Prevenção do cancro genital feminio

A prevenção do cancro genital feminino baseia-se em consultas ginecológicas regulares, através das quais se pode detectar a doença nas suas fases iniciais, altura em que as possibilidades de se proceder a um tratamento eficaz são maiores.

Consultas ginecológicas regulares

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De acordo com dados estatísticos, o cancro do aparelho genital feminino é um dos que afecta com maior frequência as mulheres, já que é um dos mais comuns na maioria dos países industrializados, apenas superado pelos tumores malignos da mama, pulmão ou do intestino grosso. Todavia, a mortalidade provocada por estes tu- mores, sobretudo os da vulva, vagina e útero, desceu significativamente nos países onde as mulheres têm o hábito de se submeterem a consultas ginecológicas de rotina regulares, de preferência uma por ano, como acontece na maioria dos países economicamente favorecidos. Por outro lado, a mortalidade do cancro genital feminino continua a ser muito elevada nos países em que esta medida preventiva, por falta de infra-estruturas sanitárias, ainda não está generalizada.

O principal objectivo das consultas ginecológicas regulares é, precisamente, possibilitar que o médico detecte a eventual presença de um tumor maligno no aparelho genital feminino quando este ainda se encontra nas suas fases iniciais, através do denominado diagnóstico precoce, em que o tratamento, para além de ser mais simples, é essencialmente muito mais eficaz, pois permite a eliminação do problema na maioria dos casos.

Relativamente à periodicidade, deve-se igualmente referir que o intervalo entre ambas as consultas não deve ultrapassar um ano, já que o espaço de tempo existente entre o momento em que grande parte dos tumores malignos do aparelho genital feminino podem ser detectados até ao momento em que invadem os órgãos vizinhos ou originam metástases é superior a um ano. Caso se detecte um cancro no aparelho genital de uma mulher que consulte regularmente o ginecologista uma vez por ano, as probabilidades de a doença ter um prognóstico pouco favorável são mais reduzidas, ou seja, quanto maior for a prevenção, menor será a mortalidade.

Em que consistem

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As consultas ginecológicas regulares compreendem várias fases, já que cada paciente tem as suas necessidades específicas e cada médico o seu próprio estilo.

Em primeiro lugar, deve-se proceder ao interrogatório, no qual a paciente deve referir ao seu médico assistente alterações do ciclo menstrual, a eventual utilização de medicamentos contraceptivos e a possível presença de sinais e sintomas sugestivos de problemas ginecológicos. Tendo em conta que, por vezes, uma simples conversa com a paciente pode fornecer dados muito importantes ao médico, é extremamente importante que a mulher exponha as suas dúvidas e forneça o máximo de informação.

Em seguida, o médico deve efectuar uma exploração física e alguns exames complementares. Após a realização de uma exploração abdominal e de uma inspecção do aparelho genital da paciente, o médico deve proceder a uma exploração vaginal, ao longo da qual deve efectuar a visualização das paredes da vagina e do colo do útero com a ajuda de um espéculo, um dispositivo metálico ou de plástico, através do qual se dilata o canal vaginal, e depois ao exame bimanual. Por vezes, o médico pode aproveitar a exploração vaginal para efectuar uma colposcopia, ou seja, a rigorosa observação do interior da vagina e da superfície interna do colo uterino através de um aparelho composto por uma lente de aumento binocular constituída por uma potente fonte luminosa, pois o aumento das imagens proporcionado por este método é muito eficaz na identificação de lesões pré-cancerosas.

Caso o ginecologista consiga, através da utilização deste método, detectar lesões sugestivas de um tumor maligno, o procedimento de prevenção mais típico das consultas ginecológicas regulares consiste na realização de uma citologia cervicovaginal, na qual se deve obter uma amostra das células descamadas da mucosa que reveste a vagina e o colo uterino, num processo denominado esfregaço cervical, que deve ser imediatamente enviada para o laboratório e submetida a um teste de Papanicolau (PAP). Este exame consiste na observação microscópica das células obtidas, após serem tingidas, e permite a detecção de qualquer anomalia, ou seja, alterações do aspecto celular que indiquem a existência de uma lesão pré-cancerosa ou qualquer cancro em fase inicial. Dado que a citologia cervicovaginal costuma demonstrar que as células são claramente normais, o procedimento não tem que ser repetido. Todavia, como por vezes os resultados podem ser incertos, por exemplo se existir um processo inflamatório na zona, ou manifestar a existência de células cancerosas, deve-se repetir o exame para se obter um diagnóstico mais fidedigno.

Consultas não regulares

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Embora as consultas ginecológicas regulares sejam muito úteis para a prevenção do desenvolvimento de um cancro genital invasivo, é igualmente importante que as mulheres consultem o médico sempre que detectem a presença de determinadas manifestações eventualmente provocadas por tumores genitais malignos.

As manifestações mais comuns e significativas são ardor e lesões na vulva, hemorragias ou aparecimento de fluxo vaginal sanguinolento entre as menstruações e nas mulheres pós-menopáusicas, pequenas hemorragias ou dor durante o coito, dilatação dos gânglios linfáticos inguinais, sensação de desconforto ou dor no baixo ventre e aumento da frequência das micções.

Felizmente, estas manifestações são, na maioria dos casos, provocadas por outros problemas. Todavia, por vezes, sobretudo se forem persistentes e progressivas, são originadas pela existência de um tumor maligno na vulva, vagina, útero ou ovários. No entanto, estes casos não devem provocar grandes receios, já que caso a paciente tenha ido realmente às consultas ginecológicas regulares, o tumor será provavelmente detectado nas suas fases iniciais, tendo consequentemente um prognóstico favorável.

Informações adicionais

Factores e circunstâncias

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As seguintes circunstâncias favorecem o desenvolvimento de tumores malignos no aparelho genital feminino:

• Antecedentes familiares de tumores malignos do aparelho genital feminino.

• Vulvite crónica.

• Infecções genitais, sobretudo por vírus do herpes tipo 2 e condilomas acuminados no colo uterino.

• Filhas de mulheres que tenham, durante a gravidez, ingerido medicamentos com dietilestilbestriol (DES).

• Tumores e quistos benignos do ovário (à excepção dos foliculares).

• Tumores benignos do útero, sobretudo papilomas cervicais e pólipos endométricos.

• Síndrome do ovário poliquístico.

As primeiras consultas

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Embora o cancro genital feminino afecte, sobretudo, as mulheres com mais de 30 anos de idade, convém que a primeira consulta ao ginecologista seja efectuada ao longo da adolescência e que se realizem consultas regulares a partir do início da vida sexual, mesmo que a mulher seja muito jovem.

Em primeiro lugar, o médico poderá, na primeira consulta, elucidar a adolescente, praticamente mulher, sobre as suas compreensíveis dúvidas e receios sobre questões relacionadas com o ciclo menstrual, as relações sexuais e a prevenção da gravidez não desejada, bem como as doenças sexualmente transmissíveis.

Por outro lado, deve-se referir que os dados sobre a idade em que os vários tumores malignos genitais se manifestam são meramente estatísticos, pois por vezes evidenciam-se em idades inferiores aos 30 anos.

Em suma, convém que os pais dêem o exemplo e incutam nas suas filhas a ideia de que as consultas ginecológicas anuais nas mulheres adolescentes, adultas e pós-menopáusicas são tão importantes e necessárias como as consultas regulares de pediatria para os bebés.

Para saber mais consulte o seu Obstetrícista / Ginecologista
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