Estão os internos satisfeitos com o internato de Medicina Geral e Familiar?

Objetivos: determinar o grau de satisfação global dos internos de Medicina Geral e Familiar (MGF) da Zona Norte com o programa de formação específica (internato);Analisar a associação entre a satisfação global com o internato e diferentes variáveis relativas ao interno, ao orientador e ao programa de formação específica.

Tipo de estudo

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Estudo transversal com componente analítico, realizado entre setembro de 2011 e fevereiro de 2013.

Local

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Área geográfica abrangida pela Coordenação do Internato de MGF da Zona Norte.

População

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Internos de formação específica de MGF da Zona Norte.

Métodos

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Recolha de dados através da aplicação de um questionário de autopreenchimento voluntário, desenvolvido pelas autoras, enviado por correio eletrónico a todos os internos de MGF da Zona Norte (n=532). Foi feita a caracterização geral da população e avaliado o grau de satisfação com o internato através de uma escala tipo Likert com cinco itens.

Resultados

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Foram obtidas 189 respostas ao questionário, ao que corresponde uma taxa de resposta de 36%. Dos respondedores, 75% (n= 141) eram do género feminino e 85% (n = 160) tinham entre 26 e 30 anos de idade. Dos 189 internos, 78% (n = 148) estavam integrados em Unidades de Saúde Familiar (USF) e a maioria frequentava o segundo ano de formação (34%, n = 64). Em 76% dos casos (n = 143), a escolha por MGF foi primeira opção, sendo que 97% (n = 183) não tem intenção de repetir o exame de acesso à especialidade. A grande maioria dos internos de formação específica em MGF da Zona Norte estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o internato (91%, n = 170), estando apenas 4% (n = 7) dos internos insatisfeitos ou muito insatisfeitos. A satisfação global com o internato teve uma correlação positiva com a satisfação em relação às variáveis «Escolha de MGF como primeira opção», «Relação com o orientador de formação», «Desempenho do orientador de formação», «Organização global do internato», «Duração do internato», «Duração dos estágios hospitalares obrigatórios», «Número de estágios de MGF» e «Duração dos estágios de MGF» (p = 0,001, p = 0,003, p = 0,010, p = 0,008, p< 0,001, p =0,024, p = 0,015 e p = 0,045,respetivamente). Em relação às variáveis «Tempo despendido em atividades não clínicas para efeitos curriculares», verifica-se uma relação negativa com a satisfação global com o internato (p = 0,016).

Conclusões

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Os internos de MGF da Zona Norte estão satisfeitos com o seu programa de formação específica. A satisfação na relação com o orientador de formação e com o seu desempenho são dos aspetos que mais contribuíram para a satisfação global dos internos. Da mesma forma, a satisfação em relação à duração do programa de internato, em relação aos estágios de MGF e à organização global do programa de formação contribuiu de forma evidente para a satisfação global destes médicos. A relação entre a satisfação global e a satisfação com a duração dos estágios hospitalares obrigatórios é inconclusiva. Os internos mostram-se insatisfeitos com o tempo despendido em atividades não clínicas para efeitos curriculares.

 

*Artigo publicado na Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar

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