Amamentação: a subida do leite

A produção do leite materno inicia-se pouco depois do parto e constitui um momento muito especial, pois permite que mãe e filho recuperem com maior intensidade o contacto íntimo estabelecido ao longo dos meses da gravidez.

Generalidades

Topo As glândulas mamárias vão-se desenvolvendo gradualmente ao longo da gravidez, de modo a que comecem a funcionar no final da gravidez, ao elaborarem e armazenarem no seu interior uma substância precursora do leite materno, o colostro, de elevado poder nutritivo. O colostro é um líquido amarelado constituído por mais proteínas e minerais do que o leite ma- terno definitivo, embora com menos açúcar e gordura. Para além disso, é igualmente composto por uma elevada proporção de anticorpos elaborados pela mãe destinados ao recém-nascido, que conseguem permanecer activos durante meses no organismo infantil, proporcionando-lhe protecção contra uma ampla gama de doenças infecciosas até que o seu sistema imunitário amadureça e lhes possa fazer frente.

De facto, o colostro é uma espécie de leite materno prematuro que alimenta o recém-nascido durante os seus primeiros dias de vida, entre dois e seis, até que se processe o fenómeno conhecido como "subida do leite", a partir do qual as glândulas mamárias já conseguem segregar o verdadeiro leite materno.

Produção e secreção de leite

Topo O processo de elaboração do leite materno inicia-se dois dias após o parto, sendo especificamente estimulado pela prolactina, uma hormona que a glândula hipófise começa a segregar imediatamente após o descolamento da placenta. Esta hormona, vertida pela hipófise para a circulação sanguínea, chega aos ácinos das glândulas mamárias, onde estimula a produção de leite materno.

Embora o recém-nascido receba o leite materno através das mamadas, a sucção dos seios é facilitada por um outro mecanismo específico efectuado pela hormona oxitocina, a mesma que intervém no trabalho de parto e que, neste caso, propicia a expulsão do líquido armazenado nos seios para o exterior. De facto, a oxitocina, elaborada pelo hipotálamo e libertada pela hipófise, chega com a circulação sanguínea aos seios, provocando a contracção das pequenas fibras musculares que rodeiam os ácinos e os canais glandulares, originando a expulsão do leite. Para além disso, a oxitocina tem outros efeitos complementares, já que desencadeia a prisão de ventre e as contracções uterinas que se evidenciam nos primeiros dias do puerpério.

A secreção de ambas as hormonas é estimulada pela sucção do peito materno, um acto que tanto provoca a produção como a expulsão de leite. Quando o bebé suga o peito da mãe, as terminações nervosas dos mamilos desencadeiam impulsos sensitivos que chegam até ao hipotálamo e provocam tanto a libertação de oxitocina como a secreção de prolactina pela hipófise. Ambas as hormonas actuam em conjunto sobre as glândulas mamárias, pois enquanto uma estimula a produção de leite, a outra proporciona a sua evacuação através do peito.

A subida do leite

Topo Ao longo dos dois a seis primeiros dias de vida em que suga o peito materno, o recém-nascido em vez de encontrar leite, engole colostro, o que lhe permite ingerir uma substância que o alimenta e protege contra as infecções, treinar

o reflexo de sucção e recuperar

o contacto físico íntimo com a mãe, interrompido temporariamente após o parto. Todavia, a sucção do colostro proporciona um outro objectivo igualmente importante, pois precipita a "subida do leite", ou seja, o momento em que

o reflexo consequente da sucção dos peitos activa a produção do leite. Em suma, desde que não existam contra-indicações específicas, aconselha-se que os recém-nascidos comecem a mamar imediatamente após o parto ou, no máximo, antes que passem doze horas, mesmo quando as secreções mamárias são escassas ou nulas.

Dado que, ao longo das primeiras horas, o leite elaborado não é expulso para o exterior, acumulando-se no interior das glândulas mamárias, a subida do leite provoca uma evidente tumefacção dos seios, um facto que costuma gerar problemas ou dor, por vezes acompanhada por uma subida transitória

da temperatura corporal, que nunca persiste mais de 24 horas. Pode-se aliviar estes problemas, através da utilização de um soutien bem justo, da aplicação de calor sobre os seios antes de amamentar, por exemplo através de um saco de água quente e, pelo contrário, mediante a aplicação de compressas frias entre as mamadas. Por outro lado, pode-se favorecer o esvaziamento das glândulas mamárias amamentando-se o bebé com maior frequência ou, caso seja necessário, espremendo-se manualmente as glândulas mamárias ou através de uma bomba de peito. Apenas em alguns casos raros, quando os problemas são muito intensos, é necessária a administração de medicamentos analgésicos ou anti-inflamatórios.

Informações adicionais

As primeiras mamadas

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A mãe deve começar a amamenar o bebé o mais cedo possível, de modo a não atrasar o contacto corporal entre mãe e filho e para favorecer a subida do leite. Caso não existam contra-indicações, deve-se iniciar a amamentação materna antes que passem doze horas após o parto. A mulher deve aprender e treinar as técnicas de amamentação na maternidade, aproveitando a ajuda e os conselhos do corpo médico, embora seja conveniente que o faça em condições de serenidade e tranquilidade, evitando a presença de visitas durante a amamentação. As sessões iniciais, anteriores à subida do leite, devem ser realizadas quando se leva o bebé ao quarto da mãe, durando cinco minutos para cada seio. Por outro lado, quando estiver em casa, convém que a mulher siga um ritmo de acordo com as necessidades do bebé e que as sessões sejam um pouco mais prolongadas, de oito a dez minutos por seio.

Cuidar dos seios

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O período da amamentação caracteriza-se pelo aparecimento de problemas nos seios que, para além de originarem algumas perturbações, impossibilitam a mulher de continuar a dar leite ao seu bebé. Os mais comuns são as fendas nos mamilos e a mastite puerperal, uma inflamação das glândulas mamárias proporcionada por complicações ao longo da amamentação. A mulher pode prevenir estes problemas, caso proceda a simples medidas de higiene desde as fases mais avançadas da gravidez.

Uma das principais medidas de prevenção corresponde à utilização de soutiens grandes, que não produzam atritos sobre os mamilos e que segurem os seios com firmeza. Uma outra é a aplicação de cremes protectores e hidratantes sobre os mamilos cerca de duas vezes por dia. Para além disso, a mulher deve lavar os seios e os mamilos, a partir do início das secreções, e principalmente ao longo da amamentação, com água previamente fervida e sabonete neutro, no mínimo duas vezes por dia e antes e depois de cada mamada, devendo remover as crostas que, muitas vezes, ficam sobre a pele. Os mamilos devem ser secos com uma gaze esterilizada, pois devem permanecer sempre secos, devendo igualmente ser, entre cada mamada, revestidos com discos absorventes especialmente fabricados para este fim, os quais devem ser colocados entre os seios e o soutien.

Para saber mais consulte o seu Obstetrícista / Ginecologista ou o seu Pediatra
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