Síndrome da Morte Súbita do Lactente – O que podemos fazer?

Artigo de opinião de junho de 2015 no Blog - The Cute Mommy.

Este será muito provavelmente o nosso maior receio quando recebemos o nosso bébé nos braços. A Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMLS) definida como a morte súbita, inesperada e sem explicação de uma criança aparentemente saudável com menos de 1 ano de idade, habitualmente durante o sono.

E porque é que acontece este evento tenebroso? Há várias teorias, sendo que no geral ele resulta de um conjunto de fatores que quando reunidos podem levar a que o nosso bébé deixe simplesmente de respirar. Sabemos que há bébés mais suscetíveis do que outros, mas não existe nenhum fator de risco que por si só cause a SMSL. Entre a imaturidade do “centro cerebral” que se desenvolve e aperfeiçoa nos primeiros meses de vida e que regula as nossas funções básicas (como a respiração, a frequência cardíaca, a temperatura ou a capacidade de acordar), e a conjugação de fatores de risco externos (como a posição no berço, o tabagismo parental, a prematuridade, o baixo peso ao nascimento, as patologias próprias desta fase da vida da criança ou o excesso de calor/aquecimento), a morte súbita do lactente é um medo que assola a maioria de nós no primeiro ano de vida.

Estatisticamente, este problema é mais prevalente entre os 2 e os 4 meses de idade, sendo pouco frequente no 1º mês de vida (90% dos casos ocorrem até aos 6 meses de idade). Os meninos são mais atingidos que as meninas, bem como os bébés filhos de pais fumadores, os bébés que dormem de barriga para baixo e os bébés que partilham a cama dos pais.

Quando houve a perceção de que há fatores de risco que podemos controlar, foram criadas campanhas de sensibilização para alterar alguns hábitos enraizados na população. Assim, hoje espero sensibilizar-vos para estas medidas simples que salvam vidas.

 

1. A posição a dormir – Barriga para cima / Costas no colchão

Uma medida tão simples como deitar a criança de barriga para cima reduziu drasticamente a morte súbita do lactente, sem aumentar mortes por aspiração de vómito. Por isso, apesar do que as avós ou bisavós possam dizer, os recém-nascidos e os bébés até ao ano de vida devem ser sempre colocados de barriga para cima, salvo situações clínicas que podem condicionar uma indicação médica específica quanto à posição no berço. O bébé só dormirá de barriga para baixo quando ele próprio for capaz de se virar sozinho na cama, e mesmo aí devemos colocá-los de barriguinha para cima e eles, se preferirem, é que se viram. Esta posição permite uma maior perda de calor pela cabeça prevenindo o sobreaquecimento, outro fator de risco para a morte súbita, e facilita a respiração ao não existir compressão da face, não aumentando o limiar do despertar (sono menos profundo).

As posições de barriga para baixo ou de lado não são seguras, e não se devem utilizar dispositivos de retenção de posição do bébé dado que aumentam o risco de asfixia – apesar do marketing feroz que nos “entra pelos olhos” em qualquer loja de puericultura, estes dispositivos não são seguros.

 

2. Evitar ambientes com fumo de tabaco

O tabaco é, a seguir à posição no berço, o maior fator de risco para a SMSL. Filhos de mães fumadoras durante e após a gravidez têm um risco muito superior de morte súbita, sendo igualmente fator de risco o pai fumador. O fumo passivo e o fumo em “3ª mão” (químicos que ficam na roupa e ambiente de fumadores) são altamente prejudiciais para o bébé, alterando o seu desenvolvimento neurológico e a sua capacidade de resposta a condições adversas.

3. Usar chupeta

O uso de chupeta sempre que o bébé dorme é uma medida protetora em relação à SMSL, mesmo que depois de adormecer o bébé a largue.

 

4. Outras medidas protetoras

O Aleitamento materno provou-se protetor em relação à morte súbita do lactente, sendo a proteção tanto maior quanto mais exclusivo for o aleitamento até aos 6 meses de idade.

excesso de calor é outro fator de risco para a SMLS. Como tal é recomendado que o bébé durma sempre com a cabeça e a face destapadas e que a roupa de cama seja leve, sendo ideal a utilização de camadas de roupa sem que o bébé esteja tapado. A temperatura do quarto deve estar entre 18º e 20º e sempre que o bébé tiver febre, deve ser realizado arrefecimento corporal despindo-o. 

colchão da cama/berço deve ser firme, bem adaptado à estrutura para que não haja folgas. Os lençóis devem estar bem presos e adaptados ao colchão e devem ser colocados de modo a que estando o bébé com os pés no fundo da cama, ele fique apenas coberto até aos ombros estando os braços livres. Não se devem colocar na cama almofadas, fronhas ou fraldas de pano ou qualquer objeto que possa aumentar o risco de asfixia do bébé (resguardos, peluches).

Partilhar o quarto mas não a cama com o bébé. Está mais do que provado que a SMSL é mais frequente em bébés que partilham a cama com os pais. O bébé deve dormir no quarto com os pais, pelo menos até aos 6 meses de idade, mas deve dormir em cama própria junto da cama destes. Entre o aumento do risco de asfixia ou o sobreaquecimento, o risco parece evidente. E acentua-se ainda mais se um dos pais for fumador. E se partilhar a cama aumenta muito o risco deste síndrome, colocar o bébé a dormir sozinho no seu quarto em idades precoces também o aumenta.

Devemos aproveitar os momentos em que o bébé está acordado para brincar com o ele de barriga para baixo (“tummy time”) – isto permite fortalecer os músculos do pescoço e corpo, favorecendo uma diminuição do risco de morte súbita do lactente.

 

 Lembrem-se que todos estes cuidados simples e fáceis de executar são medidas que podem salvar a vida dos nossos bébés.

  Até breve,

  Brenda, Mãe de dois Príncipes e Médica de Família.

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