Cancro broncopulmonar

É uma das formas mais frequentes de cancro, a principal entre a população masculina de alguns países desenvolvidos, onde o hábito de fumar é muito comum, constituindo uma das principais causas de mortalidade.

Causas

Topo

O cancro broncopulmonar é provocado pela transformação anómala de células da mucosa brônquica, que adquirem características atípicas, proliferando de maneira descontrolada. Estas constituem um tumor maligno que invade os tecidos vizinhos, o qual se dissemina posteriormente pelo organismo, dando origem a focos cancerosos secundários (metástases) em regiões afastadas do seu ponto de origem. À semelhança do que acontece com os cancros em geral, a causa desta transformação anómala ainda não é perfeitamente clara, embora já se conheçam alguns factores implicados na malignização das células brônquicas.

O principal factor responsável é, sem dúvida, o hábito de fumar, na medida em que o fumo produzido pela combustão do tabaco contém inúmeras substâncias, algumas com efeitos irritantes sobre a mucosa brônquica e outras, em particular as que constituem o alcatrão, com efeitos cancerígenos. Estas entre as quais se destacam determinados hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, actuam sobre as características genéticas das células da mucosa brônquica, o que provoca uma alteração no seu mecanismo de divisão celular, formando-se com uma estrutura diferente das originais, que proliferam de maneira descontrolada. Por seu lado, as substâncias irritantes diminuem as defesas locais aumentam a secreção mucosa e reduzem a capacidade dos cílios encarregues de eliminar a dita secreção dos brônquios, o que dificulta a evacuação do alcatrão e aumenta o seu potencial cancerígeno. Estes factos estão actualmente comprovados em inúmeros dados estatísticos que evidenciam uma relação directa entre a quantidade de cigarros consumidos habitualmente e o risco de cancro do pulmão.

A excessiva exposição a determinados produtos que tenham efeitos cancerígenos, como o amianto e minerais radioactivos (o urânio, entre outros), favorece igualmente o desenvolvimento do cancro broncopulmonar.

Por outro lado, existe um maior risco de padecimento deste tipo de cancro nas pessoas que vivem em atmosferas muito contaminadas, como os grandes centros urbanos, devido ao elevado número de substâncias potencialmente cancerígenas libertadas pelos escapes dos veículos, aparelhos domésticos e algumas indústrias.

Tipos

Topo

Embora o cancro broncopulmonar seja sempre provocado pela transformação maligna de algumas células do epitélio ou das glândulas da mucosa brônquica, é possível distinguir vários tipos, com diferentes características, conforme o tipo de células a partir do qual se desenvolve.

Carcinoma de células escamosas. Na maioria dos casos, originado a partir das células epiteliais da mucosa dos grandes brônquios, é o tipo de cancro broncopulmonar mais frequente, mas ao mesmo tempo o de evolução mais lenta. As células cancerosas, de tamanho grande e unidas entre si, produzem queratina, uma substância que em condições normais apenas está presente na pele, nos pêlos e nas unhas. Com o passar do tempo o tumor cresce, infiltra os tecidos vizinhos e invade os gânglios linfáticos adjacentes, mas em comparação com outros tipos de cancro broncopulmonar tende a alastrar-se menos a outros órgãos através da circulação sanguínea e linfática.

Adenocarcinoma. Este tumor originado nas células das glândulas produtoras de muco, localizando-se normalmente nos brônquios pequenos das zonas periféricas do pulmão. Tem uma evolução bastante rápida e irradia-se com facilidade a outros órgãos através da circulação sanguínea.

Carcinoma de células pequenas. Este tipo de tumor, normalmente localizado nos grandes brônquios, formado por células de pequenas dimensões, cujas características morfológicas diferem bastante das formadas pelos tecidos brônquicos e pulmonares. Tem a tendência para invadir precocemente as estruturas situadas no centro do tórax, propagando-se rapidamente com muita frequência a órgãos afastados do pulmão. Uma das suas variedades, denominada carcinoma de células de grãos de aveia, caracteriza-se por produzir substâncias de tipo hormonal que provocam manifestações específicas ausentes noutros tipos de cancro broncopulmonar.

Carcinoma de células grandes. Este tipo de tumor é constituído por células de tamanho grande, cujas características morfológicas diferem das formadas pelos outros tipos. A sua localização é variável e tem uma evolução rápida, estendendo-se com frequência aos órgãos torácicos e alastrando-se igualmente a outros órgãos mais afastados.

Manifestações

Topo

O sintoma mais comum, presente em mais de 80% dos casos e também o primeiro a manifestar-se, corresponde à tosse. Na verdade, tendo em consideração a íntima relação do cancro broncopulmonar com o hábito de fumar, igualmente responsável pela bronquite crónica, é muito habitual que o paciente apresente uma tosse crónica. Neste caso, a tosse aumenta de intensidade e frequência, tornando-se persistente e muito incómoda com o desenvolvimento do tumor, que por sua vez tem tendência para obstruir o brônquio onde foi originado. Nos pacientes que não evidenciam previamente tosse, esta manifestação é ainda mais notória, tornando-se persistente a partir do seu aparecimento. Por isso, é comum que a tosse seja acompanhada por expectoração, por vezes clara, outras vezes espessa e amarelada, como consequência de uma infecção, podendo igualmente apresentar vestígios de sangue. Em alguns casos, sobretudo nas fases mais avançadas, a expulsão de sangue efectua-se directamente através da tosse, o que em termos médicos se denomina de hemoptise, provocada por lesões dos vasos sanguíneos produzidas pelo tumor durante o seu crescimento; por vezes, este processo repete-se intermitentemente durante alguns dias, pára subitamente e reaparece ao fim de algum tempo, caso sejam afectados outros vasos sanguíneos. Outro sintoma muito habitual, de acordo com a localização e tamanho do tumor, é a sensação de dificuldade respiratória, que surge quando a massa tumoral obstrui as vias aéreas, provocando o colapso de parte do pulmão ou originando a irritação da pleura . Um outro sintoma muito comum é a dor torácica, provocada pela invasão tumoral de estruturas adjacentes compostas por fibras nervosas sensitivas. As características da dor são muito variáveis, em função da localização e extensão do tumor. Na maioria dos casos, manifesta-se um estado febril, normalmente provocado por infecção brônquica favorecida pela presença do próprio tumor. À medida que a doença avança, existe o crescente risco de o tumor maligno se alastrar a zonas mais distantes, o que pode propiciar o aparecimento de sintomas próprios da doença nos órgãos onde se desenvolvem metástases, com maior frequência no fígado, cérebro e ossos, para além das manifestações típicas das doenças cancerosas de longa evolução, como cansaço, sensação de debilidade, perda de apetite e emagrecimento.

Tratamento

Topo

O tratamento do cancro baseia-se fundamentalmente em três tipos de terapêutica: a cirurgia, com a extracção cirúrgica do tumor; a radioterapia, ou seja, a aplicação de radiações ionizantes destinadas a destruir as células cancerosas; e a quimioterapia citostática, ou seja, a administração de medicamentos anticancerosos que inibem o desenvolvimento das células malignas. A escolha de um destes três métodos ou a sua eventual combinação deve ter em consideração o tipo, localização e extensão do cancro broncopulmonar.

Caso já se tenha localizado o tumor no momento do diagnóstico, pode-se optar pela extracção cirúrgica do mesmo e da área pulmonar afectada, quer seja um lobo pulmonar (lobectomia), um pulmão inteiro (pneumectomia) ou até os gânglios linfáticos adjacentes, que poderão ter sido invadidos pelas células cancerosas. Normalmente, a intervenção cirúrgica é complementada com radioterapia na zona afectada, de modo a destruir as células malignas que possam ter escapado à extracção. Se o cancro estiver numa fase mais avançada, por vezes, não é possível efectuar a sua total extracção. De qualquer forma, pode-se proceder à máxima redução da massa tumoral e favorecer a acção de outros métodos terapêuticos. Noutros casos, o cancro já está tão irradiado ou o estado do paciente tão débil que a realização da operação não é aconselhável. Nestes casos, apenas se pode recorrer à quimioterapia, eficaz principalmente no tratamento dos carcinomas das células pequenas e utilizada, regra geral, em combinação com radioterapia.

Prognóstico

Topo

Apesar dos progressos existentes nos métodos terapêuticos, normalmente, considera-se que o prognóstico do cancro broncopulmonar não é muito favorável. De acordo com os dados existentes sobre o assunto, detecta-se que apenas 10% dos pacientes sobrevive cinco anos após o diagnóstico.

Principal motivo para estes resultados negativos corresponde ao diagnóstico tardio, ou seja, quando o cancro não é descoberto nas suas fases iniciais ou já se encontra de tal forma difundido no momento da sua detecção que o tratamento já não é eficaz, o que é muito comum, pois as manifestações nos estados precoces do desenvolvimento tumoral são muito reduzidas. É por isso que o seu diagnóstico prematuro e, sobretudo, a sua prevenção são, muito importantes.

Informações adicionais

Frequência

Topo

Globalmente, o cancro broncopulmonar é muito frequente, embora a gravidade da sua incidência nos diversos países seja diferente devido essencialmente à proporção da população fumadora. De facto, as estatísticas demonstram que a sua incidência numa determinada sociedade aumenta paralelamente à extensão do tabagismo. Quando este hábito pertencia exclusivamente ao sexo masculino, a doença centrava-se especialmente nos homens, sendo muito menos comum nas mulheres. À medida que o tabagismo se difundiu entre o sexo feminino, as diferenças foram ficando menos significativas, com a tendência para se reduzirem cada vez mais, de tal forma que em alguns países desenvolvidos o tipo de cancro mais frequente na população masculina é o do pulmão, convertendo-se entre as mulheres no segundo mais frequente, apenas superado pelo da mama.

O médico responde

Topo

Diz-se que o tabaco provoca cancro do pulmão, mas o meu avô fumou bastante durante toda a vida e goza de uma perfeita saúde…

Como é óbvio, existem pessoas que não desenvolvem esta doença, embora mantenham o hábito de fumar durante muitos anos. De facto, existem alguns factores individuais, possivelmente de índole hereditária, que aumentam a sensibilidade em alguns indivíduos que fumam, o que não acontece com outras pessoas, até certo ponto "protegidas" do tabaco. No entanto, actualmente, os cientistas não têm dúvidas sobre os efeitos potencialmente cancerígenos do tabaco, pois embora haja quem não seja afectado pelos seus nefastos efeitos, não existe uma maneira de conhecer o grau de sensibilidade em cada caso específico. Por isso, o melhor é não desafiar o destino e não fumar ou, se já tiver esse hábito, deixar de o fazer.

Prevenção

Topo

A maioria dos casos poderia ser evitada com uma medida muito simples: não fumar ou, se já houver esse hábito, abandoná-lo de imediato. Está comprovado que o risco de um cancro do pulmão é significativamente superior entre os fumadores que entre os não fumadores e as estatísticas demonstram que o perigo de morte como consequência desta temível doença entre os fumadores que abandonaram o hábito reduz-se progressivamente até atingir, ao fim de dez ou quinze anos, valores de mortalidade quase semelhantes aos dos não fumadores. É por isso que vale a pena fazer um esforço para deixar de fumar, devendo-se recorrer à ajuda profissional quando não se consegue alcançar este objectivo por iniciativa própria.

Síndromes paraneoplásicas

Existem alguns cancros broncopulmonares, sobretudo os que correspondem ao tipo células de grãos de aveia, que ao conseguirem produzir determinadas substâncias hormonais provocam problemas endócrinos muito variados, conforme o produto segregado por cada tumor:

• Aumento da concentração de cálcio no sangue, que provoca confusão, sonolência, sede, urina abundante, náuseas e vómitos, podendo conduzir a um estado de coma.

• Doença do tipo síndrome de Cushing devido à produção de substâncias de acção semelhante às da hormona adenocorticotropina, provocando debilidade progressiva, atrofia muscular, etc.

• Retenção de líquidos devido à secreção de hormona antidiurética.

Manifestações específicas

Topo

O cancro broncopulmonar pode propiciar, devido à invasão tumoral de estruturas vizinhas, complicações, entre as quais se podem destacar as seguintes:

• Caso o tumor afecte o nervo laríngeo que controla os movimentos das cordas vocais, pode originar rouquidão.

• Caso o tumor se situe no vértice do pulmão e invada o plexo braquial, costuma provocar um característico quadro de dor, que se estende ao longo do braço desde o ombro até à mão, o que se conhece como síndrome de Pancoast.

• Caso o tumor comprima a veia cava superior, pode-se manifestar através de síndrome característica, com inchaço da cara e dilatação das veias jugulares e torácicas.

• Caso o tumor afecte os gânglios nervosos cervicais do sistema nervoso autónomo simpático, pode provocar a denominada síndrome de Claude Bernard-Homer, que se manifesta pela queda da pálpebra superior, retracção do globo ocular, constrição da pupila e ausência de suores num dos lados da cara.

Para saber mais consulte o seu Oncologista ou o seu Pneumologista
Este artigo foi útil?
Artigos relacionados
Procurar Médicos
Precisa de ajuda?
Porque perguntamos?
ONCOLOGISTAS
PNEUMOLOGISTASVer todos
Dor lombar e ciática Aparelho locomotor/exercício físico
Dor cervical Aparelho locomotor/exercício físico
Artrose Aparelho locomotor/exercício físico
Nódulos e pólipos das cordas vocais Aparelho respiratório/glândulas endócrinas
Lesões dos meniscos Aparelho locomotor/exercício físico
Tumores benignos do ovário Aparelho reprodutor/sexualidade