Tumores medulares

Os tumores que comprimam ou destruam a medula espinal provocam alterações da sensibilidade e problemas motores de intensidade progressiva. Por vezes, é possível obter uma evidente recuperação com o oportuno diagnóstico e tratamento.

Tipos

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O tumor medular designa todas as formações celulares anómalas que se desenvolvem no interior do canal raquidiano, onde a medula espinal se encontra, e podem provocar a destruição da própria medula ou das raízes nervosas que dela nascem. Existem dois tipos de tumores: os tumores primitivos, que surgem na própria medula espinal, e os tumores secundários, provenientes de um tumor primitivo situado numa outra parte do organismo.

Os tumores medulares primitivos representam sensivelmente 60 a 70% dos casos e costumam desenvolver-se a partir dos tecidos formados na medula espinal, nomeadamente as raízes espinais, as membranas das meninges que revestem a medula e a coluna vertebral - por isso, é possível distinguir vários tumores, embora todos eles provoquem repercussões semelhantes. Os mais comuns são os meningiomas, originados nas células que constituem as meninges. Existem igualmente os gliomas, gerados nas células da neuróglia da medula espinal, os ependimomas, nascidos nas células que formam o revestimento do canal central da medula, e também os neurofibromas, originados pelas células constituintes do revestimento das fibras nervosas que formam as raízes espinais. Os sarcomas são igualmente comuns, sendo originados no tecido ósseo das vértebras que formam a coluna.

Os tumores medulares secundários (30 a 40% dos casos) correspondem a metástases, ou seja, a focos de tumores provocados pelo crescimento de células cancerosas provenientes de um tumor primitivo mais ou menos afastado que chegue até à medula através da circulação sanguínea. Embora a medula possa ser alvo de inúmeras metástases, os mais frequentes são o da mama, o da próstata, o do pulmão, o do rim e o da tiróide.

Manifestações

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As repercussões do desenvolvimento do tumor dependem da sua localização e ritmo de crescimento. Basicamente, a compressão ou destruição do tecido nervoso manifesta-se através de um aparecimento progressivo de problemas relacionados com a sensibilidade e com a força muscular nas regiões do corpo inervadas pelas raízes nervosas do segmento medular afectado e, por vezes, pelas raízes que nascem abaixo do mesmo.

Em caso de meningiomas ou sarcomas, tumores que se desenvolvem exteriormente à medula, as repercussões correspondem a uma progressiva compressão das raízes espinais e à sua consequente perturbação na condução dos impulsos nervosos. Por outro lado, em caso de compressão das raízes posteriores, através das quais os estímulos sensitivos provenientes da periferia chegam à medula, a manifestação inicial costuma corresponder ao aparecimento de uma intensa dor nas zonas cutâneas inervadas pelos nervos afectados. Para além disso, o aumento da percepção dos estímulos tácteis, dolorosos ou térmicos, o surgimento de formigueiros e de uma sensação de intumescimento ou de entorpecimento podem provocar alterações ao nível da sensibilidade. Por outro lado, à medida que a doença vai evoluindo, a paulatina diminuição da sensibilidade evolui para uma anestesia total. A danificação das raízes anteriores que conduzem os estímulos motores provoca uma progressiva perda de força nos músculos inervados pelos nervos afectados, o que nas fases avançadas pode evoluir para uma paralisia total. No caso dos tumores desenvolvidos no interior da medula espinal, independentemente de serem primitivos ou secundários, os sintomas variam em função da sua localização. Em condições normais, como o tumor cresce à volta do canal condutor da medula, onde existe um cruzamento das fibras nervosas para os lados, a zona cuja inervação depende do segmento medular afectado, de início, costuma apresentar uma alteração da sensibilidade num dos lados do corpo e problemas maiores no outro ou ambos os tipos de problemas em ambos os lados. À medida que o tumor vai comprimindo ou destruindo os feixes de fibras nervosas, a substância branca através dos quais os estímulos sensitivos são transmitidos às estruturas do sistema nervoso central e os estímulos motores são enviados a partir das ditas estruturas, vão surgindo manifestações ao longo da zona inervada pelo segmento afectado como nas zonas que se situam abaixo do mesmo, o que provoca alterações ao nível da sensibilidade e perda de força muscular ou uma paralisia mais ou menos extensa: por exemplo, na zona inferior do corpo, caso o tumor se desenvolva ao nível da região medular lombar, ou praticamente em todo o corpo, caso o mesmo se localize numa região medular cervical.

Informações adicionais

Evolução

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Caso não se proceda ao seu eficaz tratamento, as manifestações dos tumores medulares vão-se intensificando com o tempo, o que provoca o aparecimento de problemas mais extensos. É possível que durante as primeiras fases de evolução do tumor, sobretudo quando este é benigno, as alterações sensitivas e motoras sejam provocadas por uma compressão que, embora altere o funcionamento do tecido, não o destrói. Nestes casos, pode-se conseguir, por vezes, uma recuperação praticamente total, se o seu devido tratamento for oportunamente iniciado. Por outro lado, nas fases mais avançadas, sobretudo quando o tumor é maligno, o tecido nervoso pode ser danificado. Nestes casos, mesmo que se proceda à eliminação do tumor, a sua evolução já terá provocado problemas de maior ou menor gravidade. Por outro lado, os tumores malignos provocam as repercussões habituais de todos os cancros, com uma extensão do processo e uma deterioração do estado geral que, nas fases mais avançadas, pode conduzir à morte do paciente.

Tratamento

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O tratamento depende, sobretudo, da natureza e da localização do tumor medular. Na grande maioria dos casos, costuma-se proceder à remoção do tumor, através da realização de uma intervenção cirúrgica. No entanto, por vezes, pode-se igualmente recorrer à radioterapia, quer seja para reduzir as dimensões do tumor, de modo a facilitar a cirurgia ou limitar o seu crescimento, quando não é possível proceder-se à sua extracção total. A administração de corticóides, para reduzir a reacção inflamatória originada pela compressão provocada pelo tumor, é igualmente comum, de modo a melhorar os sinais e sintomas, bem como o resultado da intervenção cirúrgica. Por fim, em caso de tumores malignos, independentemente do seu tipo, deve-se proceder a sessões de quimioterapia anticancerosa.

É preciso referir que os avanços na cirurgia contribuíram decisivamente para melhorar as expectativas de cura e para se obter a cura total nos casos em que o tumor é precocemente detectado. De facto, a extracção do tumor, sobretudo quando este é benigno, possibilitou em muitos casos a recuperação total do paciente. Todavia, quando o tumor já danificou o tecido nervoso, o que provoca problemas irreversíveis, embora não se consiga a recuperação total, por vezes, consegue-se travar a evolução da doença.

Para saber mais consulte o seu Neurocirurgião ou o seu Neurologista ou o seu Neurorradiologista
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