A febre no bebé

A febre é um problema comum nos bebés, já que o aumento da temperatura do corpo constitui uma manifestação habitual das doenças infecciosas que se evidenciam com uma certa frequência ao longo da infância.

Generalidades

Topo Embora a febre possa ser proporcionada por várias situações, a subida da temperatura do corpo nos bebés costuma ser provocada por uma doença infecciosa, já que o organismo infantil sucumbe facilmente à agressão dos agentes infecciosos que enfrenta pela primeira vez nos primeiros anos de vida, devido ao facto de o sistema imunitário em pleno amadurecimento ainda não ter as defesas adequadas. Embora antigamente se pensasse que o aumento da temperatura do corpo podia ajudar no combate contra os microorganismos causadores de infecções, actualmente esta hipótese é considerada infundada, pois a febre é provocada pela luta entre os micróbios e as células do sistema imunitário, uma batalha que proporciona a libertação de substâncias que conseguem alterar o centro termorregulador situado no hipotálamo e, consequentemente, provocar a subida da temperatura do corpo, sem que altere a actividade patogénica dos microorganismos, dificulte a sua proliferação ou ajude a combatê-los. De qualquer forma, a febre é extremamente útil, pois serve como sinal de alarme, sendo muitas vezes a primeira manifestação de uma doença que ainda não gerou outros sinais ou sintomas e, para além disso, é acompanhada por uma sensação de debilidade e um estado de mal-estar geral que leva ao repouso, algo sempre benéfico quando o bebé é afectado por uma infecção. Todavia, a partir do momento em que se identifique o problema e se adopte a oportuna terapêutica, a febre perde toda a sua possível utilidade, devendo-se então combatê-la. Para além disso, caso o aumento da temperatura do corpo seja muito elevado pode originar complicações como vómitos ou, nos bebés mais pequenos, perigosas convulsões febris: nestes casos, deve-se proceder ao seu imediato tratamento.

Medição da temperatura do corpo nos bebés

Topo Para se determinar a presença de febre, não basta verificar se o bebé está com calor ou constatar se a sua pele está quente através do tacto, sendo necessário proceder-se à medição da temperatura do corpo com um termómetro, a única maneira de se obter informações fiáveis para se decidir o procedimento mais adequado. Nos bebés mais crescidos, pode-se verificar a temperatura na axila ou na prega da virilha, onde se deve deixar o termómetro em contacto com a pele durante cerca de cinco minutos antes de se proceder à leitura. Por outro lado, nos bebés mais pequenos, inquietos e movediços, deve-se verificar a temperatura no recto, mantendo as pernas do bebé elevadas com uma mão e introduzindo suavemente a ponta do termómetro previamente lubrificada com vaselina alguns centímetros através do ânus, onde deve ser mantido durante cerca de três minutos antes de se proceder à sua leitura. Considera-se que um bebé tem febre quando a temperatura axilar ultrapassa os 37°C ou caso a temperatura rectal ultrapasse os 37,5°C.

Terapêutica

Topo A subida da temperatura do corpo apenas costuma provocar complicações caso seja elevada, ultrapassando os 39°C. No entanto, como a temperatura do corpo dos bebés costuma subir muito depressa, deve-se adoptar alguma medida terapêutica sempre que o bebé tiver febre, sobretudo caso os valores alcancem os 38°C.

Caso a subida de temperatura seja moderada, por vezes apenas se tem de evitar que o bebé esteja muito agasalhado, mantendo-o com menos roupa do que a que tivesse vestida caso não tivesse febre ou mantendo-o nu num quarto cuja temperatura não ultrapasse os 20°C. Caso estas medidas não sejam suficientes, pode-se recorrer à administração de antipiréticos comuns, como o ibuprofeno ou o paracetamol, com doses adequadas para cada idade. Embora se deva sempre, obviamente, utilizar o medicamento indicado pelo médico, enquanto se aguarda pela consulta e ainda não se conhece a origem do problema, deve-se optar pelo paracetamol, já que o ácido acetilsalicílico (aspirina) pode provocar reacções indesejáveis, caso o bebé se encontre afectado por determinadas infecções. Para além disso, caso a temperatura se mantenha elevada, deve-se dar água ao bebé com frequência, porque a subida de temperatura é acompanhada por suores e é necessário evitar um quadro de desidratação. Para além disso, mesmo que esteja com falta de apetite, deve-se dar ao bebé bebidas açucaradas (sumos naturais, água ou chá fraco, por exemplo), de modo a evitar-se que o seu organismo recorra a reservas energéticas, o que proporciona alterações metabólicas que provocam vómitos provocados pela acumulação de corpos cetónicos (ver caixa). Caso a temperatura ultrapasse os 39°C, sobretudo num lactente ou num bebé pequeno, deve-se chamar imediatamente um médico, já que a subida significativa de temperatura pode irritar o córtex cerebral e provocar crises convulsivas.

Informações adicionais

O médico responde

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Estou muito preocupada porque o meu bebé sofreu uma crise convulsiva provocada pela febre e tenho receio de que possa sofrer uma epilepsia...

O escasso amadurecimento do sistema nervoso faz com que o aparecimento de febre alta nos bebés pequenos possa provocar crises convulsivas, já que quando a temperatura do corpo alcança determinados níveis, acima dos 39°C, pode originar uma irritação do córtex cerebral que provoca descargas anómalas de impulsos nervosos, responsáveis pela perda de consciência e pelos espasmos que agitam o corpo do bebé. Embora sejam crises semelhantes às crises epilépticas, não significa que o bebé seja afectado por epilepsia, apesar de os médicos realizarem testes específicos para descartarem essa possibilidade. Estes episódios convulsivos costumam deixar de se evidenciar após o amadurecimento do sistema nervoso e, caso sejam isolados, não costumam provocar qualquer sequela. Todavia, como a repetição ou persistência das crises podem constituir factores de predisposição para que o bebé seja afectado por epilepsia, deve-se sempre adoptar as oportunas medidas para evitar um aumento intenso da temperatura do corpo nos bebés mais sensíveis quando têm febre, sendo possível que o médico opte pela realização de um tratamento de prevenção. Apesar de o número de bebés eventualmente afectados por alguma crise cie convulsões febris ser muito elevado, os bebés posteriormente afectados por epilepsia são muito poucos.

Febre e acetona

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Quando o bebé tem febre, costuma ficar com falta de apetite, sobretudo se for afectado por alguma doença que lhe provoque incómodo ao comer ou um problema gastrointestinal. Para além disso, o aumento significativo do seu metabolismo origina duas situações que podem proporcionar um défice dos nutrientes energéticos mais utilizados pelo organismo, nomeadamente os hidratos de carbono: a diminuição da sua assimilação e um aumento do seu consumo. Neste caso, o organismo vê-se obrigado a recorrer a outra fonte de energia, a combustão das gorduras, cuja metabolização origina a produção de determinadas substâncias, entre as quais se destacam os corpos cetónicos. Caso os níveis sanguíneos dos corpos cetónicos sejam muito elevados, podem provocar a irritação do centro do vómito, o que origina náuseas e vómitos que, muitas vezes, se evidenciam ao longo de um quadro de febre.

Pode-se controlar os níveis dos corpos cetónicos no sangue ao recorrer-se a um simples teste caseiro que mede a sua concentração através de tiras reactivas: caso se comprove que os seus níveis são muito elevados, deve-se pedir instruções ao médico para que este corrija o problema. Para se evitar o aparecimento de vómitos, deve-se proporcionar uma assimilação suplementar de hidratos de carbono simples ao bebé doente, embora quando esteja com falta de apetite e rejeite a comida deva-se-lhe oferecer, por exemplo, sumos de fruta, que servem igualmente para repor o líquido que se perde com o suor, ou sobremesas doces que sejam apetitosas.

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