Desenvolvimento psicomotor: a partir dos 3 anos

Por volta dos 3 anos, a criança já alcançou um nível de autonomia surpreendente, começando uma etapa em que vai fortalecer as suas aptidões, de modo a integrar-se plenamente na sociedade.

A idade pré-escolar

Topo É ao longo deste período, entre os 3 anos e os 6 anos, que a criança fortalece as suas capacidades motoras e psicológicas já adquiridas e inicia o seu processo de socialização. A criança é capaz de realizar actividades motoras cada vez mais complexas, consegue vestir-se sozinha, atar os sapatos, lavar os dentes, saltar à corda e jogar à bola... Todavia, os avanços mais significativos produzem-se ao nível psicológico, tendo na curiosidade a sua principal ferramenta. O quarto ano de vida é a "idade do porquê", uma interrogação que a criança repete constantemente à procura de respostas que a deixem satisfeita. A criança recorre frequentemente a esta pergunta, pois como o seu processo de aprendizagem baseia-se na utilização da memória, apenas consegue adquirir conhecimentos se lhe repetirem várias vezes as coisas. No entanto, existem muitos casos, sobretudo quando as explicações não são concretas e, em especial, quando são evasivas, em que as suas perguntas parecem não ter fim.

Como a criança de 4 anos tem uma grande imaginação, é-lhe indiferente que lhe respondam com lógica ou que lhe dêem uma resposta irreal, chegando a ser capaz de adaptar a fantasia às necessidades de cada momento, pois tem uma enorme capacidade para criar histórias. Por vezes, a sua mistura entre realidade e ficção proporciona a elaboração de aparentes mentiras, algo que preocupa bastante os pais quando não compreendem o seu significado, já que a criança pode inventar respostas para explicar factos evidentes, de forma consciente, mas sem malícia, visto que muitas vezes não distingue o que se passou do que deseja ter-se passado. A criança apenas aprende a diferenciar a realidade da fantasia por volta dos 5 anos, momento a partir do qual, embora solicite explicações mais detalhadas, não é tão insistente, já que é capaz de deduzir e descobrir mais coisas por si mesma.

Ao longo desta etapa, as relações com os outros vão-se tornando mais complexas. A criança começa a manifestar um interesse crescente pela integração em grupos da mesma idade e uma maior capacidade para a participação em jogos. A sua interacção social ainda é muito egocêntrica, já que ainda não leva em conta os pontos de vista dos seus companheiros. É precisamente esta progressiva capacidade de dar e não apenas de receber, de compreender os outros, de manifestar empatia e de tentar colaborar de forma construtiva em actividades comuns que realmente reflecte o amadurecimento da criança.

A idade escolar

Topo É ao longo desta etapa, ou seja, a partir dos 6 anos, que a criança completa o seu desenvolvimento físico, motor e psicológico. É uma época crucial, que determina evidentes diferenças no grau de desenvolvimento tanto em função das aptidões inatas, consequentes dos condicionantes genéticos, como do meio familiar e social em que a criança vive e a educação que recebe. As eventuais diferenças no ritmo de amadurecimento devem ser respeitadas, de modo a proporcionar à criança o máximo de estímulos, mas sem exigir-lhe mais avanços dos que realmente pode alcançar, pois caso contrário passa por constantes frustrações que prejudicam o seu desenvolvimento.

O início da idade escolar é marcado, sobretudo, pela aprendizagem da escrita e da leitura, factos que proporcionam um novo mundo de possibilidades de conhecimentos e de comunicação à criança. O amadurecimento do sistema nervoso permite-lhe entender conceitos abstractos extremamente importantes para poder organizar a sua vida (noções do tempo, como ontem e amanhã) e para a própria leitura e escrita (noções de espaço, como esquerda e direita, cima e baixo, trás e frente). Um acontecimento muito importante na vida da criança é o pensamento lógico, baseado em questões concretas que lhe permitem reflectir, deduzir e tirar as suas próprias conclusões das coisas. Já pode aprender a contar e, por vezes, começa a pensar em questões metafísicas, tendo igualmente uma ideia do que é a morte. Esta é a "idade da razão'', o momento em que começa a distinguir o bem e o mal, o que é permitido e o que é proibido. Para além disso, aprende a fazer raciocínios sem se ter de apoiar em objectos concretos, domina ideias cada vez mais concretas, desenvolve a sua capacidade de concentração e a sua capacidade de memorização, factores essenciais ao nível do desenvolvimento intelectual.

Esta fase é igualmente importante a partir de outras perspectivas, já que constitui um momento crítico na formação da personalidade e no estabelecimento de novos círculos de relação, em que a criança tem, de um lado, o âmbito do seu núcleo familiar e, do outro lado, o formado pelos companheiros e professores da escola. Embora já comece a ter "amigos íntimos", a idade escolar é uma época de transição em que o mundo da família e o dos amigos têm uma importância semelhante; em seguida, começa outra etapa, a da puberdade e adolescência, ao longo da qual o centro da relação começa a afastar-se definitivamente da família, momento em que a criança culmina o desenvolvimento da sua personalidade.

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O médico responde

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Sempre ouvi dizer que a disciplina desempenha um papel essencial na educação das crianças, mas não sei se os castigos em caso de desobediência são convenientes...

De facto, embora se deva recorrer, em maior ou menor escala, à disciplina, para que as crianças aprendam a reconhecer os limites do que podem ou não fazer e, sobretudo, diferenciar o que está bem do que está mal, como estes conceitos morais levam muito tempo a serem adquiridos, no mínimo até aos 7 ou 8 anos, o castigo sistemático não é a melhor forma de as ajudar. As crianças não podem ser "domesticadas", para que obedeçam a todas as ordens dos pais com receio dos castigos, já que mesmo que obedeçam, fazem-no com medo e com um grande sofrimento, o que pode comprometer a sua futura personalidade. A obediência das crianças aos pais deve basear-se no amor, respeito e confiança, sendo estes os princípios com os quais têm de demonstrar a sua autoridade.

Ansiedade e receios

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A pesar de existir quem pense que apenas afecta os adultos, a ansiedade também se evidencia no universo infantil, já que todas as crianças têm momentos em que são afectadas por essa tensão interior, embora não saibam descrevê-la. As manifestações desta ansiedade são muito diversas, já que por vezes expressam-se através de uma grande agitação que se reflecte de maneira evidente no seu comportamento, enquanto que noutros casos se evidenciam através de medos que, caso não sejam exteriorizados, podem provocar um grande sofrimento. Os pais devem aprender a reconhecer estes sentimentos e tentar ajudar as crianças a superá-los, fazendo com que se sintam seguras, mas sem as proteger em excesso, pois devem passar pelas experiências para adquirirem confiança nelas próprias.

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