Amamentação artificial

Após a ablactação, ou desde o nascimento quando por algum motivo a mãe não possa ou não deseje dar de mamar ao bebé, deve-se recorrer à amamentação artificial baseada em leites adaptados administrados através de um biberão.

Generalidades

Topo A amamentação artificial consiste na alimentação do bebé durante a primeira época de vida com produtos lácteos diferentes do leite materno, normalmente elaborados a partir de leite de vaca e adaptados de modo a satisfazer as necessidades do bebé.

Este tipo de amamentação necessita da utilização de biberão, um recipiente constituído por uma tetina, com forma e consistência semelhantes ao peito da mãe, através do qual o bebé chupa o leite.

De referir que a composição dos leites elaborados pelos diferentes mamíferos varia consoante a espécie e que a única ideal para os bebés durante os primeiros meses de vida é o leite humano, produzido nos seios das mulheres. Caso sejam alimentados por leites naturais de outras espécies, os bebés acabam por ser afectados por vários tipos de problemas ou deficiências, o que justifica o facto de se ter de alterar a composição dos mesmos para os adequar às necessidades do bebé. A introdução de composições artificiais constituiu um avanço significativo na alimentação dos lactentes, pois permite que as mães que não possam dar de mamar aos seus filhos não sejam obrigadas a recorrer às outrora famosas amas de leite nem à administração de leites naturais de vaca e outros mamíferos, alimentos que não satisfazem de forma equilibrada as necessidades nutritivas dos bebés.

Todavia, com o passar do tempo, observou-se que a amamentação artificial difundiu-se muito mais do que a maioria dos pediatras acreditaria, já que muitas mulheres preferem não amamentar os seus filhos por questões de índole estética, como por exemplo o receio de perder a forma dos seus seios, ou culturais, como a influência de uma publicidade que exalte as propriedades dos produtos lácteos adaptados. Por último, deve-se ter em conta que a amamentação natural, sempre que seja possível, é a melhor forma de alimentar os bebés até aos 3 ou 4 meses de idade.

Indicações

Topo A amamentação artificial é, sobretudo, indicada em duas situações. Por um lado, deve-se recorrer a este método quando a mulher se encontra afectada por algum problema que a impeça ou em que não seja aconselhável a amamentação natural. Os motivos mais frequentes desta contra-indicação são o padecimento, por parte da mãe, de doenças que se poderiam agravar com a amamentação ou de infecções que poderiam ser transmitidas ao filho, tratamentos com medicamentos, eliminados através do leite, prejudiciais para o bebé, hipogalactia e alguns processos infecciosos e complicações nos próprios seios. De acordo com dados estatísticos, afectam em conjunto, no máximo 5% das mulheres que acabam de dar à luz.

Por outro lado, a amamentação artificial constitui o complemento ideal ao leite do peito da mãe a partir do momento em que se inicia a ablactação, normalmente entre os quatro e os seis meses de idade, sendo o seu substituto ideal até que o bebé complete 1 ano de idade e já possa começar a tomar leite de vaca ou de outros mamíferos no seu estado natural.

Tipos de leite adaptado

Topo Os leites elaborados destinados ao consumo por parte dos bebés até ao primeiro ano de idade costumam ser denominados "leites adaptados", embora em alguns casos se fale de leites "humanizados" ou "artificiais". A maioria destes produtos é elaborada através de processos industriais a partir do leite de vaca, ao qual se acrescenta e extrai proporções variáveis de várias substâncias para que a sua composição se assemelhe à do leite humano. Todavia, continuam a existir algumas diferenças entre os leites adaptados e o leite humano, como por exemplo o facto de os primeiros não serem constituídos pelos anticorpos fabricados pelo organismo da mãe. Para além disso, a maioria destes produtos evidenciam-se sob a forma de pós, pois é neste estado e adequadamente embalados que são conservados da melhor forma, embora necessitem de ser previamente diluídos antes de serem administrados.

Embora exista uma grande diversidade de marcas e tipos, é possível distinguir dois tipos de leite adaptado:

o leite adaptado de iniciação ou de primeira idade, um produto que como é muito parecido ao leite materno, adapta-se bastante à fisiologia digestiva e às necessidades nutritivas dos lactentes até aos 3 ou 4 meses de idade;

o leite adaptado de continuação ou de segunda idade, rico em ácidos gordos e ferro, ideal para a dieta dos lactentes a partir dos 4 ou 5 meses e até ao primeiro ano de idade.

Preparação do biberão

Topo Dado que a preparação do biberão é uma tarefa laboriosa que não deve ser efectuada à pressa, devido ao facto de um descuido poder ter repercussões negativas na correcta alimentação do bebé ou provocar uma contaminação que propicie uma infecção no seu delicado organismo, deve-se seguir as instruções do fabricante do leite adaptado e as do pediatra, de modo a estabelecer-se uma rotina prática que deve ser sempre respeitada. A preparação do biberão baseia-se, essencialmente, na dissolução do leite em pó adaptado, que deve ser sempre conservado na sua embalagem original até ao momento da sua utilização, em água mineral ou natural - sem ser da torneira -, previamente fervida para se garantir a sua esterilidade. Para além disso, deve-se respeitar sempre rigorosamente a proporção de água e pó indicada pelo fabricante ou pediatra, de modo a obter-se uma solução ideal para as necessidades do bebé, pois caso contrário pode-se obter um leite muito diluído ou demasiado concentrado.

Em primeiro lugar, deve-se deitar a água previamente fervida para o interior do biberão até que se alcance a medida correspondente à quantidade total de leite que se pretende preparar (deve-se referir que, caso se introduza primeiro o leite em pó, a solução fica demasiado concentrada). Deve-se igualmente comprovar se se alcançou a medida ideal, colocando o biberão ao nível dos olhos (1).

Em seguida, deve-se proceder à mistura, embora o ideal seja fazê-lo quando a água estiver morna, a cerca de 35°C a 40°C, já que caso a temperatura seja superior a 50°C ou inferior a 30°C podem formar-se coágulos que podem obstruir o buraco da tetina. Depois de a água do interior do biberão ficar morna, deve-se abrir a embalagem de leite em pó e encher a colher medidora presente na embalagem até à superfície (2). Para que a quantidade seja o mais precisa possível, deve-se passar a parte de trás de uma faca seca, também esterilizada, por cima da colher cheia, sem comprimir o pó (3).

O número de colheres de pó a adicionar à água do biberão deve, obviamente, corresponder à dose de leite adaptado preparado (4). Dado que o conteúdo de uma colher costuma ser dissolvido em 30 ml de água, caso se deseje preparar uma dose de leite de 150 ml, deve-se acrescentar a esta quantidade de água previamente depositada no biberão cinco colheres de pó. Deve-se referir que, nos casos em que o pediatra recomenda que o leite esteja mais ou menos diluído, deve-se respeitar as suas indicações sobre o assunto.

Os passos seguintes consistem em tapar o biberão com o disco protector, enroscar o anel (5) e agitar até se comprovar que a solução ficou homogénea e não formou coágulos (6). Por último, deve-se desenroscar o anel, retirar o disco protector e colocar a tetina - o biberão já está pronto para ser dado ao bebé.

Técnica

Topo Como dar biberão a um bebé é uma acção que substitui o dar de mamar, para além de ser uma forma de o alimentar, também constitui uma forma de lhe dar afecto e de comunicar com ele. Todavia, isso não implica que o pai não o possa fazer, muito pelo contrário, pois o bebé também necessita da confiança e do amor paternal.

Antes de se dar o biberão ao bebé, deve-se comprovar se o leite se encontra à temperatura adequada, ou seja, morna, e se flui facilmente através do buraco da tetina (1). Para se verificar esta situação, deve-se deitar um pouco de leite sobre o antebraço (2), de modo a constatar se as gotas não são muito pequenas; nesse caso, deve-se aumentar o buraco da tetina e, se o fluxo não é muito abundante, deve-se mudar de tetina. semelhança do que ocorria quando se dava de mamar, tanto quem fornece o biberão como o bebé têm de adoptar uma posição cómoda e adequada. O ideal é o adulto sentar-se numa cadeira, manter as costas direitas e apoiar o bebé no seu colo, segurando-o de maneira a que a cabeça do bebé fique mais alta do que o tronco (3). Para lhe despertar o reflexo de sucção, basta roçar-lhe a tetina por uma bochecha, mas sem permitir que o bebé lhe toque com as mãos para que não altere o fluxo do líquido (4).

Enquanto o bebé suga, o biberão deve estar suficientemente inclinado para que a tetina esteja cheia e para que o bebé não engula ar (5). Caso se utilize uma tetina que não tenha uma válvula para regular a entrada do ar, deve-se interromper regularmente a amamentação, para permitir a entrada de ar para o biberão e para que não se gere vácuo que impeça a sucção.

Como o bebé fica satisfeito ao fim de dez a quinze minutos, esta constitui a altura ideal para se parar a amamentação e ajudá-lo a arrotar, por exemplo ao segurá-lo contra o ombro e dando-lhe ligeiras palmadas nas costas.

Informações adicionais

O equipamento básico

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Os pais que pretendem alimentar o bebé com composições lácteas devem ter um equipamento básico que inclua, para além do biberão, uma série de acessórios muito práticos.

Para além de ser o recipiente no qual se deve diluir o leite em pó, o biberão, um dos elementos indispensáveis do equipamento, é igualmente o meio de administração do leite ao bebé. Existem biberões de vários modelos, a maioria dos quais de plástico ou vidro, e de diferentes capacidades, cuja selecção depende das doses necessárias pelos lactentes (costumam evidenciar marcas transversais que indicam o volume do conteúdo). A maioria destes biberões é constituída por alguns complementos de segurança, como um disco protector para fechar o recipiente, um anel de rosca e uma tampa para garantir a sua fixação e evitar a contaminação da tetina. Para além disso, existem biberões com sensores que revelam a temperatura do líquido presente no seu interior e também biberões isotérmicos que mantêm durante algumas horas o leite à temperatura adequada, de modo a ser administrado ao bebé.

Um outro elemento indispensável do equipamento é a tetina, uma espécie de cobertura adicionada ao biberão com a forma de um mamilo, normalmente de borracha ou silicone. Embora existam vários modelos de tetinas, de forma e tamanhos diferentes, todas são invariavelmente constituídas por um buraco através do qual o leite sai e também por uma válvula que impede a formação de vácuo no interior do biberão quando o bebé chupa o leite.

O equipamento básico deve igualmente incluir outros complementos práticos, tais como uma vasilha medidora utilizada na preparação de vários biberões de uma só vez e um aquecedor de biberões eléctrico, de casa ou portátil, muito útil para aquecer rapidamente os biberões previamente preparados e conservados no frigorífico. Deve-se igualmente ter determinados artigos necessários para a higiene dos biberões, como escovas especiais para eliminar os restos de leite acumulados na tetina e no biberão antes de se proceder à sua esterilização e pinças para introduzir e retirar os biberões submergidos em água a ferver, caso se escolha este método de esterilização.

Limpeza, esterilização e conservação do equipamento

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Os acessórios utilizados na amamentação artificial devem ser mantidos em boas condições e ser convenientemente esterilizados, de modo a evitar-se qualquer contaminação. Em primeiro lugar, o biberão e a retina devem ser lavados e passados por abundante água depois de cada amamentação, sendo conveniente esfregá-los com uma escova destinada a esse fim, de modo a eliminar todos os restos. Em seguida, deve-se proceder à esterilização dos acessórios, para a qual uma das opções mais simples consiste na imersão dos mesmos em água a ferver durante, no mínimo, vinte minutos. Existem outros métodos também eficazes, como por exemplo a esterilização a frio através da imersão dos acessórios num recipiente com líquidos anti-sépticos especiais ou a utilização de um esterilizador de microondas. Uma forma de facilitar a tarefa consiste em esterilizar, uma vez por dia, todos os biberões, tetinas e restantes utensílios a utilizar no dia seguinte. Uma vez esterilizados, os biberões devem ser mantidos fechados, com a respectiva retina colocada ao contrário e a tampa protectora, até que sejam novamente utilizados.

O médico responde

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É preciso preparar o biberão cada vez que a minha filha tiver fome?

Felizmente, existem outras soluções mais práticas. Em primeiro lugar, existem muitos leites adaptados líquidos e esterilizados que, caso sejam aquecidos a 35°C ou 40°C, podem ser directamente vertidos no biberão. Uma outra opção muito aconselhável consiste em manter água fervida num aquecedor especial, à temperatura ideal para se preparar o biberão e acrescentar, cada vez que for necessário, a dose de leite em pó adequada. Para além disso, é igualmente possível preparar o conteúdo de várias doses numa garrafa, deitar o leite em vários biberões e conservá-los no frigorifico durante no máximo 24 horas: depois, apenas se tem de aquecer o biberão em banho-maria ou com a ajuda de um aquecedor de biberões. Em qualquer dos casos, deve-se seguir as normas de higiene adequadas e assegurar que a quantidade de leite fornecida à sua filha é a adequada.

As doses diárias

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Dado que os bebés alimentados com leite adaptado necessitam de doses diárias semelhantes às que ingeriam quando mamavam, a única diferença relevante é o facto de o leite adaptado ser digerido mais lentamente, o que torna as amamentações mais intervaladas. O único inconveniente em dar o biberão é o facto de se poder observar com precisão a quantidade de alimento que o bebé ingeriu, o que por vezes origina preocupações desnecessárias, embora não deva existir qualquer obsessão em relação à frequência e às doses das amamentações, pois os bebés costumam pedir o biberão quando têm fome, rejeitando-o quando já estiverem satisfeitos. O único método para constatar se o bebé se está a alimentar correctamente é através da sua pesagem regular. Caso o peso seja o correcto, não existem motivos para preocupações.

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