Introdução de novos alimentos

Embora o bebé se alimente, ao longo dos primeiros três ou quatro meses, à base de leite, em seguida necessita de uma alimentação complementar, já que os novos sabores preparam-no para uma futura alimentação completa, equilibrada e variada.

Alimentação complementar

Topo A partir de um determinado momento, os lactentes necessitam de uma alimentação que, em primeiro lugar, complete e depois substitua o leite materno e o adaptado. A necessidade de se introduzir este tipo de alimentação obedece a duas razões básicas: por um lado, a partir dos 6 meses de idade o leite deixa de garantir todas as necessidades nutritivas; por outro lado, a paulatina incorporação de alimentos com aspectos, odores, sabores e texturas diferentes dá início à aprendizagem de uma alimentação saudável, ou seja, completa, equilibrada e variada, por parte dos bebés.

Embora não exista uma recomendação clara em relação ao momento ideal para se introduzir a alimentação complementar, a Organização Mundial da Saúde e a maioria dos pediatras recomendam que apenas se deve fazê-lo após os 3 ou 4 meses de idade, devido ao facto de o aparelho digestivo do bebé ainda não estar suficientemente amadurecido para isso, e antes dos 6 meses, altura em que a dieta exclusiva à base de leite começa a tornar-se incompleta.

Os novos alimentos devem ser introduzidos um a um e gradualmente, já que desta forma o bebé tem o tempo necessário para se acostumar ao seu gosto e fica melhor preparado para beneficiar de uma dieta saudável no futuro. Para além disso, caso surja algum contratempo, por exemplo uma reacção alérgica ou de intolerância, pode-se detectar facilmente o alimento responsável.

Até aos seis meses

Topo A primeira coisa a incorporar na dieta do lactente são as frutas, já que são facilmente digeridas e ricas em vitamina C. A partir dos 3 meses de idade, os bebés podem começar a tomar algumas colheres diárias de sumo de laranja ou outros citrinos, convenientemente dissolvidos em água. Aos 4 ou 5 meses, pode-se consumir as frutas em forma de puré ou trituradas, em substituição de uma das doses de leite diárias. Como é óbvio, deve-se descascá-las, retirar-lhes caroços e sementes, verificar que não ficam pe- daços inteiros e servi-las imediatamente, pois caso contrário as vitaminas perdem a sua vitalidade devido à acção da luz e do ar. Por outro lado, deve-se igualmente evitar o consumo de melões, pêssegos e morangos, pois são as frutas que provocam, com maior frequência, reacções alérgicas.

A partir desta idade, os bebés devem igualmente começar a comer certas verduras, também preparadas sob a forma de puré. Como é óbvio, não devem ser servidas cruas, devendo ser previamente fervidas, embora se deva ter em conta que as verduras conservam melhor as suas propriedades nutritivas caso sejam cozinhadas numa panela de pressão com pouca água. De qualquer forma, antes dos 6 meses de idade, o bebé apenas deve tomar uma pequena dose diária de verduras, sobretudo puré de batata e cenoura. Por outro lado, deve-se retardar o consumo de verduras com mais fibra vegetal, como os brócolos, acelgas e espinafres, já que a sua digestão é mais difícil.

É igualmente por volta dos 6 meses que, sobretudo se o bebé não receber com o leite todas as calorias de que necessita, se deve incorporar alguns cereais sob a forma de papa, pois são alimentos que fornecem muitas calorias. De qualquer forma, não se deve abusar dos cereais, já que a sua ingestão excessiva pode provocar uma futura obesidade. De qualquer forma, caso seja necessário, deve-se recorrer, sobretudo, às papas de milho ou arroz e nunca às de trigo, já que este cereal possui glúten, proteína muito difícil de digerir, que pode provocar diarreias graves em alguns lactentes, sobretudo se evidenciarem uma intolerância específica à mesma.

Terceiro trimestre

Topo Embora os horários e os gostos variem bastante, a maioria dos bebés toma, até aos 6 meses de idade, cerca de três doses diárias de leite e outras tantas de papas de cereais ou de puré de frutas ou verduras. É precisamente por volta dos 6 meses que se deve começar a introduzir, na dieta do bebé, a carne, o peixe e os ovos, alimentos que por serem ricos em proteínas podem ir substituindo o leite. Dado que o sabor e a consistência um pouco sólida destes alimentos são muito diferentes do leite, o bebé vai gostar de explorá-los, cheirá-los e até tentar levá-los à boca. Como este comportamento comprova o prazer e a boa disposição que sente ao incorporá-los na sua dieta, não se deve reprimir o bebé.

Como é óbvio, todos estes novos alimentos devem ser cozinhados e triturados antes de serem servidos, já que os bebés com esta idade ainda não conseguem mastigar. Deve-se igualmente seleccionar as carnes e as suas partes menos gordas, como o peito do frango e o peixe branco. Por outro lado, estes novos alimentos podem, igualmente, ser cozinhados com batatas, cenouras ou outras verduras, como um cozido, já que o bebé também vai gostar de um biberão em caldo de vez em quando. Em relação aos ovos, para além de se verificar se estão frescos, devem ser fervidos, excluindo a clara, já que por vezes provoca reacções alérgicas, e não exagerar no consumo, pois uma gema por semana é suficiente.

Quarto trimestre

Topo Entre os 9 e os 12 meses de idade ocorre um facto novo muito significativo, já que o bebé começa a utilizar os dentes para comer, iniciando-se o treino para a deglutição. Esta nova capacidade permite ao bebé abandonar a dieta exclusivamente à base de líquidos e alimentos semi-sólidos, na medida em que agora poderá engolir pedaços de comida cada vez maiores.

A partir deste momento, o bebé pode começar a consumir alimentos preparados e servidos de maneira diferente, atractivos pelo seu aspecto, cor e forma de apresentação: uma cenoura crua, um bocado de queijo, um peixe grelhado, um bife...

Por volta dos 9 ou 10 meses de idade, o bebé já costuma estar preparado para ingerir praticamente todo o tipo de alimento: cereais e derivados - incluídos os de trigo -, como pão e massas; lácteos, como o iogurte e o queijo; carne, peixe e ovos; frutas e verduras. De qualquer forma, deve-se rejeitar os alimentos mais gordos, como a carne de porco, e evitar os molhos pesados e muito condimentados. Por outro lado, deve-se limitar a utilização de sal e açúcar, já que, para além de não serem nutrientes indispensáveis para que o bebé receba uma alimentação variada, ocultam o sabor dos diferentes produtos. Apenas se deve começar a consumir leite de vaca após o bebé completar o seu primeiro ano de vida...

Informações adicionais

Os boiões de alimentos preparados

Topo

Actualmente, é possível encontrar uma gama muito variada e completa de alimentos preparados para lactentes, que normalmente se evidenciam sob a forma de puré ou triturados e embalados em boiões herméticos. Dado que estes produtos são, como é óbvio, submetidos aos devidos controlos sanitários, oferecem todas as garantias ao nível da sua composição e higiene.

O aparecimento destes produtos representa uma grande vantagem, sobretudo quando a mãe e o resto da família não têm o tempo necessário para se dedicarem com a calma e o rigor que a alimentação de um bebé necessita. Todavia, antes de se começar a utilizá-los, convém aconselhar-se com o pediatra e ter em conta algumas considerações e precauções.

Em primeiro lugar, deve-se seleccionar os produtos adequados consoante a idade e as características do lactente. Por exemplo, os bebés com menos de 6 meses não devem ingerir alimentos contendo glúten. Por outro lado, deve-se verificar sempre o seu prazo de validade, servi-los imediatamente após a abertura do boião e deitar fora o que sobrar. Por último, deve-se ter em conta que estes alimentos preparados não costumam ser constituídos com substâncias conservantes e não se lhes deve adicionar sal ou açúcar, pois são elementos que deveriam ser o máximo possível limitados na dieta dos bebés. Em suma, convém não basear a alimentação complementar do bebé exclusivamente neste tipo de produtos.

Para saber mais consulte o seu Pediatra
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