Anorgasmia

A anorgasmia é uma disfunção sexual feminina, incorrectamente designada "frigidez", que se caracteriza por uma grande dificuldade ou total impossibilidade em alcançar o orgasmo após uma fase de excitação normal.

Definição

Topo

Fala-se de anorgasmia quando uma mulher evidencia uma inibição repetida e persistente do orgasmo, a terceira fase da resposta sexual, independentemente de se tratar de um evidente atraso no seu desencadeamento ou da sua total ausência, sempre que exista um adequado nível de tensão erótica e tenha ocorrido uma fase de excitação normal. Existem casos que não podem ser conotados como anorgasmia, já que não se pode manifestar orgasmo se não se estabelecer um estado de excitação sexual que propicie o seu desencadeamento e se não se processar uma estimulação adequada para que a tensão sexual alcance a fase orgásmica.

O orgasmo feminino, desencadeado de forma automática sob o controlo do sistema nervoso autónomo simpático ao atingir um determinado patamar de tensão sexual, pode adoptar várias formas, pois varia de mulher para mulher e até na mesma consoante as circunstâncias, pois por vezes evidencia-se um orgasmo muito intenso, noutras manifesta-se uma sucessão mais ou menos longa de orgasmos de menor intensidade e, outras vezes ainda, se se mantiver o estímulo, podem surgir vários orgasmos intensos uns a seguir aos outros.

O desencadeamento do orgasmo costuma necessitar da estimulação do clítoris, que se encontra rodeado por abundantes terminações nervosas sensitivas, em maior número do que na vagina. A estimulação do clítoris pode ser directa ou indirecta, através de fricções produzidas por movimentos da zona ao longo do coito. Apesar de, em alguns casos, a mulher conseguir alcançar o orgasmo apenas através do coito, noutros é imprescindível que exista igualmente uma estimulação directa do clítoris. De facto, existem mulheres que, apesar de não chegarem ao orgasmo através do coito, mesmo que a penetração vaginal seja complementada com uma estimulação clitoridiana directa, conseguem atingir o orgasmo através da masturbação. É perfeitamente normal que algumas mulheres alcancem o orgasmo com uma estimulação mínima, por vezes até sem estimulação genital, apenas com as suas próprias fantasias ou graças a carícias nos seios, enquanto que outras mulheres apenas atingem o orgasmo após uma prolongada estimulação do dítoris.

A tudo o que foi referido sobre as questões fisiológicas do desencadeamento do orgasmo feminino, deve-se somar outras de índole psicológica, já que as circunstâncias ambientais e a atitude emocional podem influenciar, significativamente, o funcionamento do sistema nervoso, controlador da resposta sexual.

Causas

Topo

As possíveis causas de anorgasmia são muito variadas. Uma muito comum e banal corresponde a uma técnica sexual deficiente, como por exemplo a falta de estímulo do clítoris em mulheres para as quais constitui uma premissa imprescindível para o desencadeamento do orgasmo. Em alguns casos, a anorgasmia é provocada por ideias fixas da própria mulher ou do parceiro, que por factores culturais consideram-no impróprio, enquanto que nos restantes é originada simplesmente por ignorância da anatomia genital feminina, já que o clítoris é um órgão pequeno e apresenta características variáveis em cada mulher. Para além disso, como o tipo de estimulação necessária varia igualmente de mulher para mulher, na medida em que algumas precisam de carícias muito suaves, mas outras preferem fricções mais enérgicas, o casal apenas o poderá ficar a saber consoante a resposta ou indicações da mulher.

A anorgasmia pode igualmente ser provocada por inúmeros conflitos psicógenos, tanto conscientes como inconscientes. Por vezes, o problema é provocado por uma educação demasiado rigorosa em relação ao domínio sexual que origina uma espécie de repressão na mulher, pois esta considera o prazer como pecaminoso ou como possível ponto de partida de perda total de controlo. São mecanismos psíquicos muito delicados que interferem, de forma inconsciente, na actividade do sistema nervoso autónomo, responsável pelo desencadeamento do orgasmo, pois a ansiedade provocada pelo controlo e a expectativa de "ver o que acontece" pode inibir o orgasmo.

Noutros casos, a anorgasmia costuma ser simplesmente provocada por problemas entre o casal, independentemente de serem de comunicação ou de outra índole. Em caso de mau relacionamento entre o casal, pode-se considerar lógico que a sua vida sexual não seja satisfatória, visto que a anorgasmia pode ser provocada por sentimentos ambíguos, de receio ou de raiva, e até de rejeição para com a pessoa com quem se convive. Para além disso, a anorgasmia também pode estar relacionada com uma disfunção sexual do casal, por exemplo um problema de erecção, sendo difícil estabelecer se a disfunção provoca ou é originada pelo problema de erecção. Neste sentido, a mulher pode ter um injustificado sentimento de culpa por não conseguir alcançar o orgasmo, o que proporciona um estado de ansiedade, afastando-a ainda mais e podendo torná-la uma espectadora da relação sexual em vez de participante - como é óbvio, irá agravar a situação.

A origem do problema apenas é orgânica numa reduzida percentagem de casos. Qualquer patologia que altere os mecanismos neurológicos, que controlam a resposta sexual, pode provocar anorgasmia: lesões da medula espinal, esclerose múltipla ou doenças como a diabetes, entre outras. Por último, o problema pode também ser originado por alcoolismo e outras dependências e pelo consumo de medicamentos, como os soporíferos, ansiolíticos e hipotensores.

Informações adicionais

Anorgasmia versus frigidez

Topo

O nome mais apropriado para designar a disfunção sexual feminina é "anorgasmia", pois faz referência directa à ausência de resposta orgásmica, e não "frigidez", a designação normalmente atribuída ao problema, porque este termo, para além de ser confuso, por vezes é inadequado, pois sugere que a mulher, além de ter dificuldades em alcançar o orgasmo, mantém uma atitude distante em relação ao sexo. O desinteresse pelo sexo, a falta de impulso sexual ou a deficiente excitação sexual costumam proporcionar uma lógica ausência de orgasmos, devido ao simples facto de não se praticar sexo ou, quando é praticado, de o ser de maneira insatisfatória. Contudo, não se deve falar de frigidez quando, como ocorre em inúmeras ocasiões, o problema evidencia-se em mulheres com um impulso sexual intenso, que podem até ser consideradas "apaixonadas" e que se sentem muito excitadas perante estímulos eróticos, mesmo que não alcancem o orgasmo. Embora não se trate de uma questão puramente semântica, catalogar uma mulher como "frígida", como tantas vezes se faz, tem uma componente pejorativa que só por si pode ser prejudicial.

Tratamento

Topo

Caso a origem da anorgasmia seja física, deve-se tentar a sua cura através do meio mais adequado, por exemplo pela alteração do tratamento, quando o problema for provocado pela ingestão de medicamentos. Deve-se referir que estes casos constituem uma reduzida percentagem.

O problema é, na maioria das vezes, provocado por má técnica sexual ou um profundo desconhecimento da anatomia feminina, questões que o terapeuta poderá solucionar através de oportunas explicações. Normalmente, aconselha-se que a mulher aprenda de maneira programada a estimular-se até conseguir desencadear orgasmos, de modo a reconhecer as suas sensações e identificar os estímulos oportunos, para depois ensiná-los ao parceiro. Por vezes, o problema pode ser resolvido através da adequada informação complementada com exercícios de relaxamento e sexuais que facilitem uma melhor e mais eficaz estimulação genital.

Caso o problema seja proporcionado por um problema psicológico profundo, a psicoterapia costuma dar bons resultados. Todavia, existem casos em que não é necessário averiguar a origem intrapsíquica para alterar a situação. Por vezes, o problema pode ser resolvido com uma terapêutica sexual que contribua para alterar alguns comportamentos prejudiciais.

Para saber mais consulte o seu Psiquiatra
Este artigo foi útil?
Artigos relacionados
Procurar Médicos
Precisa de ajuda?
Porque perguntamos?
PSIQUIATRASVer todos
Dor lombar e ciática Aparelho locomotor/exercício físico
Dor cervical Aparelho locomotor/exercício físico
Artrose Aparelho locomotor/exercício físico
Nódulos e pólipos das cordas vocais Aparelho respiratório/glândulas endócrinas
Lesões dos meniscos Aparelho locomotor/exercício físico
Tumores benignos do ovário Aparelho reprodutor/sexualidade