Existem os perigos imediatos como o golpe de sol – com febre e alteração do estado geral - e as queimaduras solares, e os perigos tardios dos quais os principais são o envelhecimento da pele e o cancro cutâneo. Não esquecer que qualquer exposição mantida ao sol induz imunossupressão e portanto aumento de susceptibilidade, embora ligeira, a agentes infecciosos.
Todos nós temos uma capacidade genética de nos defendermos do sol consoante a côr da pele, dos olhos e dos cabelos. A isso chama-se fotótipo. Os individuos de fotótipos baixos como os ruivos e os louros de pele branca, têm de ter muito mais cuidados dos que os de pele mais escura. De forma genérica podemos dizer que os indivíduos que queimam sempre e nunca bronzeiam estão em maior risco dos que os que bronzeiam sempre e nunca queimam.
História familiar de cancro da pele ou outro cancro; fototipo; tratamento com medicamentos imunosupressores - por exemplo os transplantados; queimaduras solares em criança; exposição solar inadequada; exposição a algumas substâncias químicas, tais como os hidrocarbonetos e o alcatrão.
Exposição moderada até às 11 ou depois das 17 horas; utilização de chapéu; utilização de óculos de sol; utilização de roupas de malha fechada; e utilização de protector solar igual ou superior a factor de protecção 30. Estar ao sol com fotoprotector somente o tempo que estaria se não o utilizasse.
Os cuidados acima expostos devem estar sempre presentes de Verão e de Inverno, embora tenham naturalmente maior acuidade nos meses de verão.
Os cálculos nacionais mostram que existem cerca de 10 000 novos casos de cancro de pele em Portugal por ano, sendo que cerca de 1000 são melanomas
Mais de duas centenas de milhar já que a maioria dos 9 000 casos/ano de cancro da pele não melanoma são curáveis, embora tenham que ser seguidos durante 3-5 anos após o diagnóstico.
O número de doentes, pricipalmente de melanoma, tem vindo de forma mantida a aumentar em Portugal. Tal como nos restantes países europeus sobe de 5 a 7% ao ano a incidência, o que quer dizer que duplica cada 10 anos. Uma das explicações para isso é a moda do bronzeado, isto é a exposição muito intensa mas curta ao sol que leva a alterações do ADN celular e a imunossupressão. Estes doentes são habitualmente pessoas de meios sócio-económicos altos e não os pescadores e rurais que se expõem de forma mantida e contínua.
Por ordem crecente de malignidade e decrescente de incidência, temos o carcinoma basocelar, somente maligno localmente mas sem capacidade para mestastizar – dar lesões à distância; o carcinoma espinhocelular já com capacidade de metastizar; e o melanoma com capacidade para metastizar precocemente e para áreas corporais como o sistema nervoso central, o que vai questionar a vida.
Alterações dos melanócitos em qualquer parte da pele que se desenvolvem de forma anárquica. Devemos ter a noção que a maior parte das vezes o melanoma aparece de novo, é uma lesão nova. Só em cerca de 20 a 25% das vezes aparece em “sinais” pré-existentes.
Trata-se de custos muito elevados. Internamentos sucessivos e prolongados; Intervenções cirúrgicas às metástases que forem surgindo e os novos fármacos que estão a surgir para o tratamento do melanoma metastizado podem atingir 80 000 euros por doente.
Para além destes custos directos existem custos indirectos: nos EUA calcula-se que só em perda de produtividade o melanoma afecta a economia americana em 3,5 mil milhões de dólares / ano.
Os melanomas podem ter diversos aspectos. Julgo que o melhor é saber que é em geral uma lesão negra, que surge de novo é que se reconhece pelo A,B,C,D,E que também se pode aplicar aos nevos melanocíticos “sinais”escuros:
A – Assimetria
B - Bordos irregulares
C - Côr variegada
D – Dimensões superiores a 6 a 8 mm
E – Tornar-se espessa ou elevada
A melhor e porventura ainda a única forma de tratar um melanoma é fazer o seu diagnóstico precoce. Quando têm menos de 0,75 mm de espessura o seu comportamento biológico vai ser de nenhuma ou pouca agressividade. Pelo contrário quando passam os 3 mm de espessura as coisas vai correr mal ou muito mal.
Depende, como está implicito na resposta anterior, sendo que os melanomas com menos de 0,75 mm de espessura são curados em cerca de 95% das vezes e um melanoma espesso a maioria das vezes não é sequer curável embora se possa fazer sempre o melhor tratamento.
Sim os melanomas levam muitas vezes, demasiadas vezes, à morte.
Não existem dados, só por extrapolação. Existindo 1000 novos casos por ano de melanoma em Portugal e, se considerarmos todos os estadios, cerca de 25% podem falecer aos 5 anos, isto é cerca de 250 doentes / ano.