O quarto do paciente

Quando se escolher o quarto da casa para o paciente, caso seja possível escolhê-lo, deve-se ter em consideração uma série de questões básicas que favoreçam a comodidade do próprio paciente e as tarefas de quem cuida dele.

Generalidades

Topo Apesar de o paciente poder permanecer no seu próprio quarto, por vezes este não reúne as condições ideais, sendo preferível utilizar-se outro. Embora nem sempre se possa, como é óbvio, seleccionar o quarto que melhor se adapte ao paciente, caso seja possível, deve-se pensar muito bem no assunto, sobretudo se se previr uma permanência prolongada na cama, tendo-se em conta as características do próprio quarto, a sua localização na casa e, consequentemente, a sua acessibilidade para as pessoas que têm de cuidar do paciente. Deve-se optar sempre por um quarto espaçoso, tranquilo e silencioso, claro, soalheiro e bem arejado, constituído por um adequado aquecimento e com uma casa de banho perto. Deve-se igualmente pensar que, caso o paciente necessite de atenções mais ou menos constantes, as pessoas que cuidam dele devem ter um fácil acesso ao quarto, porque o paciente costuma pedir muita coisa e para que não se sinta isolado. Se a casa tiver mais de um piso, por vezes, deve-se pensar em questões paradoxais, na medida em que, embora um quarto situado no piso superior possa ser mais tranquilo, um localizado no rés de chão, onde se encontra a cozinha e se realizam as actividades domésticas, pode evitar um constante sobe e desce de escadas da pessoa encarregue de cuidar do paciente e irá permitir-lhe ouvi-lo com mais facilidade quando chamar.

Temperatura e ventilação

Topo O quarto do paciente deve ser ventilado com alguma frequência, de modo a renovar-se o ar, e mantido a uma temperatura confortável: de dia, entre 21°C e 23°C, e de noite, para facilitar o sono, por volta dos 18°C. Embora se consiga manter sempre o quarto a uma temperatura adequada e bem ventilada com um ar condicionado, uma condição essencial num quarto de um paciente, sobretudo no Inverno ou quando faz muito calor, nem sempre se pode contar com este recurso.

Dado que o principal objectivo da ventilação é a substituição do ar consumido por ar puro, o paciente costuma sentir-se mais satisfeito se se deixar uma janela aberta para que entre ar fresco, embora neste caso se deva evitar que fique exposto a correntes de ar. Deve-se igualmente certificar se a abertura da janela não faz com que o ar atinja directamente o paciente, sobretudo se soprar vento, independentemente de ser através do recurso a cortinas, mediante a colocação de um biombo à frente da janela ou ao improvisar-se uma protecção com um par de sofás junto à cama, sobre os quais se deve colocar uma manta. No Verão, o ideal é contar com um par de janelas opostas que possam ser abertas pela parte superior para que se crie uma suave corrente de ar fresco que não atinja directamente o paciente.

No Inverno, deve-se utilizar um radiador para aquecer o quarto, devendo-se igualmente pensar na humidade do ar, já que como muitos aparelhos acabam por secar o ar, podem provocar uma incómoda irritação das fossas nasais e vias respiratórias. Neste caso, deve-se recorrer a um humificador, de qualquer tipo, por exemplo ao colocar-se um tacho de água sobre o radiador.

Mobiliário

Topo O quarto do paciente deve contar com alguns, mas poucos, elementos essenciais, devido ao facto de o seu aspecto geral ser bastante importante e influenciar significativamente o estado de ânimo do paciente, pois um quarto desmobilado pode ser deprimente, enquanto que um quarto superlotado pode tornar-se angustiante. Deve-se pensar tanto no equipamento necessário como na decoração geral, colocando alguns elementos alegres e retirando os que sejam desnecessários e ocupem muito espaço ou dificultem as tarefas de quem cuida do paciente.

O principal elemento do quarto é, obviamente, a cama, que deve ser colocada de maneira a que ambos os lados e pés fiquem livres, se possível perto de uma janela para que o paciente possa ver o exterior. Caso se preveja que a convalescença seja curta, qualquer cama normal serve, embora seja preferível que seja de solteiro e não de casal, porque é mais fácil de fazer e nela o paciente ficará mais acessível a quem cuida dele. O colchão deve ser firme e elástico, nunca muito mole para que o paciente não se afunde, enquanto que o estrado deve ser duro, podendo-se até colocar uma tábua entre o estrado e o colchão. Caso se preveja que a convalescença possa ser prolongada e o paciente tenha dificuldades em movimentar-se, uma cama normal pode ser muito baixa, não para o próprio paciente, mas para quem cuida dele, sendo por isso que um segundo colchão colocado por cima do primeiro ou suplementos nos pés podem evitar a adopção de posições incómodas e esforço. Caso esteja, obviamente, dentro das possibilidades, deve-se utilizar uma cama de hospital, mais alta do que as normais, metálica (fácil de lavar), articulada (para se poder ajustar a posição e inclinação) e com rodas (para facilitar a deslocação).

Um outro elemento fundamental no quarto é a presença de uma mesa de cabeceira junto à cama, suficientemente espaçosa para se deixar ao alcance da mão do paciente tudo o que necessite: um copo e um jarro de água, guardanapos de papel, um relógio, revistas e livros, um telefone... Como uma mesa de cabeceira normal pode ser pequena, pode ser útil recorrer-se a uma mesa de chá com uma prateleira e rodas, prática e fácil de afastar quando se fizer a cama.

O quarto deve igualmente contar com um armário, prateleiras e superfícies de apoio para se guardar ordenadamente e ter ao alcance da mão todos os elementos necessários para se cuidar do paciente: medicamentos, mudas da roupa de cama, bandejas, bacias e jarros... O mobiliário essencial deve igualmente ser constituído por um sofá cómodo para o paciente, caso consiga levantar-se da cama, uma cadeira para quem cuida do doente (e mais algumas para as visitas, caso o quarto seja espaçoso) e um pequeno banco para ajudar o paciente a levantar-se da cama ou para repousar os pés enquanto descansa no sofá. Por fim, o quarto deve ter, como complementos básicos, uma campainha ou sineta para que o paciente possa chamar as pessoas que cuidam dele, um tabuleiro onde possa comer e um caixote para o qual o paciente possa deitar comodamente o lixo.

Informações adicionais

Iluminação

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A iluminação do quarto do paciente tanto pode ser natural como artificial, consoante as possibilidades e preferências. A luz natural tem muitas vantagens, já que, para além de levantar o estado de ânimo, a luz do sol exerce uma acção profiláctica ao destruir os microorganismos. No entanto, como nem todos os pacientes gostam de permanecer num ambiente demasiado iluminado, deve-se recorrer a persianas e até cobrir as janelas com cortinas que impeçam a entrada directa do sol, mas que não eliminem a ventilação. Como a iluminação artificial deve ter uma intensidade adequada ao paciente, é preferível que seja regulável e sempre com interruptores ao alcance do paciente. Conforme os gostos, a iluminação tanto pode ser directa ou indirecta, devendo-se ter a precaução de os candeeiros não deixarem parte das lâmpadas a descoberto e de se contar com uma luz de presença que proporcione iluminação durante a noite.

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