Ligaduras

Embora as ligaduras tenham várias aplicações, a principal consiste na imobilização de uma parte do corpo lesionada, devido a um traumatismo ou qualquer alteração osteoarticular.

Generalidades

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As ligaduras são tiras de tecido ou de um outro material equivalente que envolvem um membro ou outras partes do corpo.

Embora tenham inúmeras aplicações, a sua principal função é limitar o movimento de uma parte do corpo lesionado ou proporcionar-lhe sustentação, como medida de tratamento em caso de entorses, luxações ou fracturas sem deslocação.

Existem vários tipos de ligaduras com diferente textura, elasticidade, resistência e formas, entre as quais as típicas em rolo, as modernas tubulares, as triangulares utilizadas na elaboração de ligaduras de sustentação, entre outras.

Técnica de colocação

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Para se colocar uma ligadura clássica, deve-se segurar a extremidade livre da ligadura num determinado ponto da zona do corpo que deve ser tratada e, depois, efectuar-se várias voltas em torno da zona que se pretende imobilizar até se obter o efeito pretendido. Existem inúmeras formas de envolver a ligadura, que deve ser seleccionada em função da zona do corpo a ser tratada e do objectivo da utilização da ligadura.

De facto, para se ligar uma parte cilíndrica do corpo de circunferência uniforme, como um braço ou um dedo, costuma-se utilizar a ligadura em rolo, em que a ligadura é colocada numa direcção ligeiramente oblíqua à estrutura da extremidade e cada volta, paralela à precedente, deve cobrir parcialmente a anterior, aproximadamente em dois terços da sua largura, de modo a progressivamente constituir uma ligadura em forma de espiral.

As zonas de articulação móveis, como o tornozelo, o cotovelo ou o pulso, costumam ser ligadas com as denominadas ligaduras em oito, começando-se por efectuar duas voltas circulares no centro da articulação e, depois, aplicar a ligadura alternadamente para cima e para baixo, descrevendo uma forma semelhante a um 8, de modo a que cada volta cubra parcialmente a anterior, cruzando-se na parte posterior sempre pelo centro da articulação.

Embora existam outras formas de actuar, deve-se ter sempre algumas precauções, ou seja, nunca se deve dar mais voltas do que as necessárias e, se for necessário, deve-se cortar a ligadura que eventualmente sobre. Contudo, caso se pretenda imobilizar uma zona com ligadura e se detecte uma irregularidade, enquanto se estiver a colocar a ligadura, deve-se recuar até ao ponto irregular ou até mesmo começar de novo, já que caso se continue a enrolar a ligadura, não é possível apertá-la bem.

A ligadura deve manter a mesma espessura ao longo de toda a sua extensão, de forma a que não fiquem áreas mais consistentes do que outras. Deve-se igualmente ter em conta que a ligadura deve ficar suficientemente ajustada, para garantir o seu objectivo, mas sem ficar demasiado apertada, pois nesse caso pode provocar problemas circulatórios.

Por outro lado, quando se coloca uma ligadura apertada sobre uma articulação ou uma proeminência óssea, deve-se proteger previamente a zona com uma almofada, por exemplo de algodão, já que desta forma evita-se que os tecidos moles sejam comprimidos entre a ligadura apertada e as partes duras, provocando complicações.

Complicações

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Uma ligadura demasiado apertada pode dificultar a circulação sanguínea ou comprimir algum nervo da zona e originar graves problemas. Existem determinados sinais e sintomas, que se manifestam sobretudo na parte distal do membro ligado, os quais evidenciam este tipo de problemas: dor, sensação de formigueiro, arrefecimento da extremidade, palidez cutânea ou edema, etc. Caso seja colocada uma ligadura no tornozelo, estes sinais e sintomas manifestam-se nos dedos do pé e, caso se trate de uma ligadura no pulso, os mesmos manifestam-se nos dedos da mão - por isso, convém deixar os dedos a descoberto. Perante o aparecimento dos sinais e sintomas descritos, pode ser suficiente efectuar alguns cortes na parte superior da ligadura, mas caso se observe que o problema se mantém deve-se consultar imediatamente um médico ou trocar a ligadura por outra menos apertada.

Informações adicionais

Ligadura de sustentação

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A ligadura de sustentação consiste numa ligadura apoiada no pescoço, com vista a suster o antebraço e a manter o membro imobilizado, restringindo os movimentos do ombro. Costuma ser efectuada com uma ligadura triangular, disponível no mercado em vários tamanhos, embora numa situação de urgência se possa recorrer à utilização de cachecóis, cintos ou à própria roupa do acidentado.

União da ligadura

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A união da ligadura pode ser efectuada através de vários recursos:

- com um adesivo;

- com alfinetes-de-ama (convém incluí-los na caixa de primeiros socorros);

- cortando a ligadura ao meio e unindo as extremidades com um nó;

- dobrando a ligadura para trás, na direcção oposta à enrolada e, quando se efectuar a dobra, realizar um nó com a ponta solta da ligadura.

Talas

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As talas designam vários dispositivos utilizados para limitar a mobilidade ou mesmo imobilizar um membro como parte do tratamento de traumatismos. Embora possam ser utilizadas no tratamento de urgência de uma fractura, de modo a proceder-se ao transporte da vítima (de facto, a própria tábua improvisada constitui uma tala), por vezes, são suficientes para provocar uma imobilização suficiente, em caso de fractura sem deslocação, que não necessite de ser engessada, ou como tratamento de entorses e luxações.

As talas costumam ter várias formas, sendo adaptadas ao tipo de lesão a que se destinam. Podem ser feitas com vários materiais como, por exemplo, arame entrelaçado, metais rígidos ou flexíveis, gesso, plásticos, etc. Para além disso, existem igualmente as talas insufláveis, utilizadas pelas equipas de socorro em situações de urgência, que devem ser colocadas, em primeiro lugar, à volta da parte lesionada e, depois, insufladas, de modo a garantir uma boa imobilização.

Para saber mais consulte o seu Especialista em Medicina Desportiva ou o seu Ortopedista
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