Funcionamento do tecido nervoso

O tecido nervoso funciona graças a uma sucessão específica de impulsos eléctricos de baixa voltagem, gerados nos neurónios perante determinados estímulos, que devem ser transmitidos de uns para os outros até que os impulsos nervosos cheguem ao seu destino.

Produção do impulso nervoso

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O neurónio é uma célula com a peculiar capacidade de gerar ou receber sinais de outros neurónios, transmitidos através de um complexo mecanismo físico-químico sob a forma de impulsos nervosos. A ocorrência destes estímulos favorece a produção de determinadas alterações bioquímicas no neurónio, capazes de desencadear um sinal eléctrico que percorre toda a célula ao longo do axónio, prolongamento que actua como se fosse um "cabo", até estabelecer a comunicação com os neurónios adjacentes, na extremidade do axónio. No fundo, o processo é o seguinte: uma ordem elaborada no córtex cerebral vai passando sucessivamente através de diversos neurónios até chegar a um músculo do pé e provocar a sua contracção ou através de um estímulo táctil aplicado sobre a pele de um dedo do pé que percorre o sentido inverso até chegar ao cérebro e converter-se numa sensação.

Todos os neurónios apresentam uma carga eléctrica diferente do interior para o exterior da membrana celular, sendo essa diferença determinada pela diferente concentração de iões, ou seja, partículas com carga eléctrica positiva ou negativa. Em condições de repouso, o exterior da membrana celular apresenta uma carga eléctrica positiva, enquanto que a do interior é negativa - a diferença, denominada potencial de membrana, é de cerca de 60 a 70 uV. Esta diferença é assegurada por um mecanismo bioquímico denominado "bomba de sódio".

O impulso nervoso é desencadeado por qualquer factor que provoque um brusco aumento da permeabilidade da membrana celular ao sódio, pois a entrada de partículas deste leva a um aumento da carga positiva no interior da célula, o que vai progressivamente invertendo a diferença de potencial, num processo denominado despolarização. Ao atingir um determinado ponto, caso haja estímulo suficiente, ou seja, caso se produza uma inversão de cerca de 50 a 150 V na carga eléctrica, desencadeia-se um potencial de acção, em que a corrente se propaga por toda a célula até a extremidade do axónio. Para alcançar novamente o estado eléctrico de repouso, altera imediatamente a permeabilidade da membrana de potássio, através de uma "bomba" que estimule a saída de iões K+ da célula e também de sódio, que não consegue penetrar no seu interior. Graças a este processo, denominado repolarização, consegue alcançar a situação de repouso, na qual o neurónio deixa de gerar ou receber um novo impulso, durante determinado período de tempo, denominado período refractário, pelo que a realização de um novo potencial de acção apenas é possível após o fim deste período.

Transmissão do impulso nervoso

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Cada estímulo nervoso gerado no neurónio, devido a alterações metabólicas espontâneas produzidas no interior da célula por mecanismos ainda pouco claros ou como resposta a um determinado estímulo sobre a sua superfície (eléctrico, táctil, térmico, etc.), percorre o axónio sob a forma de sinal eléctrico até chegar a extremidade da fibra nervosa, onde o impulso é transmitido a outros neurónios adjacentes, não por contacto directo, mas através de uma ligação especial denominada sinapse.

A extremidade do axónio é composta por inúmeras ramificações que se estendem praticamente até aos neurónios adjacentes, sendo separadas das mesmas por um estreito espaço denominado fenda sináptica. Os impulsos nervosos, para actuarem sobre os outros neurónios, têm de atravessar esse espaço, através de substâncias químicas denominadas neurotransmissores, não o fazendo enquanto correntes eléctricas.

Cada neurónio elabora um neurotransmissor específico, que permanecerá armazenado em pequenos grânulos acumulados nas ramificações do axónio. Perante a chegada de um impulso nervoso eléctrico a extremidade do axónio, parte desses grânulos unem-se a membrana celular e libertam o seu conteúdo para a fenda sináptica. Ao atravessar este espaço, o neurotransmissor junta-se a determinados receptores específicos presentes na superfície dos neurónios adjacentes, o que gera certas alterações bioquímicas na sua membrana. o efeito provocado sobre o neurónio em que actua depende do tipo de neurotransmissor, pois tanto pode desencadear um potencial eléctrico (sinapse estimuladora), como pode, pelo contrário, reduzir a sua estimulação (sinapse inibidora). De facto, tendo em conta que cada neurónio estabelece sinapses com inúmeros neurónios vizinhos, por vezes com vários milhares, a sua resposta depende da soma de todas as sinapses estimuladoras e inibidoras recebidas. Caso estes estímulos desencadeiem um potencial de acção, acabam por gerar um sinal eléctrico que percorre toda a célula até a extremidade do axónio, provocando a libertação do seu neurotransmissor nas correspondentes sinapses, o que permite a propagação da informação.

Informações adicionais

Neurotransmissores

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Os neurotransmissores são substâncias químicas sintetizadas pelos neurónios, que se encarregam da transmissão dos impulsos nervosos. Existem vários tipos de neurotransmissores, cada um com uma função específica. Um dos mais importantes é a acetilcolina, um neurotransmissor presente nas formações cerebrais, que intervém em funções como a consciência ou a memória, sendo igualmente responsável pela transmissão dos impulsos que provocam a contracção dos músculos. Um outro neurotransmissor muito importante é a noradrenalina, mediador químico presente em várias redes de neurónios do encéfalo, encontrando-se também envolvido no funcionamento do sistema nervoso autónomo simpático, produzido nos neurónios pertencentes ao mesmo e também nas glândulas supra-renais - em situações de stress, passa para a corrente sanguínea, de modo a actuar sobre todo o organismo. Existem também outros dois neurotransmissores importantes no funcionamento do encéfalo: a dopamina, mediador químico envolvido em algumas actividades mentais e controlo dos movimentos voluntários, e a serotonina, que participa nos actos conscientes e na actividade do hipotálamo.

Propagação do impulso nervoso

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Após ser desencadeado, o impulso nervoso propaga-se, ao longo do axónio, a velocidade constante. No entanto, a velocidade de propagação pode divergir, se o axónio for ou não revestido por uma bainha de mielina e em função do seu diâmetro. Nas fibras nervosas amielínicas (sem bainha de mielina), o impulso nervoso propaga-se de maneira contínua e uniforme ao longo da membrana celular, como se fosse uma onda, a uma velocidade de 3 m por segundo. Por outro lado, nas fibras nervosas mielínicas, o impulso propaga-se a uma velocidade significativamente maior, porque "salsa" de um nódulo de Ranvier para outro, sem que a membrana celular subjacente participe na condução do mesmo - daí que a velocidade oscile entre os 30 e os 170 m por segundo, conforme o diâmetro e a distância que separa os nódulos de Ranvier.

Para saber mais consulte o seu Neurocirurgião ou o seu Neurologista ou o seu Neurorradiologista
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