Acção patogénica dos microorganismos

Os agentes infecciosos que penetram no organismo podem provocar danos através de dois mecanismos básicos: pela invasão directa e prejudicial dos tecidos ou pela produção de substâncias tóxicas.

Agressividade dos microorganismos

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A agressividade dos microorganismos patogénicos, denominada viruléneia, depende de diversos factores que condicionam a sua capacidade em penetrar no organismo e invadir os tecidos, provocando lesões directas nas células que atacam ou produzindo substâncias com efeitos tóxicos. Embora existam microorganismos tipicamente pouco agressivos que provocam doenças de ligeiras consequências que desaparecem por completo, sem deixarem sequelas, devido à eficácia da resposta defensiva da vítima, existem outros muito virulentos, insensíveis ao ataque do sistema imunitário, que elaboram potentes venenos e põem em perigo a vida ou provocam graves sequelas. Como é óbvio, entre os dois extremos existe uma vasta gama de possibilidades.

No início de uma infecção, o factor mais importante é o poder de adesão dos microorganismos, ou seja, a capacidade dos microorganismos em se unirem às superfícies das células para depois as infectarem, sendo assim que os micróbios se implantam, conforme a via de contágio. Na superfície da pele ou das mucosas das regiões do corpo às quais acedem. Depois de penetrarem no organismo, os micróbios utilizam este mesmo processo para acederem aos tecidos internos.

Como rodos os agentes infecciosos contam com recursos que garantem a soa adesão, os recursos são muito distintos. Por exemplo, muitos dispõem na sua superfície de proteínas que se unem especificamente a outras presentes em determinadas células do portador, de modo a assegurarem a sua fixação. Existem igualmente determinadas condições que favorecem o fabrico de cenas proteínas. Normalmente conhecidas como adesinas, que lhes permitem fixar-se a superfície das células do portador e unirem-se entre si, aglomerando-se, de modo a formarem colónias. Todavia, os recursos dos microorganismos são muito variados, já que algumas bactérias contam, por exemplo, com filamentos superficiais, denominados fímbrias, através dos quais se prendem às células do portador. É através de todas estas formas que os agentes infecciosos conseguem estabelecer-se no portador e, em seguida, colonizar o organismo de forma a desenvolver a sua acção.

Capacidade de disseminação

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Para penetrarem no organismo do portador, os agentes infecciosos têm que ultrapassar as barreiras naturais que se lhes opõem e os mecanismos imunitários que os mantém à distância. Visto que alguns microorganismos dispõem de reduzidos recursos para o conseguirem, apenas conseguem invadir o organismo do paciente quando as suas defesas se encontram reduzidas. Assim sendo, determinados microorganismos que habitam na superfície do corpo, sem provocarem problemas, podem transformar-se em agentes patogénicos, caso o indivíduo, por qualquer motivo, se encontre debilitado e as suas defesas orgânicas percam eficácia.

Existem outros agentes infecciosos que, como contam com recursos que garantem a sua capacidade de infectar os tecidos, se tornam virulentos. É o caso das bactérias, cuja superfície é constituída por elementos que interferem ou neutralizam a capacidade defensiva do organismo e fabricam específicas substâncias denominadas agresinas, as quais atacam os elementos orgânicos que resistem à sua invasão. As agresinas são enzimas que decompõem as secreções que formam a camada protectora existente sobre as mucosas, destroem as fibras de tecido conjuntivo, dificultam a formação de coágulos sanguíneos, alteram os componentes das membranas celulares, etc.

Toxinas microbianas

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Existem inúmeros microorganismos, sobretudo bactérias, que conseguem elaborar toxinas, substâncias que passam para a periferia ou se difundem através do organismo e provocam alterações funcionais de diversa gravidade, conforme o caso. Estes microorganismos nem sempre infectam os órgãos internos de forma a provocarem graves prejuízos nas suas vítimas. É possível distinguir dois tipos básicos de toxinas: as exotoxinas e as endotoxinas.

As exotoxinas são uma espécie de veneno que determinadas bactérias fabricam e segregam continuamente, de modo a difundirem-se pelo organismo, por exemplo, através dos líquidos orgânicos, sobretudo pelo sangue, e chegarem a sectores mais ou menos afastados da porta de entrada. Cada uma das espécies bacterianas produtoras de exotoxinas fabrica uma substância nociva específica, cujos efeitos provocam as manifestações da doença infecciosa provocada pelo microorganismo em questão. É preciso referir que algumas exotoxinas, como as elaboradas pelas bactérias responsáveis pelo tétano, são tão potentes que podem ser letais, mesmo que o número de microorganismos provocadores da infecção seja reduzido.

As endotoxinas são aglomerações pertencentes à estrutura de algumas bactérias, que apenas são libertadas após a destruição dos microorganismos. Os seus efeitos são menos potentes do que os das exotoxinas e, normalmente, correspondem aos típicos dos processos infecciosos, como a subida de temperatura do corpo e alterações na circulação sanguínea.

Informações adicionais

O médico responde

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Ouvi dizer que as toxinas produzidas por determinadas bactérias silo alguns dos venenos conhecidos mais potentes. É verdade?

De facto, sim. Um claro exemplo corresponde à exotoxina produzida pelo Clostridium botulinum, o agente causador do botulismo, que é tão potente que apenas 1g pode provocar a morte de milhões de pessoas.

Para saber mais consulte o seu Infecciologista
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