Cancro da vesícula e das vias bíliares

Os tumores malignos desenvolvidos na vesícula ou nas vias biliares são pouco frequentes, mas muito perigosos.

Tipos e evolução

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Costuma-se tratar de carcinomas, que se originam a partir do tecido epitelial ou glandular que reveste o interior da vesícula e das vias biliares.

O mais comum é o carcinoma da vesícula biliar, de baixa incidência, mas mesmo assim o quinto em frequência entre todos os tumores malignos do aparelho digestivo. A sua origem exacta não se conhece; contudo, no mínimo, 80% dos casos apresentavam um antecedente de cálculos nas vias biliares.

O carcinoma das vias biliares, um pouco menos frequente do que o anterior, pode localizar-se no canal hepático comum, no colédoco ou, mais raramente, no canal cístico.

Estes tumores são assintomáticos enquanto não provocarem uma obstrução das vias biliares e o resultante obstáculo ao fluxo da bílis ou, então, até que no seu desenvolvimento se infiltrem ou comprimam de maneira visível os tecidos adjacentes. As manifestações do cancro da ve-sícula biliar costumam sobrepor-se às causadas previamente pelos cálculos. Pode-se apresentar uma colecistite aguda se o tumor obstrui o canal cístico ou quando se desenvolve uma colecistite crónica cujos sintomas se vão acentuando. A dor na parte superior direita do abdómen, a icterícia e os problemas digestivos, especialmente os vómitos, são os sintomas mais habituais. O progressivo desenvolvimento tumoral comporta uma gradual perda de apetite e leva a um notório emagrecimento, além de provocar manifestações próprias da invasão cancerosa dos órgãos abdominais próximos, muito variadas em cada caso.

Os tumores desenvolvidos nas vias biliares costumam provocar uma intensa icterícia: o fluxo de bílis bloqueia e a bilirrubina passa pelo sangue para se depositar na pele, que adquire uma tonalidade amarelada ou até esverdeada. A isto soma-se um ardor intenso devido à irritação cutânea provocada pelo depósito de bilirrubina na pele. Também costuma aparecer, às vezes em fases mais avançadas, uma dor contínua e de intensidade crescente na zona superior do abdómen.

Em fases avançadas, podem-se produzir complicações derivadas da patologia de outros órgãos vizinhos, embora seja frequente que se trate das primeiras manifestações de um tumor até então silencioso: pancreatite, peritonite, obstrução intestinal... Por outro lado, tendem a produzir-se propagações à distância ou metástases em outros órgãos, cujo desenvolvimento ensombra o prognóstico.

Tratamento

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Se o desenvolvimento do cancro ainda for limitado, como ocorre quando aparecem manifestações precoces, pode-se proceder à sua extracção total. Mas isto nem sempre é possível, porque muitas vezes o diagnóstico realiza-se em fases evolutivas tardias, quando já se propagou e não é possível a sua extracção completa. Então, apenas resta proceder à colocação de uma prótese que permita evacuar o fluxo da bílis até ao intestino e instaurar um tratamento paliativo que constitua um melhoramento na qualidade de vida do paciente.

Informações adicionais

O médico responde

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Num exame de rotina, o médico encontrou pedras na vesícula e, embora não me incomodem, disse que era conveniente ser operado porque com o tempo poderiam provocar um cancro. Será um perigo assim tão grave que justifique a operação?

Não se trata de um perigo imediato, mas não pode ser desprezado a longo prazo. Segundo os dados estatísticos, cerca de I% das pessoas com cálculos nas vias biliares origina, mais cedo ou mais tarde, um cancro da vesícula biliar. A percentagem é pequena, mas o risco é significativo dado a elevada incidência da litíase biliar, razão pela qual muitos médicos optam por aconselhar os seus pacientes a extrair a vesícula sempre que se detectem cálculos no seu interior.









Para saber mais consulte o seu Cirurgião Geral ou o seu Gastroenterologista
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