Vigilância médica do bebé

Deve-se aproveitar o tempo que o bebé permanece na maternidade, até que seja dada alta à mãe, para se realizar uma série de exames que permitam determinar com precisão o seu estado de saúde.

Exame físico geral

Topo Imediatamente após o parto, deve-se efectuar, na própria sala de partos, um exame físico ao bebé para se eliminar a existência de algum problema grave que necessite de uma intervenção urgente, devendo-se repetir posteriormente o exame com maior rigor, normalmente ao longo das primeiras 24 horas. Durante esta revisão, de preferência realizada em condições de iluminação e temperatura óptimas para o exame, deve-se proceder a uma inspecção geral do bebé, realizar uma série de medições e vários exames específicos.

Em primeiro lugar, deve-se observar o aspecto do bebé, a sua atitude e a postura espontânea que adopta, verificando-se as características da pele (cor, tumefacção, entre outras) e palpando praticamente todo o corpo. Deve-se ter especial atenção com a palpação do crânio, visto que a ossificação ainda não está completa e os ossos ainda não estão unidos entre si, e especialmente com as fontanelas, que correspondem às zonas onde estes ossos estão separados, sendo moles à palpação. Caso as fontanelas estejam tensas, evidenciando uma resistência exagerada, pode indicar a existência de um excesso de pressão no interior do crânio, como acontece em caso de hidrocefalia, enquanto que uma depressão das fontanelas pode sugerir que o bebé apresenta um quadro de desidratação

Em seguida, deve-se examinar rigorosamente o tórax, onde estão presentes órgãos vitais extremamente importantes como o coração e os pulmões. O exame e a palpação, através dos quais se pode constatar a simetria dos deslocamentos das várias partes do tórax nos movimentos respiratórios, devem ser complementados com uma auscultação do coração e dos pulmões, de modo a verificar-se se a frequência cardíaca e a respiratória se encontram dentro dos valores normais.

O exame prossegue com a inspecção do abdómen, através da sua palpação, com vista a comprovar que não existem sinais e sintomas sugestivos de uma anomalia dos órgãos nele presentes, como os do aparelho digestivo e do aparelho urinário. Deve-se igualmente examinar detalhadamente os genitais externos, de forma a constatar se possuem características normais ou descobrir algum problema.

Exame neurológico

Topo Um dos principais momentos da avaliação do recém-nascido corresponde ao exame do sistema nervoso, ainda imaturo, devido ao facto de ainda faltar bastante tempo até que o processo de amadurecimento neuro- lógico comece, altura em que o bebé começa a controlar os seus movimentos e a desenvolver as suas capacidades mentais. Todavia, a primeira avaliação é extremamente útil tanto para se poder eliminar ou detectar possíveis alterações, como para se determinar o grau de amadurecimento do sistema nervoso, um dos principais indicadores do estado de saúde do bebé.

Ao longo deste exame, deve-se avaliar o grau de vigilância, o tónus muscular tanto passivo como activo e, sobretudo, uma série de reflexos desenvolvidos automaticamente em resposta a determinados estímulos, que vão progressivamente desaparecendo com o passar do tempo. A presença destes reflexos, denominados primários ou arcaicos, devido ao facto de existirem desde os estados mais precoces do desenvolvimento do cérebro e de se evidenciarem a partir do parto tanto no ser humano como nas várias espécies animais, traduz o bom estado neurológico do bebé. Entre os mais característicos, destacam-se os seguintes:

Reflexo perioral e de sucção. Este reflexo, fundamental para a amamentação, é desencadeado ao tocar-se a bochecha do bebé, perto da comissura dos lábios, com a ponta de um dedo. O bebé responde rodando a cabeça em direcção ao estímulo, de forma a que o dedo possa entrar na boca, e movimentando os lábios numa tentativa de efectuar uma sucção, como se procurasse o peito da mãe para mamar.

Reflexo de preensão. Caso lhe toquem na palma da mão, o recém-nascido reage fechando-a com tanta força que, caso se comprove o reflexo em ambas as mãos ao mesmo tempo, é possível mantê-lo suspenso no ar sem que bebé começa a efectuar movimentos voluntários com as suas mãos.

Reflexo de Moro. Caso se segure a cabeça e os ombros do bebé e se retire subitamente o apoio, deixando-o cair para trás, o bebé responde com um movimento de extensão dos braços, acompanhado por um gesto de aproximação semelhante a um abraço, ao mesmo tempo que estende as pernas. Em condições normais, este reflexo persiste durante os três ou quatro primeiros meses de vida.

Reflexo da locomoção. Segurando o bebé pelas axilas e colocando-o de pé sobre uma superfície, este move alternadamente as pernas para a frente, como se pretendesse caminhar, podendo até dar alguns passos. Embora este reflexo desapareça após os dois primeiros meses de vida, a sua existência inata vai-se revelar mais à frente, quando aprender a

Exame à anca

Topo Outro dos testes de rotina realizados ao longo dos primeiros dias de vida é o exame à anca do bebé, elaborado com o intuito de se detectar se o bebé se encontra afectado por uma luxação congénita da anca, uma malformação bastante frequente que, caso seja descoberta de forma precoce, pode ser solucionada com um simples tratamento ortopédico. Esta malformação caracteriza-se por um encaixe incorrecto entre a cabeça do fémur e a cavidade cotiloidea do osso ilíaco destinada a sustentá-la. Embora existam casos em que o parto provoca a deslocação da cabeça do fémur, ficando totalmente separada da cavidade onde deveria estar presente, normalmente provo- ca a existência de uma subluxação, devido ao alisamento da cavidade e a um insuficiente desenvolvimento da sua extremidade, o que faz com que o deslocamento da cabeça do fémur apenas se efectue quando o bebé começa a caminhar. Em suma, o defeito deve ser detectado o mais cedo possível para que se possa solucionar o problema através de gesso especial que mantenha as pernas do bebé abertas, de modo a que os elementos articulares se adaptem à sua posição correcta e a articulação se estabilize antes que o bebé comece a andar.

O médico pode detectar uma eventual luxação congénita da anca, ou uma subluxação, através da realização de manobras específicas, ao longo das quais deve efectuar movimentos que lhe permitam verificar uma típica saliência, caso a cabeça do fémur, deslocada da sua localização normal, entre bruscamente na cavidade articular. Após constatar a existência do problema, o médico pode optar, consoante as características de cada caso, por indicar a sua devida vigilância, de modo a controlar a evolução enquanto espera por uma correcção espontânea ou sugerir uma imediata correcção através do oportuno tratamento ortopédico.

Detecção precoce de doenças congénitas

Topo A permanência do bebé na maternidade, enquanto a mãe ainda está internada, costuma igualmente ser aproveitada para a realização de exames especiais destinados a detectar o eventual padecimento de determinadas doenças congénitas, as quais normalmente não se manifestam nos primeiros meses de vida, mas que, caso existam e não se proceda às oportunas medidas terapêuticas, são capazes de provocar sequelas muito graves que depois de se manifestarem são irreversíveis. À semelhança do que ocorre de maneira rotineira e sistemática em vários países, deve-se realizar, sobretudo, exames que possibilitem a detecção de duas doenças de natureza endócrina ou metabólica, as quais, sem a oportuna intervenção terapêutica, costumam proporcionar vários problemas de natureza neurológica que originam um atraso mental: o hipotiroidismo congénito e a fenilcetonúria.

O hipotiroidismo congénito, correspondente a uma insuficiência no funcionamento da tiróide já presente no nascimento, costuma ser provocado por um defeito no desenvolvimento embrionário da dita glândula ou por uma alteração genética hereditária originada pela ausência de alguma das enzimas necessárias para a elaboração das suas hormonas, embora seja, na maioria dos casos, provocada por um consumo insuficiente de iodo pela mãe ao longo da gravidez (como acontece nas zonas geográficas onde o mineral é escasso). Dado que as hormonas tiróideas são indispensáveis para o crescimento físico, amadurecimento do sistema nervoso e desenvolvimento intelectual, o seu défice tem consequências muitos graves: caso não seja solucionado, provoca um quadro conhecido como cretinismo, caracterizado por várias alterações físicas e atraso mental. Pode-se prevenir este problema através da sua detecção precoce e do oportuno tratamento de substituição hormonal.

A fenilcetonúria é uma doença metabólica hereditária caracterizada por uma subida dos níveis sanguíneos do aminoácido fenilalanina, cuja acumulação no organismo altera o desenvolvimento do sistema nervoso - caso não seja solucionada, costuma originar um quadro de atraso mental. Se o problema for prematuramente detectado e se iniciar uma dieta especial com baixo conteúdo em fenilalanina, pode-se evitar as graves repercussões do problema sobre o sistema nervoso.

Ambas as patologias citadas podem ser facilmente detectadas no recém-nascido através de análises ao sangue, realizadas a partir de uma amostra obtida através de uma punção no calcanhar do bebé e a recolha de algumas gotas de sangue num papel que deve ser enviado para o laboratório de análise. Dado que a obtenção dos resultados leva alguns dias, apenas costumam estar prontos depois de a mãe e de o bebé terem abandonado a maternidade. Caso sejam positivos ou duvidosos, o corpo médico deve informar de imediato a família para se aprofundar o diagnóstico e, caso seja confirmado, orientá-la sobre o início imediato do tratamento adequado.

Informações adicionais

O médico responde

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O meu filho nasceu há três dias, ao longo dos quais os médicos têm feito vários exames. Embora me digam que está em óptimo estado, o facto de o examinarem constantemente deixa-me um pouco inquieto...

Se os médicos referem que o bebé está bem, não existem motivos para preocupações, pois caso tivessem detectado alguma anomalia, já lho teriam dito. No findo, deve ter em conta que, como os primeiros dias de vida constituem um período crítico ao longo do qual o organismo do bebé, submetido a um grande esforço de adaptação ao novo meio, passa por várias alterações profundas, que proporcionam a manifestação de problemas já existentes (congénitos) ou o aparecimento de problemas que necessitam de uma intervenção imediata, deve-se realizar uma vigilância rigorosa do estado do bebé através da realização de repetidos exames e de vários testes de diagnóstico, sobretudo com fins preventivos - caso exista ou se evidencie alguma anomalia, o melhor é detectá-la o mais cedo possível.

As primeiras evacuações

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Entre outros exames realizados após o nascimento, destacam-se os da primeira micção e primeira defecação, através dos quais se pode constatar o normal funcionamento dos aparelhos urinário e digestivo.

A primeira emissão de urina costuma ocorrer pouco depois do parto, por vezes ao longo do mesmo, embora por vezes apenas aconteça ao fim de algumas horas. Caso não se evidencie ao longo das primeiras 24 horas, deve-se considerar que existe a possibilidade de o bebé se encontrar afectado por algum problema do aparelho urinário, que deve ser investigado através da realização dos testes adequados para se obter o diagnóstico preciso.

A primeira defecação também costuma manifestar-se ao longo das primeiras 24 horas, no máximo nos dois primeiros dias de vida, correspondendo à evacuação do mecónio, uma substância de consistência pastosa e cor verde escura presente no intestino do bebé quando este nasce. Dado que a expulsão do mecónio é considerada muito importante, pois indica um funcionamento normal do aparelho digestivo, se a mesma não ocorrer durante os dois primeiros dias de vida, deve-se investigar o motivo do seu atraso.

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