Disfunção eréctil

Fala-se de problema de erecção, ou disfunção eréctil, se um homem evidenciar uma repetida incapacidade para alcançar ou manter um estado de erecção suficiente para efectuar o coito, o que constitui um problema muito comum e de causas muito diversas.

Definição e tipos

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As insuficiências de erecção ocasionais são muito comuns e afectam praticamente todos os homens de maneira esporádica, devido a uma infinidade de motivos circunstanciais, sem que possa ser considerada disfunção sexual, o que no fundo consiste na incapacidade repetida para obter ou manter uma erecção que permita uma relação coital, embora seja uma definição arbitrária, pois o problema pode evidenciar-se de diferentes formas e adoptar vários tipos.

Por exemplo, o problema é classificado como primário, caso se evidencie desde as primeiras tentativas em manter uma relação sexual e persista indefinidamente, sendo considerado secundário, caso surja ao fim de um período de tempo no qual se tem obtido erecções suficientes para manter relações sexuais satisfatórias. Deve-se referir que, como a existência de insuficiências na erecção ao longo das primeiras experiências sexuais é muito comum, devido à própria ansiedade gerada nestas circunstâncias, não é por isso considerada disfunção sexual, pois apenas será assim classificada se o problema se repetir. O mesmo aplica-se, como já foi referido, caso surja uma insuficiência eréctil circunstancial um pouco mais tarde, tendo em conta que o problema deve repetir-se para se poder falar exactamente de um problema da erecção.

Existem outros critérios para classificar a disfunção eréctil. Por exemplo, ocasionalmente, a insuficiência da erecção é de tal forma absoluta que não se alcança um estado de erecção total ao tentar-se o coito, nem em qualquer outro tipo de prática, incluindo a masturbação, enquanto que noutros casos o problema é ocasional, ou seja, apenas ocorre em determinadas circunstâncias concretas, nomeadamente ao tentar-se o coito, mas não na masturbação. Existem casos em que o problema corresponde a uma disfunção eréctil selectiva, quando as insuficiências apenas ocorrem quando se tenta manter relações com o parceiro habitual e não com outras pessoas ou vice-versa.

Todavia, não se deve estranhar que existam tantas possibilidades, já que existem inúmeras possíveis causas para os problemas de erecção, que tanto podem ser influenciadas por factores orgânicos como psicológicos, alguns muito subtis. Para o compreender, convém aprofundar o conhecimento dos mecanismos envolvidos no desencadeamento e manutenção da erecção.

Fisiologia da erecção

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A erecção depende de um complexo mecanismo neurovascular produzido involuntariamente sob o controlo do sistema nervoso autónomo, mesmo que o seu funcionamento seja bastante influenciado pela actividade mental, sentimentos e emoções. De facto, a existência de um estímulo erótico faz com que a actividade cerebral gere um estado de tensão sexual, cuja transmissão, através dos impulsos que viajam pela medula espinal e nervos chegando ao pénis, desencadeia a erecção.

O pénis é constituído por estruturas anatómicas muito especiais, como a sua denominação indica - os corpos erécteis. O interior do pénis é constituído por três corpos erécteis: na parte superior, os dois corpos cavernosos simétricos, e debaixo dos mesmos, numa posição central, o corpo esponjoso, atravessado longitudinalmente pela uretra. Estes corpos erécteis são constituídos por um tecido trabecular composto por inúmeros septos de fibras conjuntivas e musculares, que formam uma grande quantidade de reduzidas cavernas ligadas entre si. A particularidade deste tecido consiste no facto de existirem determinadas condições que provocam a sua repleção de sangue, tal como uma esponja que se embebe de água, o que proporciona o aumento de volume e de consistência dos corpos carvernosos e do corpo esponjoso, um facto que determina a erecção, justificando o facto de ser um "mecanismo hidráulico" que depende da especial inervação e vascularização do pénis.

O pénis recebe fibras provenientes dos dois sectores do sistema nervoso autónomo, o simpático e o parassimpático, cujos efeitos são antagónicos - consoante o predomínio de um ou outro, o pénis irá manter-se flácido ou entrará em erecção. O predomínio da actividade do sistema simpático, como acontece no estado de vigília, faz com que as fibras musculares dos septos das trabéculas do tecido eréctil se mantenham contraídas, não se conseguindo distender e encher de sangue, o que proporciona a flacidez do pénis. Por outro lado, a predominância da actividade do sistema parassimpático, como acontece em estado de relaxamento e durante o sono, proporciona três modificações básicas: o relaxamento das fibras musculares das trabéculas do tecido eréctil, a dilatação das artérias que irrigam o pénis, provocando o aumento do seu caudal, e o estreitamento das veias, o que propicia a diminuição da drenagem sanguínea da zona. Em suma, todos os corpos erécteis ficam cheios de sangue e o pénis passa do estado de flacidez ao de erecção, o que proporciona o aumento de tamanho, sobretudo de comprimento, mas também em espessura, tornando-se duro e adoptando a forma ideal para o coito.

Deve-se referir que o processo descrito pode ocorrer de maneira natural durante o sono, até mesmo várias vezes por noite, sem que os sonhos tenham necessariamente um conteúdo erótico. Por outro lado, o predomínio do sistema simpático, ao longo da noite, condiciona o estado de flacidez. Todavia, a existência de qualquer estímulo que o cérebro interprete como erótico determina uma alteração na sua situação, pois inibe a actividade do sistema simpático e activa o sistema parassimpático, o que proporciona a produção de uma erecção. A erecção irá persistir, enquanto se mantiver a tensão sexual, e caso a estimulação continue, a resposta sexual irá progredir até à fase do orgasmo, na qual se desencadeia a ejaculação, um reflexo controlado pelo sistema simpático. Neste caso, a situação altera-se, ou seja, as artérias que irrigam o pénis diminuem de diâmetro, as veias que drenam a zona dilatam-se e os corpos erécteis esvaziam-se, o que proporciona a perda da erecção e a passagem progressiva do pénis para um estado de flacidez.

Causas

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Existem inúmeras possíveis causas para um problema de erecção, algumas orgânicas e outras psicológicas, existindo casos em que ambos os tipos de factores se sobrepõem. Embora até há relativamente pouco tempo se pensasse que a imensa maioria dos casos eram originados por um problema de natureza psicológica, actualmente, considera-se que existem inúmeros casos provocados por um problema essencialmente orgânico.

Causas orgânicas. Os problemas de erecção costumam ser provocados por qualquer alteração anatómica ou funcional das várias estruturas envolvidas no desenvolvimento do processo de erecção, tanto do sistema nervoso que controla o reflexo como da vascularização do pénis. O facto de algumas destas alterações serem passageiras ou circunstanciais e outras permanentes faz com que as formas de aparecimento e a evolução do problema sejam muito diferentes. Por exemplo, a intoxicação alcoólica costuma perturbar os mecanismos neurológicos que controlam a erecção, o que explica as dificuldades esporádicas proporcionadas pelo estado de embriaguez e os problemas de erecção evidenciados por muitos alcoólicos crónicos, nos quais se pode desenvolver uma neuropatia que prolongue o problema. A utilização de diversos medicamentos, nomeadamente determinados antidepressivos, narcóticos e anti-hipertensores, pode igualmente provocar, como efeito secundário, um problema de erecção reversível. Para além disso, existem várias alterações neurológicas que podem provocar uma disfunção eréctil persistente: lesões da medula espinal que perturbem a transmissão de impulsos do sistema nervoso autónomo, alterações degenerativas dos nervos como a esderose múltipla, lesões dos nervos consequentes dos problemas metabólicos como em caso de neuropatia periférica da diabetes mellitus, etc.

A disfunção eréctil pode igualmente ser provocada por qualquer problema vascular que altere a irrigação do pénis como, por exemplo, um estreitamento das artérias que transportam o sangue provocado pelo desenvolvimento de placas de ateroma no seu interior (arteriosclerose) ou de uma insuficiência venosa que impeça a paragem do sangue nos corpos erécteis.

Causas psicológicas. Os factores psicógenos que podem provocar uma insuficiência na erecção são muito diversos, alguns circunstanciais e evidentes, outros mais complexos e profundos. Antes de mais, deve-se referir que, como o normal desenvolvimento da erecção necessita do predomínio da actividade do sistema parassimpático, qualquer subida do sistema simpático pode perturbar o desencadeamento ou a manutenção da erecção. Apesar de, por vezes, o problema consistir essencialmente numa deficiente relação entre o casal, numa má comunicação ou num problema afectivo, existem outros casos originados por conflitos intrapsíquicos remotos, por exemplo, provocados por experiências prévias ou por questões educacionais ao longo da infância.

Tratamento

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Dado que os tratamentos utilizados na resolução dos problemas da erecção são tão variados como as possíveis causas do problema, a obtenção de um prévio diagnóstico da origem é extremamente importante.

Caso o problema seja provocado por um problema orgânico, o tratamento baseia-se na correcção do factor causador. Por exemplo, caso a disfunção seja provocada por um factor vascular, como uma deficiente irrigação do pénis, pode-se recorrer à utilização de vasodilatadores específicos, para a qual existem modernos medicamentos, cuja indicação, quando for conveniente, aumenta de tal forma o fluxo sanguíneo que proporciona uma erecção satisfatória. Noutros casos, recorre-se à cirurgia para solucionar um problema vascular, procedendo-se por exemplo à eliminação das placas de ateroma que estreitem a entrada de uma artéria que irrigue o pénis ou à substituição do tracto obstruído por um enxerto ou ainda procedendo-se à reparação de uma veia para que propicie a evacuação sanguínea excessiva dos corpos erécteis. A cirurgia avançou muito neste terreno e, actualmente, existem técnicas precisas e muito aperfeiçoadas para solucionar problemas deste tipo.

Quando nenhum dos recursos seleccionados possibilita a cura do problema, por exemplo, caso a impossibilidade de erecção seja provocada por uma lesão medular e sempre que o casal considere que a obtenção de erecções constitui um factor indispensável para a obtenção de relações sexuais satisfatórias, pode-se recorrer a outras alternativas. Uma possibilidade consiste em proceder-se à injecção de determinadas substâncias, como a papaverina, no interior dos corpos cavernosos, o que provoca uma erecção durante um tempo variável consoante a dose utilizada. Nestes casos, o próprio paciente deve aprender, segundo as indicações do médico, a administrar as injecções, o que possibilita a obtenção de uma erecção no momento oportuno. Uma outra possibilidade consiste no implante de uma prótese do pénis, um dispositivo do qual existem diferentes modelos.

Caso o problema tenha uma origem exclusivamente psicógena e caso existam igualmente factores dessa natureza que prolonguem o problema, mesmo que um eventual factor orgânico tenha sido curado, o tratamento baseia-se na realização de uma terapêutica sexual, complementada quando for conveniente com uma terapêutica de casal, de modo a melhorar as relações interpessoais, e até com uma psicoterapia para tentar solucionar conflitos intrapsíquicos mais profundos.

Informações adicionais

O médico responde

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Um amigo meu comentou comigo que, embora não tenha erecções quando tenta manter relações sexuais com a sua esposa, o mesmo não acontece quando se envolve com outras mulheres. Qual será a razão?

Ao que tudo indica, o seu amigo encontra-se afectado por uma disfunção eréctil selectiva, pois como o problema apenas se manifesta em determinadas situações, demonstra que não existe qualquer problema fisiológico com o mecanismo de resposta eréctil. Dado que parece evidente que o problema consiste numa inadequação sexual entre ambos os membros do casal, convém aprofundar esta questão para se determinar a natureza da disfinção.

O termo "impotência"

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Os problemas de erecção costumam ser popularmente designados por um termo bem conhecido: "impotência". Embora a sua utilização seja muito comum, é preferível evitar este termo, que os especialistas rejeitam categoricamente, já que o seu carácter pejorativo pode sugerir que um homem, pelo mero facto de apresentar um problema de erecção, perde a sua masculinidade, centrada no "poder" do falo, como se todas as suas capacidades residissem na capacidade eréctil. De facto, como a ideia proporcionada por este termo ultrapassa amplamente o campo sexual, irradiando-se a outros âmbitos da vida, na maioria dos casos em que os homens se encontram afectados por uma disfunção sexual não só sentem a sua masculinidade diminuída, como têm um sentimento de frustração global, tendo a tendência para se desvalorizarem, sendo este sentimento, muitas vezes, responsável pelo facto de a disfunção se prolongar.

Diagnóstico

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O diagnóstico da origem de uma disfunção eréctil costuma ser complexo, já que, para além de existirem inúmeras possíveis causas, em alguns casos o problema é provocado por vários factores, sendo necessário discriminar os vários componentes. O médico pode obter uma primeira orientação através de um minucioso interrogatório ao paciente, de preferência acompanhado pela sua parceira, de modo a fazer uma retrospectiva da sua história sexual, para determinar com a máxima precisão possível o momento de aparecimento do problema e a sua evolução, e as circunstâncias que possam ter influenciado o seu desenvolvimento. Caso a origem do problema seja orgânica, sobretudo naqueles casos em que o problema da erecção é provocado por uma doença geral, pode ser detectada através da realização de um exame físico rigoroso, complementado com os testes adequados. Quando a disfunção eréctil é ocasional, por exemplo se a insuficiência apenas ocorrer quando se tenra o coito e não a masturbação, demonstrando que a resposta eréctil permanece intacta, o problema é proporcionado por algum motivo psicógeno que terá de ser aprofundado.

Todavia, existem inúmeros casos em que pode ser necessário realizar uma série de procedimentos até se descobrir se o problema depende de factores puramente psicógenos ou se tem uma origem orgânica. Esta distinção pode ser realizada através de métodos que comprovem que o paciente conserva uma adequada capacidade eréctil, o que pressupõe que todas as estruturas anatómicas envolvidas no desenvolvimento da erecção permaneçam intactas e funcionem perfeitamente, o que consequentemente possibilita a eliminação de uma causa orgânica. Um procedimento muito utilizado para este fim passa por confirmar a existência de erecções durante o sono, pois durante a noite costumam produzir-se várias erecções espontâneas. Embora esta constatação se possa realizar através de vários métodos, costuma-se recorrer à utilização de dispositivos que o homem deve aplicar no pénis antes de adormecer e que, caso se produzam erecções, irão registar a dilatação de algum dos componentes. Caso o resultado seja positivo, tem-se a certeza de que o problema tem uma origem psicológica, enquanto que quando se constatar que não se produzem erecções nocturnas presume-se que a origem é orgânica, devendo-se continuar o estudo para determinar a sua natureza.

Terapêutica sexual

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A realização de terapêutica sexual, enquanto tratamento desta disfunção, requer a colaboração da parceira e visa essencialmente diminuir a ansiedade gerada ao longo das relações sexuais quando o homem está perto de conseguir uma erecção, um factor que só por si é suficiente para inibir o desencadeamento do reflexo, constituindo um dos principais motivos do fracasso, quando não o único. Nestes casos, o terapeuta deve indicar uma série de actividades programadas que o casal deve realizar na intimidade, ao longo de diferentes etapas, após as quais devem fazer uma consulta para avaliar os progressos.

A primeira etapa, ao longo da qual se deve evitar o coito, consiste na realização de carícias e massagens que permitam que o homem descubra fontes de prazer que não estejam relacionadas com os genitais (1), sem se preocupar muito em ter erecção ou não. Caso a mesma se produza, deve-se evitar o coito. Esta simples falta de "exigência" costuma ser o suficiente para que, ao fim de um certo período de tempo, surjam erecções. Na segunda fase, deve-se passar à estimulação genital directa, manual ou bucal, mantendo-se a proibição do coito (2), para que o homem se mantenha absolutamente despreocupado e vá progressivamente ganhando confiança. Apenas se autoriza o coito nas últimas fases da terapêutica (3), sempre seguindo rigorosamente as indicações do médico, com o qual se pode considerar que o problema foi ultrapassado.

Para saber mais consulte o seu Psiquiatra ou o seu Urologista
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