Segmentação e nidificação

Ao longo da primeira semana após a fertilização, o ovo passa por profundas transformações, de modo a adoptar as condições ideais para nidificar na mucosa que reveste a cavidade uterina, onde ocorre o seu desenvolvimento durante nove meses.

Segmentação

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Após a fertilização, os núcleos do óvulo e do espermatozóide que penetrou no seu interior fundem-se, proporcionando a união dos cromossomas presentes em cada um e a consequente constituição do ovo ou zigoto. Em seguida, inicia-se um processo denominado segmentação, caracterizado por uma ininterrupta divisão celular, que origina a formação de inúmeros elementos celulares que se vão progressivamente diferenciando, de modo a compor os vários tecidos do organismo. Trinta horas após a fertilização, a célula ovo divide-se em dois, gerando duas células filhas, em que cada uma delas se irá, por sua vez, dividir em dois e assim sucessivamente, a cada dez a quinze horas. Enquanto este processo decorre, as contracções da musculatura do canal tubárico e os movimentos compassados dos reduzidos cílios das células da mucosa que o reveste fazem com que o ovo avance pelo interior da trompa de Falópio em direcção ao útero. A viagem que leva o ovo até ao interior da cavidade do útero, que o vai acolher durante nove meses, dura cerca de quatro a cinco dias.

O rompimento da célula principal proporciona a formação de duas células denominadas blastómeros, que se dividem, por sua vez, igualmente em dois, gerando quatro blastómeros que também se dividem e assim sucessivamente. Embora ao fim de três dias o ovo já se encontre constituído por dezasseis células, o seu tamanho não varia devido ao facto de as dimensões de cada um dos blastómeros ser menor do que a célula original. Esta situação provoca a aglomeração de pequenos blastómeros, rodeada por uma zona pelúcida, de modo a permitir a entrada de substâncias nutritivas, de aspecto semelhante a uma pequena amora, o que justifica o facto de ser designada mórula.

Cerca de quatro ou cinco dias após a fertilização, o ovo chega à cavidade uterina, enquanto que as suas células, para além de se continuarem a dividir, começam a diferenciar-se e a organizar-se. No interior da mórula ocorre uma progressiva acumulação de líquido que desloca um grupo de células para uma extremidade, propiciando a transformação do ovo numa blástula, formada por duas porções diferenciadas: o embrioblasto, que corresponde ao conjunto de células agrupadas num pólo e a partir do qual se irá formar o embrião, e o trofoblasto, uma fina camada de células que delimita o espaço cheio de líquido, ou blastocelo, a partir do qual se formará a placenta.

Nidificação

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Enquanto o endométrio acaba de se preparar para a acolher, a blástula permanece livre no interior da cavidade uterina durante um período de dois ou três dias. De facto, a mucosa que reveste a cavidade uterina começa a preparar-se para este acontecimento a partir do início de cada ciclo menstrual, sob a influência das horrnonas femininas elaboradas pelo ovário. Na primeira parte do ciclo, os folículos ováricos em desenvolvimento segregam estrogénios, hormonas que provocam a replicação activa das células do endométrio, o crescimento das suas glândulas e a proliferação dos vasos sanguíneos que o irrigam. Após a ovulação, os restos do folículo ovárico transformam-se num corpo amarelo, que começa igualmente a segregar progesterona, uma hormona que influencia a activação das glândulas do endométrio, proporcionando o desenvolvimento máximo da vascularização da mucosa, fazendo com que o interior do útero fique esponjoso e adopte as condições ideais para o eventual acolhimento de um óvulo fecundado.

Cerca de sete dias após a fertilização, ocorre um processo denominado nidificação ou implantação, ao longo do qual a blástula, já sem a membrana que a rodeava e protegia, isolando-a do exterior, se apoia suavemente sobre a superfície do endométrio à procura de um sítio para se estabelecer e obter substâncias nutritivas. Em seguida, as células do trofoblasto que revestem o pólo da blástula, onde o embrioblasto se encontra, começam a produzir uma série de substâncias químicas que ac- tuam sobre o endométrio, de modo a que o ovo penetre no interior da mucosa uterina. Após o ovo se ter literalmente enterrado no endométrio, a superfície desta camada regenera-se e a blástula fica totalmente inserida no interior do endométrio, o que proporciona a consolidação da implantação no sítio onde o seu crescimento prosseguirá.

Após a nidificação, algumas células da camada exterior do embrião transformam-se numa placenta primitiva que começa a elaborar uma hormona muito especial, que apenas é produzida ao longo da gravidez: a hormona gonadotrofina coriónica, abreviadamente hCG. Esta hormona passa para o sangue materno e actua sobre o corpo lúteo do ovário, impedindo o atrofio da estrutura, como acontece ao longo do ciclo menstrual, quando não se produz a fertilização, o que consequentemente provoca a descamação do endométrio que constitui a menstruação. De facto, a hCG faz com que a es- trutura se mantenha activa e se transforme no corpo lúteo da gravidez que, durante toda a gestação, continuará a produzir progesterona, uma hormona que manterá o endométrio num estado de desenvolvimento ideal para desempenhar a sua missão.

Informações adicionais

O médico responde

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Ouvi dizer que, em muitos casos de fertilização, o ovo não consegue nidificar no útero. É verdade?

De facto, sim, já que a implantação do ovo no útero necessita de dois requisitos básicos, ou seja, o próprio ovo não deve apresentar nenhuma anomalia e a mucosa uterina deve encontrar-se em condições ideais para o acolher. Dado que existem muitos casos em que estes dois requisitos não são cumpridos, a formação da gravidez não pode, consequentemente, continuar. De facto, calcula-se que cerca de 20% dos ovos não conseguem, por mecanismos totalmente naturais, implantar-se na mucosa uterina, sendo eliminados na menstruação seguinte.

Zona de implantação

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Em condições normais, após permanecer dois ou três dias no interior da cavidade uterina, o ovo nidifica na mucosa da parte superior do útero, onde são formadas as estruturas que irão proteger e possibilitar a nutrição do novo ser que se irá desenvolver no interior do útero. Todavia, existem casos, em que a implantação produz-se, por vários motivos, fora desta localização normal, por exemplo na trompa de Falópio ou no colo do útero, onde o desenvolvimento da gravidez é praticamente impossível, provocando uma gravidez ectópica, uma gravidez que não chegará ao fim e que, caso não seja diagnosticada e tratada a tempo, pode provocar complicações graves.

Para saber mais consulte o seu Obstetrícista / Ginecologista
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