar uma forra atravessada sobre o lençol inferior, revestido pelo resguardo para que não fique em contacto directo com a pele, mudando-se de forra e resguardo cada vez que o paciente faça as suas necessidades.

O lençol superior, a manta e a colcha devem ser entalados debaixo do colchão na parte inferior da cama, devendo ser ajustados em ambos os lados. Todavia, deve-se ter em conta que, como não devem ficar muito tensos na parte dos pés, deve-se efectuar um pequeno puxão nessa zona para se ter a certeza de que não exercem pressão sobre os pés do paciente, para que este se possa movimentar facilmente.

Muda da roupa com a cama ocupada

Topo Quando o estado do paciente não lhe permitir levantar-se da cama, existe uma forma muito simples para se mudar o lençol inferior. Depois de se retirar a colcha, a manta e o lençol superior, deve-se aproximar o paciente de uma extremidade da cama (1), utilizando-se a técnica anteriormente descrita se for necessário (ver "Movimentação do paciente acamado"). Em seguida, deve-se desentalar o lençol inferior usado da extremidade do colchão e enrolá-lo longitudinalmente até metade da cama, o mais perto possível do paciente (2), para que se possa colocar o lençol inferior limpo sobre a metade livre do colchão, colocando a sua extremidade por baixo do colchão e enrolando longitudinalmente o resto do lençol, de modo a aproximá-lo do paciente (3). Em seguida, deve-se ajudar o paciente a mudar de posição, ao passá-lo por cima dos lençóis enrolados até que fique na parte da cama já mudada (4). Depois, deve-se retirar completamente o lençol usado e desenrolar o lençol limpo na outra metade da cama, esticando-o bem e dobrando as extremidades por baixo do colchão (5); por fim, deve-se revestir novamente o paciente com o lençol superior limpo e a colcha (6). De qualquer forma, a técnica descrita pode ser efectuada sem que se tenha de retirar totalmente o lençol superior, de modo a que o paciente não passe frio durante a manobra. Em vez de se mudar o lençol inferior, deve-se colocar o lençol superior limpo sobre o usado e, enquanto se segura o que está limpo com uma mão, deve-se retirar o usado por baixo, dobrando de imediato a extremidade inferior e a parte final das laterais debaixo do colchão.

Informações adicionais

O médico responde

Topo

Caso se tenha de mudar a roupa da cama sem que o paciente se consiga levantar, qual o melhor momento para se mudar os lençóis?

Apesar de, normalmente, se considerar que o melhor momento é após a realização da higiene do paciente, pois proporciona-lhe um máximo de comodidade, ao seleccionar-se o momento, deve-se igualmente ter em consideração outras variáveis, como o estado do paciente e a medicação recebida. Por exemplo, caso se encontre débil e a própria muda da cama o canse, é preferível aguardar-se um bocado até que recupere antes de se mudar os lençóis. Caso o paciente seja afectado por dores, pode ser preferível esperar-se que a medicação analgésica que lhe tenha sido administrada faça efeito.

Este artigo foi útil?
Artigos relacionados
Procurar Médicos
Precisa de ajuda?
Porque perguntamos?
Dor lombar e ciática Aparelho locomotor/exercício físico
Dor cervical Aparelho locomotor/exercício físico
Artrose Aparelho locomotor/exercício físico
Nódulos e pólipos das cordas vocais Aparelho respiratório/glândulas endócrinas
Lesões dos meniscos Aparelho locomotor/exercício físico
Tumores benignos do ovário Aparelho reprodutor/sexualidade