Maldita Febre

A febre define-se como uma elevação da temperatura corporal superior a 38,5°C se medida a nível rectal ou 37,5°C se a nível axilar.

Na sua origem está uma redefinição da temperatura corporal pelo nosso “termóstato” como resposta a uma agressão. Assim, a febre é na realidade um mecanismo de defesa do nosso organismo. A elevação da nossa temperatura corporal ajuda as nossas defesas a livrarem-se dos “invasores”, provocando a destruição de muitos vírus e bactérias; é por isto que é “bom fazer febre”. O problema é que nós ficamos aflitos quando os nossos pequenos começam a ter febre.

Os sintomas devem-se sobretudo à doença que provoca a febre – as infecções, víricas ou bacterianas, são as sua causas mais frequentes. Contudo, a própria febre causa algum desconforto, sendo frequente a criança não querer comer ou brincar se estiver febril. Por isso, o fundamental quando há febre, é seguir algumas ideias simples:

Controlar a febre a períodos regulares: por exemplo a cada 15 ou 20 min até que atinja os 38°- 38,5°C. Nesta altura devemos iniciar medidas para fazer baixar a temperatura, das quais saliento o arrefecimento corporal – que não é mais do que despir completamente a criança deixando-a apenas de fralda/cueca (claro que num ambiente controlado). E isto às vezes não é fácil, porque temos uma criança a arder em febre que despimos e ela está a tremer… mas só o ato de despir faz com que a perda de calor seja mais fácil e muitas vezes se consiga baixar 0,5° – 1°C facilmente.

Dar medicação antipirética – o paracetamol (vulgo Ben-u-ron®) é sempre o ideal e pode ser dado com segurança de 6/6h ou no limite de 5/5h. E até aos 12 meses de idade, não está indicado mais nenhum medicamento para baixar a febre em casa. Sob vigilância médica, poderá ser dado mais precocemente o ibuprofeno (vulgo Brufen®), mas nunca fazê-lo sem que haja uma indicação médica. Após os 12 meses, e se a febre fizer picos inferiores a 5h, então podemos alternar o paracetamol com o ibuprofeno a cada 4h ou 5h se a temperatura subir em menos de 6h.

Esperar pelo menos 3 dias de febre antes de consultar um médico – já todos ouviram isto… e deve ser sempre assim, já que a maior parte das infeções são virais e resolvem em 3-5 dias, não sendo necessário nada mais do que o controlo da febre e uma boa hidratação da criançaoferecendo líquidos regularmente; o nosso corpo trata de eliminar o vírus sozinho;

Contudo, há algumas situações que podem ser mais graves e que obrigam a uma visita ao médico mais cedo. Assim, deixo aqui alguns exemplos que nos devem fazer preocupar e recorrer de imediato a auxílio médico:

FEBRE NUM BÉBÉ RECÉM-NASCIDO : até aos 30 dias de vida, qualquer febre que o bebé tenha implica uma avaliação médica;

A CRIANÇA QUE NÃO ESTÁ BEM: quando um pai ou uma mãe dizem isto, fico logo de “pulga atrás da orelha” – se mesmo apesar de a febre baixar, a criança não está bem (chora ou geme, dorme demasiado e não é fácil de despertar, queixa-se de dor de cabeça mesmo sem febre), devemos levar a criança ao médico com brevidade; a criança que não recupera o seu estado habitual após a febre baixar, é sempre um sinal de alerta;

PETÉQUIAS: são pequenas lesões/manchas na pele, de cor vermelho-arroxeada, sem volume/espessura e que não desaparecem quando lhes passamos o dedo – estão fixas; este problema relaciona-se com as plaquetas e é um sinal de alarme que deve fazer qualquer pai/mãe/cuidador levar a criança a um serviço de urgência de pediatria;

DORES DE CABEÇA QUE NÃO PASSAM ASSOCIADAS A VÓMITOS: este é outro sinal de alarme que nos deve levar ao médico mais cedo;

FALTA DE AR/DIFICULDADE A RESPIRAR: uma criança que não consegue respirar bem, que tem dificuldade em falar pela falta de ar, a quem se “vêm” as costelas com a respiração ou quando as asas do nariz abre e fecham (adejo nasal), tem de ser vista rapidamente por um médico; o mesmo se aplica aos bebés, acrescentando-se nestes o gemido, que nunca é normal;

VÓMITOS/DIARREIA QUE NÃO PARAM: sobretudo nos bebés e crianças de tenra idade, esta situação pode ser grave, muitas vezes não tanto pela doença em si que muitas vezes é vírica e habitualmente benigna e autolimitada, mas pelo alto risco de desidratação rápida. Assim, uma criança que vomita até a água que é dada à colher (1 colher de sobremesa a cada 5-10 minutos), deve ir ao médico. O mesmo acontecendo na diarreia muito abundante que não permite uma reposição atempada dos líquidos.

Infelizmente não é possível falar de tudo quanto gostaria, mas espero que estas dicas vos sejam úteis como “guia” quando os vossos pimpolhos estiverem com febre. Da próxima vez vou voltar a falar de febre, mas mais especificamente das convulsões febris.

Até breve,

Brenda Domingues, Mãe de dois Príncipes e Médica de Família

*Artigo de opinião de julho de 2015 no Blog - The Cute Mommy.

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