Problemas da ejaculação

A ejaculação é um acto reflexo que, embora possa ser, em certa medida, controlada voluntariamente, a má aprendizagem do controlo ejaculatório pode originar problemas como a ejaculação precoce e a ejaculação retardada.

Fisiologia da ejaculação

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A ejaculação corresponde à emissão de sémen para o exterior através da uretra, normalmente acompanhada por uma sensação de intenso prazer, produzida de maneira reflexa quando se alcança um determinado patamar de tensão sexual ao longo da terceira fase da resposta sexual masculina - a fase de orgasmo. Como é óbvio, a ejaculação é precedida pela fase de excitação, ao longo da qual se produz a erecção, e pela fase de meseta, quando a erecção se encontra consolidada e o coito pode ser praticável.

O mecanismo da ejaculação é um acto reflexo que pode ser dividido em duas etapas. A primeira etapa caracteriza-se por uma série de contracções das glândulas sexuais acessórias que impulsionam o seu conteúdo, nomeadamente o líquido seminal, para o interior da uretra. A segunda etapa produz-se pouco depois da primeira e corresponde ao desencadeamento de uma série de espasmos rítmicos dos músculos que rodeiam a uretra, aproximadamente em cada sete a oito décimas de segundo, juntamente com uma forte contracção do esfíncter vesical, o que provoca a expulsão do líquido seminal acumulado previamente na entrada do canal para o exterior. Embora este acto reflexo seja controlado pelo sistema nervoso autónomo simpático, o processo ainda evidencia um certo grau de controlo voluntário, já que o homem pode aprender a atrasar ou a interromper a ejaculação após a primeira fase, antes que se produzam os espasmos da musculatura peri-uretral que impulsionam o sémen para o exterior, da mesma maneira que uma criança aprende a controlar o seu esfíncter urinário. Este somatório de factores biológicos, psicológicos e de aprendizagem determina, para cada homem, um padrão ejaculatório próprio, que por vezes é inadequado e pode constituir uma disfunção sexual, independentemente de ser porque a ejaculação é desencadeada demasiado cedo, como ocorre com a ejaculação precoce, ou porque leva muito tempo a produzir-se, como ocorre em caso de ejaculação retardada.

Ejaculação precoce

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Fala-se de ejaculação precoce quando o homem, ao tentar realizar o coito, ejacula demasiado rápido, sem ter chegado a introduzir o pénis na vagina ou imediatamente após a penetração - em qualquer dos casos antes da altura desejada. Esta situação pode ocorrer esporadicamente sem que seja considerada anómala, já que apenas pode ser considerada disfunção sexual quando acontece de maneira repetida e provoca insatisfação tanto para o próprio homem como para a sua parceira, quando se considera que por isso não se conseguiu obter um estímulo suficiente. Deve-se insistir que a produção de uma ejaculação precoce casual é normal, sobretudo depois de um longo período de abstinência e em especial em indivíduos jovens, quando se alcança um nível de tensão sexual tão elevado que a fase de meseta diminui de tal forma que a ejaculação se evidencia de forma prematura. Pode tornar-se num problema, caso se repita de maneira habitual e provoque sentimentos de frustração e insatisfação.

O problema costuma ser originado por factores psicológicos e de condicionamento, sobretudo ao longo das primeiras relações quando estas são realizadas à pressa, em lugares inadequados ou existe o receio de serem descobertos. Estas situações originam uma maior actividade do sistema nervoso simpático, propiciando a ejaculação precoce. Para além disso, é possível estabelecer-se um padrão de ejaculação precoce, em que o homem, após aprender a ejacular depressa, continua a fazê-lo muitas vezes, mesmo quando encontra situações propícias para manter relações sexuais com um certo relaxamento. Neste caso, não irá conseguir inibir o desencadeamento da ejaculação mesmo que se tente distrair e pensar noutra coisa, como tantas vezes acontece, o que apenas provoca uma ruptura de comunicação com a parceira, podendo igualmente originar um estado de ansiedade cujos efeitos sobre a actividade sexual acabam por ser contraproducentes.

O tratamento baseia-se na aprendizagem de um certo controlo voluntário do mecanismo da ejaculação. Embora em alguns casos se possa recorrer à psicoterapia, o problema costuma ser solucionado com a aplicação de alguma técnica específica para atrasar a resposta. Apesar de existirem vários métodos muito simples que podem ser utilizados com esse fim, com excelentes resultados, só são bem sucedidos quando são realizados sob as indicações de um terapeuta.

Ejaculação retardada

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A ejaculação retardada corresponde à incapacidade para desencadear a ejaculação após um período de tempo prolongado de estimulação sexual. Como é algo que pode ocorrer de maneira espontânea, sem que seja considerada anómala, apenas é classificada como disfunção sexual quando ocorre repetidamente e origina insatisfação tanto para o homem afectado como para a parceira.

O problema pode ter várias causas, tanto orgânicas como psicógenas. Em alguns casos, é provocado por conflitos psicológicos e factores educacionais que originam uma inibição inconsciente do reflexo ejaculatório. Por exemplo, uma educação muito rigorosa ao longo da adolescência que oprima a masturbação com emissão de sémen pode, mais tarde, desenvolver um sentimento de culpa no homem que a pratique. Noutros casos, o problema reside em questões orgânicas, por exemplo, problemas medulares ou o consumo de tóxicos ou medicamentos que inibam o desencadeamento da ejaculação.

O tratamento depende da origem do problema. Caso seja provocado pela administração de um determinado medicamento, pode ser aconselhável alterar a terapêutica responsável pelo problema. Se a causa for de índole psicológica, o fundamental é proceder-se a uma terapêutica sexual destinada a melhorar a comunicação entre o casal, por vezes complementada com uma psicoterapia orientada para solucionar os conflitos subjacentes.

Informações adicionais

Problemas da ejaculação precoce

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Actualmente, o tratamento da ejaculação precoce consiste numa "nova aprendiagem " do controlo ejaculatório, através da realização de técnicas adequadas para que o homem possa reconhecer o momento que precede a ejaculação, de modo a inibir o desencadeamento do reflexo. A terapêutica engloba uma série de exercícios realizados pelo homem, em passos sucessivos, com a colaboração da parceira, na intimidade, de acordo com as indicações do especialista.

Ao longo da primeira fase, deve-se evitar o coito, limitando a actividade ao preliminar sexual e sem incluir qualquer estimulação directa do pénis (1).

Em seguida, deve-se pedir à parceira para que esta proceda a uma estimulação manual do pénis, de modo a provocar uma erecção (2) e que continue até que o homem, concentrado no reconhecimento das suas sensações, se aperceba do aproximar da fase do orgasmo. Quando chegar esse momento, deve comunicá-lo à parceira, que deve interromper a estimulação até que passe a iminência ejaculatória. Em alguns casos, convém que a parceira realize uma manobra específica de compressão do pénis para inibir o reflexo ejaculatório, com o qual se perde parcialmente a erecção, repetindo-se o ciclo várias vezes até que finalmente se permita a ejaculação.

Na etapa seguinte, quando o homem já for capaz de reconhecer a sensação de ejaculação iminente, após ter sido estimulado manualmente durante um bocado, deve passar para o coito com a mulher por cima (3), primeiro com uma penetração sem a realização de qualquer movimento e, depois, com movimentos muito lentos até que o homem perceba que está quase a ejacular, altura em que se deve interromper o coito, para que a mulher se levante rapidamente e proceda de imediato à manobra de compressão do pénis.

A partir do momento em que o homem já conseguir resistir durante um certo período de tempo sem ejacular com a mulher por cima, deve-se passar a uma etapa em que se repete o procedimento na posição lateral (4) e, por fim, com o homem por cima da mulher.

Caso as instruções do terapeuta sejam, ao longo da realização de todos estes passos, rigorosamente respeitadas, quem avaliar regularmente os progressos, costuma conseguir uma elevada percentagem de êxito ao fim de pouco tempo.

Para saber mais consulte o seu Psiquiatra ou o seu Urologista
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