Doenças exantemáticas infantis

São assim designadas as várias doenças infecciosas que se costumam evidenciar ao longo da infância e que se caracterizam pelo aparecimento de uma erupção cutânea, tendo normalmente, embora existam excepções, uma evolução benigna, não originando complicações.

Generalidades

Topo Existem várias doenças infecciosas que provocam, entre as suas manifestações características e como principal fenómeno, um exantema, ou seja, a erupção de pontos ou manchas e outras lesões na pele. Embora algumas destas doenças se possam manifestar noutras idades, afectam essencialmente as crianças - por isso, o sarampo, a rubéola, a varicela, a escarlatina, o eritema infeccioso e o exantema súbito são considerados como típicas doenças exantemáticas infantis. O facto de estas doenças serem tão comuns na infância deve-se à especial sensibilidade que os bebés têm ao ataque dos respectivos agentes causadores, determinados vírus e bactérias, mas especialmente devido ao facto de estes micróbios serem extremamente contagiosos e facilmente transmissíveis tanto por via aérea como através do contacto com pacientes ou objectos contaminados. Caso não se adopte medidas específicas, como a administração sistemática de vacinas que consigam prevenir algumas destas patologias, estas acabam por afectar praticamente todos os bebés.

Manifestações e evolução

Topo Dado que cada uma destas doenças exantemáticas infantis evolui através de manifestações próprias, o médico consegue, na maioria dos casos, diagnosticar o problema através da simples descrição do processo de evolução da erupção cutânea.

Sarampo. O sarampo é uma doença muito contagiosa de origem virai, cuja incidência diminuiu drasticamente nos países desenvolvidos desde que se efectua a vacinação infantil sistemática, embora continue a ser muito comum nos países subdesenvolvidos, onde afecta, sobretudo, crianças entre 1 e os 5 anos de idade. Após um período de incubação de cerca de dez dias, a doença manifesta-se através de febre e rinoconjuntivite que provoca a congestão ocular e sinais e sintomas catarrais. Em seguida, evidencia-se uma erupção cutânea formada por pequenas manchas vermelhas que se inicia na face e por trás das orelhas, para se irradiar ao longo de dois ou três dias ao tronco e aos membros. A erupção acaba por desaparecer na mesma ordem de aparecimento, à medida que os restantes sinais e sintomas vão desaparecendo. Embora a doença costume ter uma evolução benigna, pode originar certas complicações.

Rubéola. A rubéola é uma doença muito contagiosa de origem viral com uma evolução benigna e que afecta, sobretudo, as crianças com menos de 10 anos, embora a sua incidência seja actualmente reduzida nos países onde se procede à vacinação infantil sistemática. Após um período de incubação de duas ou três semanas, a doença começa a manifestar-se através de febre ligeira, catarro e congestão ocular, a que se segue a erupção de inúmeras pequenas manchas rosadas, de início apenas na cabeça, mas que depois se estende a todo o corpo ao longo de um ou dois dias, acabando por desaparecer na mesma ordem ao fim de um ou dois dias, à medida que os restantes sinais e sintomas vão desaparecendo.

Varicela. A varicela é uma doença contagiosa provocada pelo vírus varicela-zóster (igualmente responsável pelo herpes zóster), muito frequente nas crianças dos 2 aos 9 anos de idade. Após um período de incubação de uma a três semanas, a doença começa a manifestar-se através de febre, mal-estar geral e perda de apetite, a que se segue, ao fim de um a três dias, a erupção de pequenas manchas vermelhas muito pruriginosas que revestem toda a superfície do corpo e adquirem, ao fim de algumas horas, um certo volume, convertendo-se em vesículas repletas de um líquido amarelado. Alguns dias depois, as vesículas rebentam e o líquido nelas presente seca, formando crostas que acabam por cair. Tanto a erupção cutânea como os restantes sinais e sintomas desaparecem ao fim de sete a dez dias, normalmente sem originar complicações.

Escarlatina. Esta doença infecciosa é provocada pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A, uma bactéria muito contagiosa, igualmente responsável por outras doenças, como a erisipela, que afecta, sobretudo, as crianças entre os 6 e os 10 anos de idade. Após um período de incubação de três a

cinco dias, a escarlatina manifesta-se através do aparecimento de febre alta (cerca de 40°C), de uma faringite que provoca dor de garganta, tumefacção dos gânglios do pescoço e, sobretudo nos bebés pequenos, dor abdominal, náuseas e até vómitos. Ao fim de um ou dois dias, proporciona a erupção de inúmeros pequenos pontos ligeiramente salientes, de início rosados, mas que depois adoptam uma cor vermelha viva, que de início se localizam no pescoço e no tronco, disseminando-se em aproximadamente 24 a 48 horas para os membros e o rosto, embora não se manifestem no queixo e na região à volta da boca. Para além disso, a língua costuma adoptar uma cor vermelha, evidenciando na sua superfície as papilas gustativas inflamadas, o que lhe dá um aspecto conhecido como "língua de framboesa". Ao fim de uma semana, a erupção começa a desaparecer progressivamente, na ordem inversa ao seu aparecimento, até desaparecer totalmente, embora possa provocar uma descamação da pele, particularmente intensa nas palmas das mãos e plantas dos pés. Caso não se proceda ao seu devido tratamento, a doença pode ter uma evolução grave, originando complicações imediatas e outras tardias.

Eritema infeccioso. Igualmente designada quinta doença, pois foi descrita após as quatro já mencionadas, esta patologia é provocada por um vírus que se transmite de forma directa por via aérea e que afecta, sobretudo, as crianças de idades compreendidas entre os 5 e os 14 anos.

Após um período de incubação de duas semanas, o problema evidencia-se através de manifestações gerais não muito graves, como por exemplo febre moderada, problemas gastrointestinais, dores nas articulações e um exantema típico, uma erupção cutânea que se evidencia nas bochechas através da formação de manchas cor de rosa ou vermelhas que se vão irradiando até revestirem praticamente todo o rosto, à excepção do queixo e da ponta do nariz. A erupção difunde-se, ao fim de pouco tempo, ao pescoço, tronco e membros (à excepção das palmas das mãos e das plantas dos pés), persistindo uma ou duas semanas até acabar por desaparecer de forma espontânea, à semelhança dos restantes sinais e sintomas, sem originar complicações.

Exantema súbito. Igualmente conhecida como sexta doença ou roséola infantil, esta patologia, provocada por um vírus do grupo herpes, afecta essencialmente os bebés entre os 6 meses e os 2 anos de idade. Após um período de incubação de uma ou duas semanas, manifesta-se através do aparecimento de febre elevada (39°C a 40°C), dor de garganta, aumento do volume dos gânglios cervicais e, por vezes, igualmente através de vómitos e diarreia. Ao fim de quatro ou cinco dias, e coincidindo com a descida da temperatura, evidencia-se a erupção de pequenas manchas cor de rosa no tronco e no pescoço que se podem estender aos membros e, raramente, ao rosto. À semelhança das restantes manifestações, a erupção desaparece ao fim de um ou dois dias.

Informações adicionais

Terapêutica

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A excepção da escarlatina, provocada por uma bactéria que pode ser combatida através da administração de antibióticos, as doenças exantemáticas infantis não têm um tratamento específico, como a maio- ria das patologias provocadas por ví- rus. De qualquer forma, os sinais e sintomas são tão reduzidos, na maio- ria dos casos, que nem sequer é neces- sário tratamento, enquanto que nos restantes casos apenas se pode recorrer à utilização de medicamentos que di- minuam as manifestações mais incó- modas: antipiréticos para baixar a fe- bre (como o paracetamol, não se devendo utilizar o ácido acetilsalicíli- co, mais conhecido por aspirina), co- lírios para reduzir os problemas ocula- res, xaropes para evitar o prurido das lesões em caso de varicela... Para além disso, existem duas questões funda- mentais: por um lado, caso as lesões originem prurido, como em caso de varicela, deve-se adoptar as devidas precauções para que o bebé não se coce, já que uma infecção secundária pode provocar a formação de cicatri- zes; por outro lado, deve-se controlar a temperatura para que, caso esta seja muito elevada, se recorra à utilização de antipiréticos e se mantenha o bebé bem hidratado sempre que tenha fe- bre. Embora as doenças exantemáti- cas da infância costumem ser benig- nas, o melhor é consultar o médico e seguir as suas indicações.

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