Vigilância médica infantil

É através das consultas realizadas regularmente ao longo da infância que o pediatra controla o crescimento e o desenvolvimento do bebé, avalia o seu estado de saúde e sugere as medidas mais adequadas para fortalecer o seu bem-estar.

Objectivos

Topo O principal objectivo das consultas de desenvolvimento que devem ser realizadas regularmente ao longo de toda a infância é, no mais amplo sentido do termo, a prevenção. Embora a realização das medidas possíveis para prevenir os problemas de saúde, em vez da adopção de uma atitude expectante, em que apenas se procede ao devido tratamento perante o seu eventual aparecimento, seja uma premissa válida para todas as idades, é particularmente importante no caso do bebé, cujo organismo é mais frágil e está em pleno processo de crescimento e desenvolvimento, já que qualquer problema grave durante a infância, para além de provocar uma alteração temporária do organismo, pode perturbar o dito processo e provocar sequelas irreversíveis de maior ou menor gravidade que se prolongam ao longo da vida. De facto, é extremamente importante proceder-se nesta fase à adopção de todas as medidas que possam prevenir o aparecimento de doenças, no mais estrito sentido do termo, e detectar prematu- ramente qualquer problema que se evidencie, já que nesta fase o tratamento costuma ser mais fácil e eficaz.

O pediatra costuma aproveitar as consultas regulares para verificar o estado geral e de nutrição do bebé, factor chave para o seu desenvolvimento, e proporcionar aos pais as devidas instruções para que estes lhe proporcionem uma alimentação completa e equilibrada de acordo com as necessidades de cada idade. O médico deve, igualmente, aproveitar esta oportunidade para os aconselhar sobre questões

como a higiene e os cuidados básicos do bebé, para evitarem factores ambientais nocivos e para procederem à administração das vacinas segundo o calendário oficial recomendado pelos organismos de saúde de cada país.

Entre os principais procedimentos que o pediatra costuma efectuar, destaca-se o controlo do crescimento antropométrico do bebé, através de oportunas medições, e o do desenvolvimento psicomotor, de modo a comprovar-se se o bebé vai adquirindo as capacidades motoras e intelectuais correspondentes a cada idade. Para além disso, caso se adicione os dados obtidos aos proporcionados pelo exame físico e pelos exames auxiliares de diagnóstico, caso sejam necessários, pode-se descobrir igualmente qualquer desvio da normalidade. Caso se confirme o desvio, deve-se efectuar uma investigação mais aprofundada, de modo a detectar-se a origem do problema e se agir de imediato, quando são maiores as possibilidades de o solucionar sem que comprometam o futuro.

A primeira consulta ao pediatra

Topo Dado que, actualmente, a maioria dos partos é realizada no hospital, praticamente todos os bebés, como já foi referido no capítulo dedicado ao recém-nascido, são submetidos a um primeiro exame na própria sala de partos e, depois, a um rigoroso controlo durante a sua permanência na maternidade. Antes de terem alta clínica, os pais costumam falar com algum dos elementos do corpo médico que cuidaram do bebé, um encontro extremamente útil para que sejam informados sobre o estado do bebé e os resultados dos exames efectuados e para que possam receber oportunas instruções sobre os cuidados que lhe devem dar ao regressarem a casa, mas também para exporem todas as suas dúvidas e programarem as consultas seguintes. Em alguns centros, chega-se a entregar aos pais um documento com todos os dados relativos ao nascimento e aos incidentes ocorridos ao longo dos primeiros dias de vida.

A primeira consulta ao pediatra deve ser efectuada até à segunda ou terceira semanas de vida, no máximo até o bebé cumprir 1 mês, o que determina o fim do período neonatal, já que é muito importante constatar a evolução do bebé nesta fase crítica e avaliar com rigor o seu estado. No decorrer desta primeira revisão, o médico deve manter uma longa conversa com os pais, de modo a obter informações muito importantes que lhe permitam efectuar uma história clínica completa do bebé e fazer perguntas sobre o desenvolvimento da gravidez e do parto, sobre todos os incidentes relevantes ocorridos, antecedentes familiares do bebé, problemas mais ou menos pertinentes que se possam ter evidenciado ao longo das primeiras semanas de vida, o tipo de alimentação que está a receber, etc.

Para além disso, o médico deve aproveitar igualmente esta oportunidade para efectuar um minucioso exame físico ao bebé, mais profundo do que os realizados anteriormente, de modo a avaliar com precisão o estado de saúde do bebé, sobretudo para detectar uma eventual complicação que não tenha provocado sinais e sintomas evidentes e tenha passado despercebida no período neonatal, bem como para obter informações que sirvam de base à avaliação da evolução do bebé nos exames posteriores. Para isso, o pediatra deve proceder à medição do peso, altura e perímetro cefálico, registando informações que irá, mais tarde, utilizar para realizar as devidas curvas de crescimento, e efectuar uma revisão física completa que compreenda um exame à cabeça, boca, garganta e ouvidos, a auscultação do coração e dos pulmões, a inspecção e palpação do abdómen, incluindo um exame à cicatriz umbilical, um exame à região genital, um exame às ancas, um exame neurológico com a avaliação dos reflexos, etc.

Por fim, esta primeira consulta constitui uma excelente oportunidade para que os pais possam manifestar as dúvidas que tenham surgido durante as primeiras semanas sobre temas básicos como a alimentação, higiene e comportamento do bebé, já que embora os pais recebam informação sobre estes aspectos de fontes muito variadas, devem ter em conta, sobretudo, o que o pediatra lhes diz.

As consultas regulares

Topo Os pediatras costumam, ao longo de cada consulta de vigilância, seguir uma rotina básica na qual procuram informar-se sobre os progressos do bebé e os eventuais problemas surgidos desde a anterior visita, avaliar o seu crescimento e desenvolvimento, realizar um exame físico completo, supervisionar o calendário das vacinas, proporcionar aos pais os correspondentes conselhos no âmbito da alimentação e as devidas orientações no que se refere à higiene, segurança, etc. De facto, o pediatra vai prestar especial atenção a determinados aspectos variáveis consoante a idade através da realização de procedimentos aos quais os pais e o bebé se vão habituando.

Por exemplo, embora a medição do peso e da altura sejam regularmente efectuadas durante toda a infância, o seu controlo é particularmente importante ao longo das primeiras consultas mensais, já que reflecte, juntamente com outros parâmetros observados no exame físico, o estado nutritivo do bebé, proporcionando ao médico oportunas informações sobre a amamentação e a introdução da alimentação complementar. Nas consultas efectuadas durante o primeiro ano e meio de vida, de início mensais e, depois, trimestrais, é igualmente fundamental a medição periódica do perímetro cefálico, o controlo do progressivo encerrar das fontanelas e uma rigorosa avaliação do desenvolvimento psicomotor, nomeadamente em relação aos progressos realizados ao nível da manipulação, ao contacto com o meio que o rodeia, à linguagem, ao início da locomoção, etc. Nas consultas semestrais a realizar até que o bebé cumpra 3 anos, para além da vigilância habitual, deve-se igualmente avaliar com específico interesse questões como os progressos na linguagem e os avanços produzidos no controlo dos esfíncteres. Nas posteriores consultas anuais, efectuadas até à puberdade, o pediatra deve-se preocupar, sobretudo, em verificar a ausência de complicações físicas e problemas psicológicos, controlar o ritmo de crescimento e avaliar a progressiva integração da criança no meio social.

Em suma, caso se confirme a ausência de problemas específicos, a vigilância médica ao longo da infância não necessita da realização de exames sofisticados, embora o pediatra costume solicitar eventuais análises, radiografias ou consultas com médicos de outras áreas. De qualquer forma, o médico apenas necessita de efectuar um simples exame físico e manter uma conversa, em primeiro lugar, com os pais e, depois, com a criança para constatar que não existe qualquer problema ou detectar se existe alguma complicação a necessitar de outros procedimentos. O melhor a fazer é efectuar consultas regulares e respeitar a frequência aconselhada pelo médico em cada caso, já que só assim se pode garantir a utilidade e eficácia da vigilância médica.

Consultas a médicos de outras áreas

Topo Embora o acompanhamento médico do bebé deva ser sempre realizado pelo seu pediatra, pois é este que vigia minuciosamente a sua evolução e conhece com perfeição todos os pormenores da sua história clínica, ao longo da infância costuma-se recorrer à colaboração de médicos de outras áreas, independentemente de ser de forma rotineira, como por exemplo no caso do dentista ou, ocasionalmente, por exemplo, para efectuar procedimentos diagnósticos que não sejam da área do médico pediatra, caso se detecte o aparecimento de sinais e sintomas de alterações concretas ou para proceder a tratamentos específicos. Deve-se referir que os pais desempenham um papel muito importante nesta colaboração entre os vários médicos que assistem o bebé, já que como constituem o elo de ligação devem estar perfeitamente informados sobre os motivos das consultas e sobre os resultados e conclusões, de modo a garantir a coordenação de todos os procedimentos realizados.

Para além do pediatra, o médico que os pais mais costumam consultar é o dentista, que a criança deve visitar pela primeira vez antes dos 3 anos. O dentista deve supervisionar o desenvolvimento da dentição, ensinar e controlar a eficácia da higiene dentária, efectuar procedimentos, caso sejam necessários, para prevenir o desenvolvimento de doenças tão comuns como a cárie, corrigir defeitos no alinhamento dos dentes, tratar de qualquer problema odontológico o mais rápido possível, etc. As visitas ao dentista devem ser realizadas ao longo de toda a infância, as vezes que o dentista recomendar consoante cada caso específico, tal como acontece na idade adulta.

É igualmente comum que o pediatra solicite a colaboração do otorrinolaringologista, um médico especializado no estudo e na correcção de problemas do ouvido, nariz e garganta, devido ao facto de problemas como as otites (inflamação de ouvido) e as vegetações adenóides, que por vezes necessitam de tratamentos especiais, serem muito comuns ao longo da infância, sendo igualmente necessário para diagnosticar a origem dos défices auditivos.

O oftalmologista, um médico especializado em problemas visuais,também costuma participar na vigilância médica durante a infância, devido ao facto de problemas como o estrabismo, a hipermetropia e a miopia serem tão comuns que a maioria dos bebés necessita da sua intervenção.

Um outro médico especialista a que inúmeros bebés costumam recorrer é o ortopedista, cuja colaboração é necessária para o diagnóstico e tratamento de problemas do aparelho locomotor tão comuns como a luxação congénita da anca, o pé chato e os desvios da coluna vertebral.

Informações adicionais

O médico responde

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Para a semana, vamos levar a nossa filha à primeira consulta com o pediatra e a minha mãe aconselhou-me a fazer uma lista com todas as dúvidas que temos. No entanto, parece-me uma medida um pouco exagerada...

É um excelente conselho, porque os pais costumam estar tão ansiosos na primeira consulta ao pediatra que, muitas vezes, esquecem-se de perguntar coisas que, nos dias anteriores, lhes pareceram fundamentais. Deve-se ter em conta que, como a colaboração dos pais do seu pequeno paciente é extremamente importante para o médico, já que eles são os seus interlocutores e quem se encarrega dos cuidados quotidianos do bebé, nunca se sente incomodado quando estes lhe fazem perguntas ou lhe pedem conselhos, muito pelo contrário, pois prefere que participem activamente na consulta.

Em suma, deve-se apontar todas as dúvidas que vão surgindo no dia a dia, mesmo que pareçam pouco relevantes, pois desta forma podem recordar-se de todas e transmiti-las de maneira ordenada e tranquila. Para além disso, os pais devem igualmente tomar nota por escrito das indicações que o pediatra vai dando ao longo da consulta, pois por vezes os conselhos e instruções são tantos que, mesmo que na consulta pareçam claros, em casa podem tornar-se confusos.

Calendário das consultas ao pediatra

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Como a frequência das consultas de vigilância varia consoante os casos em função das particularidades e necessidades de cada bebé, não existe um calendário rígido aplicável em todos os casos. Todavia, caso não exista nenhuma circunstância especial e não se contabilize as consultas eventualmente efectuadas devido a algum problema específico, costuma-se recorrer a um calendário "estandardizado", com consultas, de início, mais frequentes, que vão sendo gradualmente cada vez mais intervaladas, de modo a garantir um correcto acompanhamento da evolução do bebé.

Embora cada pediatra ou centro de saúde tenha o seu próprio critério sobre o assunto, normalmente, efectua-se uma revisão mensal até ao sétimo mês de vida, um período em que o organismo do bebé passa por alterações de adaptação que devem ser acompanhadas de perto, já que qualquer complicação pode ter graves consequências. Caso não se tenha evidenciado qualquer problema ao longo desta fase, costuma-se recomendar a realização de uma consulta aos 9 meses e uma visita trimestral a partir dos 18 meses. Mais tarde, considera-se que apenas é suficiente uma revisão semestral até que o bebé cumpra 3 anos e, a partir de então, uma consulta anual durante toda a infância.

O nosso amigo médico

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Quando formos ao médico, devemos ter em conta que é alguém que se preocupa com a nossa saúde e bem-estar, sendo um amigo que quer o melhor para nós. Por isso, devemos colaborar com ele para que possa saber o que nós temos e como estamos ao responder-mos a todas as suas perguntas sem vergonha e ao deixarmos que nos examine sem receio, pois terá muito cuidado em não nos fazer qualquer mal. Como é óbvio, teremos de escutar com atenção o que nos diz e respeitar os seus conselhos, os conselhos de um amigo.

Para saber mais consulte o seu Pediatra
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