Traumatismos das vias urinárias

Os golpes, as quedas e as feridas profundas são as causas mais frequentes de traumatismos das vias urinárias, podendo provocar lesões que, caso não sejam devidamente tratadas, podem originar inúmeras complicações.

Causas e tipos

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Denominam-se traumatismos das vias urinárias as lesões e doenças, provocadas por impactos violentos ou feridas profundas, que afectam os uréteres, a bexiga ou a uretra.

Os traumatismos ureterais são pouco frequentes, sendo normalmente provocados por feridas na parede abdominal ou lombar, com objectos afiados ou pontiagudos, que perfurem ou cortem o uréter, podendo igualmente produzir-se acidental mente, no decorrer de intervenções cirúrgicas ginecológicas e intestinais.

Os traumatismos vesicais costumam ser provocados por feridas profundas na zona inferior do abdómen ou por impactos violentos na zona, especialmente quando a bexiga se encontra cheia. Também podem ser provocados por fracturas dos ossos da bacia, originadas por acidentes e quedas, já que as extremidades dos fragmentos dos ossos, caso sejam pontiagudos, podem chegar a perfurar ou cortar a parede da bexiga.

Os traumatismos da uretra são mais frequentes nos homens do que nas mulheres, pois a das mulheres é consideravelmente mais curta. A causa mais frequente corresponde ao esmagamento deste canal contra a púbis devido a uma queda ou a um impacto sobre uma superfície dura, sobretudo quando se trata de uma queda com as pernas abertas sobre uma barra. As fracturas da bacia também podem provocar traumatismos na uretra.

Manifestações

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As manifestações mais importantes são provocadas pela saída da urina do interior das vias urinárias para os tecidos vizinhos e pela formação de coágulos de sangue que obstruam o fluxo da urina. Estas manifestações, a semelhança de outras que possam gerar os traumatismos, variam de acordo com a localização e gravidade das lesões.

Traumatismos ureterais. Os principais sintomas são uma dor na zona lombar, provocada pelas próprias lesões dos uréteres, e uma dor abdominal difusa e demasiado intensa, originada pela irritação provocada pelo derrame de urina no interior da cavidade abdominal devido a ruptura dos canais. Outras manifestações frequentes são náuseas, vómitos, febre, obstipação e perda de sangue com a urina. A evolução destes traumatismos é variável. Nos casos mais ligeiros, as lesões costumam sarar de forma espontânea, sem deixar sequelas, enquanto que nos casos mais graves deve-se proceder ao tratamento adequado, o mais cedo possível, de forma a evitar o aparecimento de complicaçöes agudas muito graves e também que o funcionamento dos rins seja afectado.

Traumatismos vesicais. O sintoma mais comum é uma dor intensa na zona superior da púbis, provocada pela ruptura da parede vesical. Por outro lado, qualquer ruptura vesical provoca dor abdominal difusa, mas muito intensa, devido a irritação provocada pelo contacto da urina com os tecidos intra-abdominais.

Outras manifestações habituais são a presença de sangue na urina e a redução do volume de urina emitido (oligúria) ou a ausência total de micções (anúria). Caso o problema não seja devidamente tratado, mais tarde ou mais cedo, acaba por propiciar o aparecimento de complicações muito graves, em especial uma peritonite ou outras infecções da cavidade abdominal.

Traumatismos uretrais. O primeiro sintoma corresponde a uma dor muito intensa e aguda no

pénis (homens) ou na base da pelve. Caso a lesão afecte o último segmento da uretra, costuma originar a saída espontânea de sangue através do meato urinário. Por outro lado, se a lesão afectar os primeiros segmentos do canal, a manifestação mais evidente deste caso (a seguir a dor) é a falta de micções, provocada pela formação de alguns coágulos sanguíneos que impedem a passagem da urina.

Tratamento

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A excepção dos casos em que as lesões são ligeiras e os tecidos costumam sarar espontaneamente, o tratamento deve passar pela cirurgia. Como o objectivo das intervenções cirúrgicas é garantir o fluxo normal de urina ao longo das vias urinárias, as técnicas utilizadas variam segundo as características de cada caso específico. Por exemplo, em caso de ruptura total de um uréter, deve-se unir os dois extremos do canal ou ligar o extremo superior directamente a bexiga ou ao outro uréter.

Em caso de ruptura da bexiga, é fundamental reconstruir a parede danificada do órgão. Por último, em caso de corte ou ruptura da parede da uretra, deve-se realizar um tratamento cirúrgico que contempla duas fases: em primeiro lugar, instalar um sistema de drenagem de urina provisório, que ligue a bexiga parede anterior do abdómen; numa segunda operação, realizada após a cicatrização da uretra, voltar a ligar a bexiga a uretra, com o objectivo de proceder a reparação dos tecidos danificados.

Informações adicionais

O médico responde

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Há alguns meses, caí durante uma escalada e infelizmente fi-lo contra uma rocha, com as pernas abertas, o que provocou um rasgo na uretra. Embora já tenha sido operado duas vezes e os médicos me digam que os tecidos já estão reparados, ultimamente tenho tido dificuldade em urinar com normalidade. Não sei se deva consultar outra vez o médico ou se aguarde algum tempo para ver se o problema desaparece...

As quedas com as pernas abertas sobre superfícies duras silo as causas mais frequentes de ruptura da uretra. Aparentemente, foi muito bem tratado, já que através das intervenções cirúrgicas que mencionou, conseguiu recuperar grande parte da funcionalidade do canal em eliminar a urina. No entanto, infelizmente, o processo de cicatrização favorece o aparecimento de aderências ou deformações na parede interna da uretra, o que consequentemente gera estenoses que podem dificultar as micções, originando desconforto ou dores e favorecendo o desenvolvimento de infecções. Convém consultar novamente o especialista, pois em alguns casos consegue-se dilatar a entrada da uretra através da introdução no seu interior de sondas especiais de diferente grossura.

Para saber mais consulte o seu Nefrologista ou o seu Urologista
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