Doença de Hodgkin

A doença de Hodgkin é uma doença oncológica originada nos gânglios linfáticos como consequência da transformação maligna e da proliferação descontrolada de vários tipos de glóbulos brancos.

Causas

Topo

A origem da doença corresponde a uma diferenciação anómala de alguns dos glóbulos brancos presentes nos gânglios linfáticos, os quais adquirem características morfológicas específicas, tratando-se das denominadas células de Reed-Sternberg, que típica e exclusivamente aparecem nesta doença. Estas células de comportamento maligno reproduzem-se incessantemente, constituindo um verdadeiro tumor, e normalmente são originadas num gânglio linfático; posteriormente, tendem a estender-se a outros gânglios linfáticos e a espalhar-se por todo o organismo, o que determina a progressão da doença e a sua potencial gravidade.

O motivo da transformação maligna dos glóbulos brancos ainda permanece desconhecido, apesar de os especialistas apresentarem algumas hipóteses prováveis: por um lado, pensa-se poder existir uma predisposição hereditária para se sofrer desta doença, tendo em conta que a sua incidência é muito mais elevada em algumas famílias do que na população em geral; por outro lado, acredita-se que o problema possa surgir a partir de uma infecção viral, apesar de até ao momento não se ter identificado qualquer agente patogénico responsável. Conjugando ambas as hipóteses, alguns especialistas são da opinião de que a doença se produz em pessoas geneticamente predispostas após sofrerem uma (ainda desconhecida) infecção viral.

Manifestações

Topo

O início da doença depende em boa medida da localização do foco tumoral primário, que se pode esta-belecer num gânglio superficial ou num situado numa zona mais profunda. Normalmente, o sintoma inicial que chama a atenção ao paciente corresponde ao aumento indolor de um gânglio linfático superficial (adenopatia), na maioria das vezes localizado no pescoço e noutros na axila e na virilha. Caso a transformação cancerosa ocorra num gânglio profundo, é possível que os sintomas iniciais correspondam aos efeitos de compressão do tumor sobre os órgãos vizinhos: problemas digestivos ou dores abdominais, caso o intestino seja afectado; uma tosse persistente ou dificuldade respiratória, se as alterações se produzirem no aparelho respiratório, etc. Uma outra possibilidade é a de que os sintomas iniciais consistam em manifestações gerais não muito específicas: febre persistente ou intermitente, suores nocturnos, ardores, falta de apetite, perda de

peso...

À medida que a doença progride, inúmeros gânglios linfáticos são paulatinamente invadidos pelas células cancerosas, enquanto que outros órgãos, como o fígado e o baço, tendem a dilatar-se. Além disso, a proliferação descontrolada de glóbulos brancos acaba por afectar a produção de glóbulos brancos normais, com a consequente deterioração da sua actividade de defesa imunitária e uma especial sensibilidade para as infecções. Quando a doença já está avançada, o estado de saúde torna-se muito precário, podendo provocar a morte como resultado de infecções, que numa pessoa saudável não seriam graves, ou como consequência de complicações da mais variada índole.

Diagnóstico e tratamento

Topo

O diagnóstico costuma suspeitar-se perante o desenvolvimento dos sintomas iniciais típicos, ou seja, o aumento da dimensão dos gânglios e febre. No entanto, só pode ser confirmado mediante uma biopsia dos gânglios afectados e após se detectar as células anómalas características desta doença (células de Reed--Sternberg). O exame microscópico da amostra de tecido ganglionar permite estabelecer o grau de evolução da doença, consoante a ausência ou predominância de vários tipos de glóbulos brancos, factor essencial na altura de determinar a gravidade da situação e planificar o tratamento. Igualmente importante é determinar com exactidão a extensão da doença, ou seja, as zonas do corpo afectadas; para isso, pode-se realizar uma série de estudos complementares, tais como biopsias da medula óssea e do fígado, radiografias, uma tomografia axial computorizada (TAC) ou uma ressonância magnética nuclear (RMN) de diversas regiões corporais e intervenções cirúrgicas destinadas a examinar directamente o abdómen (laparotomia exploradora) e a extrair o baço (esplenectomia), de forma a comprovar se este foi invadido por células malignas.

No tratamento da doença são utilizados dois métodos básicos: a radioterapia e a quimioterapia. A radioterapia, que consiste na aplicação de radiações sobre as partes do corpo onde previamente se identificou a presença de tecido canceroso, é utilizada essencialmente quando a doença se localiza em regiões corporais limitadas, possibilitando em boa parte dos casos a total erradicação das células malignas, com a consequente cura definitiva da doença. Caso a doença esteja numa fase evolutiva muito avançada, a radioterapia não é suficiente; recorre-se, então, à quimioterapia, com a administração de medicamentos anticancerosos que, por vezes, conseguem destruir todas as células malignas, enquanto que noutros casos, quando os tumores são muito agressivos, possibilitam uma remissão mais ou menos duradoura da doença.

Informações adicionais

O médico responde

Topo

O meu pai consultou o médico ao observar um caroço no pescoço e, após uns exames, foi-lhe diagnosticada a doença de Hodgkin. No entanto, embora não se encontre muito afectado, aconselharam-no a submeter-se a outros exames e até a uma operação para determinar melhor o diagnóstico. Será realmente necessário?

Não é de estranhar que os médicos pretendam fazer muitos exames, não para diagnosticar a doença, mas sim para estabelecer o estado de evolução e as zonas do corpo invadidas pelas células cancerosas. Trata-se de um primeiro passo indispensável para a planificação do tratamento, que deve ser seleccionado em função dos resultados obtidos. Vale a pena submeter-se aos exames que os médicos entenderem necessários, porque muitas vezes a possibilidade de cura total da doença depende da não ocultação de nenhum foco tumoral, o qual pode passar despercebido, por não produzir manifestações, o que aumenta a eficácia da terapêutica.

Prognóstico

Topo

A evolução natural da doença de Hodgkin é grave, já que con-duz inevitavelmente à morte, mas o prognóstico desta doença pode alterar-se radicalmente com a realização do tratamento adequado. Até há cerca de duas décadas, esta doença foi considerada incurável; actualmente, com a oportuna aplicação de radioterapia e quimioterapia, é possível alcançar a completa e definitiva cura numa elevada percentagem dos casos, constatando-se globalmente uma sobrevivência superior aos cinco anos em mais de 80% dos casos. De qualquer forma, é preciso destacar que o êxito do tratamento depende em boa parte da precocidade com que é iniciado, já que é muito mais eficaz nas fases iniciais da doença, tornando-se muito menos eficaz à medida que esta avança. Hoje em dia, pode-se considerar que o prognóstico da doença de Hodgkin mantém uma estreita relação com o momento evolutivo em que o diagnóstico é estabelecido, com melhores expectativas de êxito quanto mais precoce for efectuado.

Para saber mais consulte o seu Hematologista
Este artigo foi útil?
Artigos relacionados
Procurar Médicos
Precisa de ajuda?
Porque perguntamos?
HEMATOLOGISTAS
Dor lombar e ciática Aparelho locomotor/exercício físico
Dor cervical Aparelho locomotor/exercício físico
Artrose Aparelho locomotor/exercício físico
Nódulos e pólipos das cordas vocais Aparelho respiratório/glândulas endócrinas
Lesões dos meniscos Aparelho locomotor/exercício físico
Tumores benignos do ovário Aparelho reprodutor/sexualidade