Feridas cutâneas cuidados

As erosões e os cortes superficiais são feridas comuns na vida quotidiana que podem ser tratadas sem a intervenção de um médico, mas convém respeitar algumas indicações básicas de modo a prevenir eventuais complicações.

Definição e riscos

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Para se definir se uma ferida é ligeira e não necessita de uma intervenção médica específica, deve ter-se em conta vários factores, como por exemplo a sua extensão, já que, para ser pequena, a ferida não deve ultrapassar o tamanho da palma da mão. Um outro factor corresponde à profundidade. Apenas se pode considerar ligeira uma ferida que não ultrapasse a pele, como por exemplo, uma escoriação que provoque a desunião das camadas externas, um corte superficial cuja hemorragia pare espontaneamente ou possa ser travada através de uma simples compressão da zona. É igualmente importante a localização da lesão, já que não pode considerar-se sem importância, por exemplo, uma ferida muito próxima de um orifício natural. Por último, um outro factor relevante é a sujidade. Uma ferida muito contaminada, ou seja, uma ferida em que, após uma primeira limpeza, ainda apresente restos de terra ou pequenas pedras, nunca pode ser considerada inofensiva. Por outro lado, em caso de cortes, considera-se que as feridas cujas extremidades apresentam irregularidades, se encontram deterioradas ou permaneçam separadas necessitam sempre de intervenção médica, na medida em que é necessário eliminar os tecidos muito danificados e eventualmente efectuar uma sutura de modo a facilitar a sua cicatrização.

Dado que a evolução natural de qualquer ferida cutânea corresponde à sua reparação espontânea. Caso se trate de uma ferida ligeira, ao fim de uma semana a lesão já estará cicatrizada e a pele da zona terá a mesma resistência que tinha antes do acidente. Embora possa permanecer uma marca ou cicatriz, quando a ferida é ligeira, a marca será sempre pequena.

O principal perigo corresponde à sua infecção, já que todas as feridas podem constituir uma porta de entrada para microorganismos que, caso encontrem as condições propícias, podem aglomerar-se, danificar os tecidos locais ou difundirem-se através da circulação a outros pontos do organismo, constituindo um perigo evidente que apenas pode ser prevenido através do cuidadoso tratamento da lesão.

Primeiros socorros

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Todas as feridas, por mais pequenas que sejam, necessitam de ser devidamente limpas e desinfectadas. É necessário eliminar toda a sujidade e agir eficazmente contra os microorganismos eventualmente presentes na lesão de modo a evitar uma infecção e possibilitar o normal desenvolvimento do processo de reparação espontânea.

Em primeiro lugar, é preciso examinar a ferida, desviando a roupa se for necessário (1), de modo a avaliar a sua gravidade, dado que se parecer muito profunda, se for muito extensa, se se localizar numa zona delicada ou se sangrar abundantemente e a hemorragia não puder ser travada com métodos simples, deve optar-se por consultar um médico. De facto, só se deve solucionar o problema com métodos caseiros, quando não existir qualquer dúvida de que se trata de uma ferida ligeira.

Limpeza da ferida. Este é, obrigatoriamente, o primeiro passo, já que se deve sempre considerar que as feridas podem estar sujas e contaminadas. Quem tentar ajudar a vítima deve lavar bem as mãos com água e sabão azul e branco para não aumentar a contaminação (2). A correcta limpeza da ferida compreende dois passos. Em primeiro lugar, deve-se colocar a parte afectada debaixo de um jacto de água da torneira ou utilizar soro fisiológico, algo que se deve sempre ter na nossa farmácia (3). Depois, deve-se efectuar uma limpeza mais cuidadosa com uma gaze humedecida, molhada com sabonete neutro, que deve ser passada desde o centro da ferida até à periferia de modo a arrastar toda a sujidade (4). Depois deve-se efectuar uma passagem por água abundante ou soro fisiológico de modo a eliminar o resto do sabonete (5) e, por fim, secar cuidadosamente a ferida com uma nova gaze (6).

Desinfecção da ferida. Após a limpeza da ferida, é necessário proceder à aplicação de um anti-séptico que assegure a eliminação de microorganismos que possam provocar uma infecção. Este procedimento necessita de dois elementos que devem estar sempre presentes em qualquer farmácia: gazes esterilizadas e um antiséptico líquido. Nestes casos, não convém utilizar algodão, pois podem libertar -se alguns filamentos, cuja presença na ferida poderia dificultar a sua cura. Para além disso, não se devem utilizar anti-sépticos sob a forma de pomadas, pois amolecem a pele e não favorecem a cura da ferida, nem em pó, porque formam coágulos que também perturbam a evolução natural da lesão. Por isso, deve-se empapar uma gaze esterilizada no anti-séptico líquido e passá-la sobre a ferida e à sua volta (7).

Cuidados posteriores. Após a aplicação do anti-séptico, convém deixar a ferida ao ar livre de modo a facilitar a sua cicatrização. De qualquer forma, deve-se optar por revestir a lesão caso esta esteja numa zona muito exposta e exista um evidente risco de se sujar ou quando a sua localização a expõe a determinados atritos. Para se revestir a ferida, basta colocar uma gaze esterilizada, sobre a lesão, (8) fixada com um penso hipoalergénico ou com uma ligadura suave (9).

Enquanto não se comprovar a cura total da lesão, convém observar a sua evolução diária para detectar se aparecem sinais de infecção como vermelhidão, tumefacção, pus e dor, o que, a confirmar-se, exige uma imediata consulta médica. Caso contrário, deve-se proceder a uma nova aplicação de anti-séptico. Caso se forme uma crosta, não se deve arrancá-la já que sua presença é muito útil para prevenir uma contaminação. Ela acabará por cair de forma espontânea ao fim de alguns dias, quando a pele subjacente já tiver sido renovada.

Informações adicionais

Prevenção do tétano

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A consequência mais grave de uma ferida é o tétano, uma infecção muito grave e potencialmente fatal provocada por uma bactéria denominada Clostridium tetani. Trata-se de um microorganismo que se encontra em todas as superfícies, na terra, nos materiais afiados responsáveis pelos cortes, entre outros. Para além disso, a ferida não precisa de ser grande para que possa existir risco de contaminação, já que o principal perigo corresponde às feridas pequenas que, precisamente por este motivo, não são devidamente tratadas. A prevenção do tétano baseia-se na vacinação. Por isso, a sua sistemática aplicação durante a infância é, em muitos países, obrigatória (o que justifica o facto de as crianças costumarem estar protegidas), embora necessite de um reforço em cada dez anos ao longo da vida. Em suma, quando se tem uma ferida, por mais pequena que seja, caso não se tenha a certeza de ter a vacinação em dia, deve-se consultar um médico o mais depressa possível, para que este decida qual a medida de prevenção.

O médico responde

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Qual o melhor anti-séptico para desinfectar uma ferida ligeira?

Embora existam vários produtos eficazes, deve-se fazer algumas considerações. Em primeiro lugar, não se deve utilizar água oxigenada, que embora possa ser utilizada para limpar a ferida, nunca assegura a sua desinfecção, já que não destrói todos os microorganismos. Se bem que seja muito utilizado, o álcool também não é muito aconselhável, pois é muito irritante para a pele danificada e, além disso, não é eficaz. Deve-se igualmente evitar a utilização de anti-sépticos muito coloridos, como o mercurocromo, porque tingem a zona de um vermelho intenso que dificulta a detecção de sinais que anunciem a eventual infecção da ferida. Em suma, convém utilizar um anti-séptico líquido incolor dos diversos que existem na farmácia ou a povidona iodada, que tem uma cor amarelada, mas é muito eficaz contra uma grande maioria dos microorganismos, sendo pouco irritante e tendo um efeito duradouro.

Para saber mais consulte o seu Cirurgião Geral
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