Leishmaniose

A leishmaniose designa várias patologias de diversa gravidade, provocadas por protozoários e transmitidas através de picadas de insectos que tanto podem atacar os órgãos internos como apenas originar lesões na pele e nas mucosas.

Leishmaniose visceral: calazar

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A leishmaniose visceral, igualmente denominada calazar, é uma doença muito frequente nas regiões tropicais da América do Sul, África e Ásia, embora também tenha uma incidência relativamente significativa em alguns países da costa mediterrânica, onde afecta essencialmente os adultos imunodeprimidos e crianças.

Causas. A doença é provocada pela Leishmania donavani, um protozoário cujo habitat natural corresponde ao organismo de vários animais, sobretudo cães, chacais, raposas e roedores, que acidentalmente pode afectar o ser humano. O contágio ao ser humano efectua-se essencialmente através da picada de moscas do género Phlebotomus, onde o microorganismo desenvolve parte do seu ciclo biológico. Todavia, em alguns casos excepcionais, a doença pode ser transmitida por via sexual ou através de transfusões de sangue.

Uma vez no interior do organismo, os protozoários inoculados pelos vectores contaminados são drenados através dos vasos linfáticos da zona e invadem determinadas células defensivas, sobretudo os macrófagos, onde se multiplicam até as destruir, invadindo em seguida outras. Embora estas células se encontrem muito distribuídas pelo organismo, evidenciam-se particularmente na parede intestinal, fígado, baço e medula óssea, o que justifica o facto de as lesões mais características do problema se desenvolverem nestas localizações.

Manifestações. O período de incubação da leishmaniose visceral dura entre alguns dias até alguns meses após o contágio. Ao longo das primeiras semanas, a principal manifestação é a febre, que normalmente se evidencia sob a forma de ataques de aumento da temperatura do corpo que se repete várias vezes ao longo de cada dia, sendo acompanhadas por intensos suores e arrepios. Todavia, esta primeira fase evidencia outras manifestações muito comuns, tais como a inflamação do fígado e do baço, através do eventual aparecimento de dor na zona superior direita e esquerda do abdómen, respectivamente. Pode igualmente produzir-se um quadro de anemia, perceptível através da palidez da pele e das mucosas e, embora com menos frequência, manifestações como tosse, diarreia, falta de apetite e debilidade e dores musculares difusas.

Ao fim de três a seis meses, a febre costuma diminuir de intensidade ou desaparecer por completo. Para além disso, como a anemia, a falta de apetite, a diarreia e a inflamação do fígado e do baço se intensificam, o paciente entra numa fase de prostração e desnutrição, verificando-se um emagrecimento progressivo que contrasta com a progressiva dilatação da cavidade abdominal. Caso não se proceda ao devido tratamento, esta fase do problema pode igualmente proporcionar algumas complicações, como infecções respiratórias e hemorragias internas que, em conjunto, provocam a morte em cerca de 80 a 90% dos casos. Este tipo de evolução é particularmente comum nas crianças e nas pessoas imunodeprimidas, sobretudo nos pacientes com SIDA que não sejam devidamente tratados.

No entanto, em cerca de 10% dos casos e sempre que se proceda ao tratamento oportuno, consegue-se obter o progressivo desaparecimento dos sinais e sintomas. Todavia, em alguns destes casos costuma evidenciar-se uma manifestação tardia muito característica do problema: o desenvolvimento de nódulos cutâneos de tonalidade escura, nos quais se pode detectar a presença de parasitas através de uma análise específica.

Tratamento. O tratamento consiste essencialmente na administração de medicamentos antiparasitários como o estibogluconato de sódio, antimoniato de meglumina ou pentamidina. Deve-se igualmente adoptar as medidas necessárias para aliviar os sinais e sintomas e, caso seja necessário, proceder-se ao internamento do paciente no hospital, de modo a prevenir ou tratar as eventuais complicações.

Leishmaniose cutânea: botão do Oriente

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A leishmaniose cutânea, igualmente denominada botão do Oriente, é provocada pela Leishmania tropica, um protozoário transmissível através da picada do Phlebotomus papatasii. Apesar de o problema se encontrar distribuído por todo o mundo, é particularmente frequente na costa do Mediterrâneo, sobretudo no Médio Oriente, Norte de África e Espanha, onde o agente vector se encontra muito difundido.

Ao contrário da leishmaniose visceral, as lesões restringem-se à zona da pele onde o vector inocula o parasita responsável. A lesão cutânea costuma ser detectada um a dois meses após o contágio e a sua localização reside, quase sempre, nas zonas de pele mais acessíveis às picadas, nomeadamente a face e os membros. Na maioria dos casos, a lesão evidencia-se como uma ligeira elevação vermelha, onde se forma uma vesícula que se enche de pus e é revestida por uma crosta. Posteriormente, a crosta desune-se e evidencia uma úlcera que vai crescendo de forma concêntrica, através do aparecimento de pequenas vesículas purulentas à sua volta com uma evolução semelhante às iniciais, até alcançar um tamanho máximo de 3 a 6 cm de diâmetro. Por fim, a lesão cura-se de forma espontânea, embora deixe uma cicatriz como sequela.

Noutros casos, as lesões cutâneas, embora levem algum tempo a manifestarem-se, são mais prolongadas e adoptam aspectos diferentes, como os nódulos vermelhos ou acastanhados que vão progressivamente crescendo ou as pequenas elevações castanhas ou amareladas que se costumam unir. Apesar de as lesões, mais tarde ou mais cedo, terem a tendência para desaparecer de forma espontânea, deve-se realizar o tratamento oportuno tanto por questões estéticas como para prevenir uma sobreinfecção bacteriana. O tratamento consiste na aplicação local de sais de antimónio ou outras substâncias activas contra o parasita, embora por vezes se possa recorrer à extracção cirúrgica da lesão.

Informações adicionais

Leishmaniose cutâneomucosa

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Existem várias espécies de protozoários do género Leishmania difundidas na América, desde o México até ao norte da Argentina, transmissíveis ao ser humano através da picada de insectos, que provocam o desenvolvimento de úlceras na pele com um aspecto semelhante às evidenciadas pelo botão do Oriente. A mais difundida e grave das doenças causadas por estes parasitas é a denominada úlcera, um problema provocado pela Leishmania braziliensis braziliensis que, como se deduz pelo nome do agente causador, é endémico no Brasil e noutros países da costa amazónica.

A gravidade desta doença reside no facto de os microorganismos responsáveis, após penetrarem nas mucosas vizinhas, provocarem uma grande destruição dos tecidos. Visto que a picada do agente vector se produz na cara, na maioria das vezes, o problema afecta essencialmente as mucosas do nariz, lábios, céu da boca e faringe, através do aparecimento de lesões crónicas que, após formarem úlceras, sangram e vão progressivamente crescendo. Felizmente, consegue-se travar a processo através do tratamento oportuno, embora nos casos em que as mucosas sejam afectadas, se tenha que recorrer à realização de uma cirurgia para se reparar os tecidos danificados.

Para saber mais consulte o seu Infecciologista ou o seu Médico Internista ou o seu Especialista em Medicina Tropical
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