Inibição do impulso sexual

A ausência persistente ou a evidente diminuição do desejo sexual que, em condições normais, está presente em maior ou menor medida em todas as pessoas, pode ser considerada disfunção sexual.

Definição

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A definição exacta desta disfunção sexual é muito difícil, pois como não é possível determinar de maneira generalizada o grau de impulso sexual "normal", não se consegue estipular parâmetros rigorosos para concretizar a sua ausência ou perda. O apetite sexual varia significativamente de pessoa para pessoa e costuma ser bastante influenciado por inúmeros factores de índole educacional, social e de relação interpessoal. Todavia, é preciso referir que, em condições normais, todos nós evidenciamos um certo interesse pelas questões sexuais, temos de maneira mais ou menos esporádica fantasias e sonhos eróticos e manifestamos algum tipo de reacção perante determinados estímulos dessa natureza.

Pode-se falar de inibição do impulso sexual quando tanto a iniciativa sexual como a receptividade sexual se encontram ausentes ou diminuem até estarem praticamente nulas, sobretudo caso se trate de um casal e com oportunidades para manterem relações íntimas agradáveis. As pessoas com inibição do impulso sexual apresentam um evidente desinteresse pelo sexo, não só pelo coito, mas por qualquer outro comportamento sexual, como a masturbação, não se motivam com nenhum material erótico, nem são sensíveis aos desejos sexuais e, quando por qualquer motivo participam em alguma actividade sexual, mesmo que respondam de forma perfeita, fazem-no de maneira mecanizada e sem entusiasmo, como se estivessem ausentes, não tendo satisfação.

Causas

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Dado que a origem do impulso sexual tanto pode estar relacionada com factores biológicos como psicológicos, existem inúmeras situações que provocam este problema, algumas puramente físicas e outras relacionadas com circunstâncias ambientais.

Entre as causas orgânicas, deve-se referir que existem vários problemas que podem provocar uma evidente diminuição ou o total desaparecimento do impulso sexual. Por exemplo, algumas patologias neurológicas e psiquiátricas, cuja evolução provoca alterações nos níveis dos Neutrotransmissores cerebrais, provocar disfunções nos circuitos cerebrais que desencadeiam o desejo sexual, o que consequentemente origina a diminuição da libido ou um desinteresse praticamente total por sexo. O caso mais evidente corresponde à depressão, uma patologia cuja manifestação mais típica corresponde, precisamente, à inibição do impulso sexual. O mesmo pode acontecer em caso de alcoolismo ou consumo de determinadas drogas, administração de certos medicamentos, como por exemplo alguns muito comuns como os hipotensores e os diuréticos, entre outras patologias.

Existem igualmente vários problemas endócrinos que originam um desequilíbrio hormonal, proporcionando a inibição do impulso sexual, como por exemplo doenças especificamente endócrinas, mas também outras patologias que provoquem disfunções hormonais, uma alteração hepática ou uma insuficiência renal crónica, que origine uma alteração na metabolização ou a eliminação de determinadas hormonas, ou qualquer doença grave e debilitante.

As causas psicológicas do problema são muito diversas. Em alguns casos, são conflitos intrapsíquicos profundos, conscientes ou inconscientes, originados na infância, devido por exemplo a experiências traumáticas quando muito jovens ou a uma educação excessivamente rígida, segundo a qual o desejo sexual era, desde os primeiros anos de vida, conotado como algo condenável. Nos restantes casos, o motivo é mais específico, como por exemplo um mau relacionamento entre o casal, falta de oportunidade para manter relações sexuais agradáveis ou simplesmente uma situação de stresse.

Evolução e repercussões

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Apesar de existirem casos em que o desejo sexual parece estar ausente desde sempre, noutros casos a inibição do impulso sexual evidencia-se subitamente. A sua evolução é tão variável como a forma de aparecimento, já que depende da natureza da sua origem. Todavia, na maioria dos casos, a ausência da libido tem uma evolução crónica e persiste indefinidamente até que se encontre uma cura.

Por vezes, surgem complicações, devido ao facto de a parceira, ao detectar a apatia sexual, reagir com um sentimento de ansiedade ou até de culpa e evitar qualquer relação para não provocar conflitos ou sentir que, em certa medida, está a forçar uma relação, o que consequentemente pode proporcionar um progressivo distanciamento do sexo. Por outro lado, existem casos em que geram desavenças no casal que, num ciclo vicioso, acabam por agravar ainda mais o problema.

Caso o problema seja de origem orgânica, as expectativas de cura através da correcção do factor causador são excelentes. No entanto, quando a origem consiste em conflitos psicológicos profundos ou factores educacionais, o tratamento é muito mais complicado, pois é uma situação cuja cura pode necessitar de uma ajuda profissional adequada, por vezes prolongada.

Informações adicionais

Diagnóstico e tratamento

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A súbita perda da libido numa pessoa que, habitualmente, tem um certo apetite sexual costuma motivar uma consulta ao médico. Por vezes, é a parceira a sugerir a ideia ao detectar uma alteração notória neste âmbito. Todavia, é mais difícil que alguém procure ajuda profissional quando o problema se arrasta ou persiste desde há muito tempo e se está habituado a um escasso interesse pela sexualidade. Antes de mais, o médico deve realizar um minucioso interrogatório, de modo a determinar com precisão as características do problema, nomeadamente o momento do seu início e as possíveis causas e factores precipitantes. Caso pretenda elucidar se o problema foi originado por uma alteração orgânica responsável, o médico, para além de efectuar um exame físico completo, costuma solicitar análises de sangue, de modo a fazer medições hormonais, radiografias ou outros exames de acordo com os indícios de cada caso. Caso não se confirme a origem orgânica, o médico costuma solicitar a colaboração de um psicólogo ou de um sexologista para determinar se a origem corresponde a um problema de índole psicológica, emocional ou consequente de um mau relacionamento. Quando o problema é de origem orgânica, o tratamento baseia-se na correcção do factor responsável, nomeadamente na terapêutica à base de hormonas em caso de problemas endócrinos, uma alteração da medicação caso se detecte um medicamento responsável, etc. Se a origem for de índole psicológica, deve-se recorrer à psicoterapia, seleccionando o método mais adequado ao caso. Se se pensar que o problema é provocado por uma relação defeituosa entre o casal, apenas se pode recorrer à terapêutica sexual.

O stresse e a rotina

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O stresse pode ser considerado o principal inimigo do sexo, já que uma vida atarefada, repleta de obrigações e preocupações não é a mais adequada para se desfrutar de uma sexualidade satisfatória. Em alguns casos, o desejo sexual é praticamente anulado pelas contínuas tensões, pois embora existam pessoas em que sucede exactamente o contrário, para as quais o sexo constitui uma válvula de escape do stresse, para a maioria dos indivíduos, o stresse, em vez de constituir uma motivação, representa um pesado fardo que afasta qualquer interesse pelo sexo. Nestes casos, a realização de pequenas alterações no estilo de vida, como por exemplo o mero facto de deixar de lado as tensões e reservar um espaço para a vida íntima, pode proporcionar o ressurgimento do interesse pela sexualidade. A sexualidade ao nível de um casal pode igualmente passar por uma situação algo semelhante, já que o aborrecimento também pode perturbar o desejo sexual. De facto, existem vários casos em que a habituação à parceira conduz a uma rotina, o que provoca um desinteresse nessa área, sobretudo porque se assume que é uma consequência natural da convivência e pensa-se que não é possível alterar esta situação. Por vezes, basta falar francamente e tentar combater a monotonia para que o interesse pelo sexo renasça.

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