CausasEm condições normais, o parto ocorre, pelo menos, na 37.a semana de gravidez após o primeiro dia do último período pré-menstrual da mãe, existindo inúmeros motivos que podem provocar a sua antecipação e o seu consequente desencadeamento antes que o feto complete o seu amadurecimento. Apesar de se desconhecer as suas causas em aproximadamente metade dos casos, os restantes costumam ser provocados por problemas da gravidez ou problemas específicos da mãe ou do feto. Existem mulheres que têm constantemente partos prematuros sem que se saiba o motivo, supostamente devido a uma tendência familiar, enquanto que noutras os partos prematuros são provocados pela existência de factores como malformações uterinas ou uma insuficiência cervical. Um outro motivo frequente de adiantamento do parto é a gravidez múltipla, responsável por cerca de 10 a 15% dos casos.
Entre os problemas da gravidez que podem provocar a antecipação do parto ou levar à provocação do mesmo antes do fim normal da gravidez, deve-se destacar os seguintes: o hidrâmnios, a toxemia gravídica, a placenta prévia e o descolamento prematuro da placenta. Existem igualmente probabilidades de ocorrer uma prematuridade se a mãe for afectada por doenças, tais como determinadas infecções, diabetes, hipertensão arterial ou insuficiência renal. Deve-se igualmente referir que existem circunstâncias externas que podem provocar um parto prematuro, como acidentes ou traumatismos abdominais, que provocam contracções uterinas, um trabalho físico demasiado intenso, o stresse e o consumo excessivo de álcool ou tabaco.
Características do recém-nascido prematuroPara além de ser mais pequeno do que o recém-nascido de termo, pois costuma medir menos de 46 cm, o peso do prematuro é igualmente menor, normalmente inferior a 2,5 kg, mas por vezes muito abaixo destes valores, até 1 kg ou até menos. Todavia, a adopção dos oportunos cuidados possibilita a sobrevivência de bebés prematuros que nasçam com um peso entre 500 a 600 g. As suas proporções corporais são igualmente distintas, já que a cabeça é proporcionalmente maior em relação ao corpo e os membros são mais finos. A sua posição é igualmente diferente, pois para além de apresentar outras características que o distinguem do recém-nascido de termo, a musculatura encontra-se mais relaxada e não tem a típica tendência para a flexão dos membros.
A pele do recém-nascido prematuro é mais fina e transparente, sendo possível observar as veias subjacentes, costuma estar revestida por abundante lanugo (embora o bebé possa estar completamente desprovido de penugem, se for demasiado prematuro), apresenta dobras devido à escassa acumulação de gordura subcutânea e as pregas das mãos e dos pés são menos numerosas e evidentes. Para além disso, as aréolas mamárias costumam ter dimensões reduzidas, nos rapazes o escroto é liso e está vazio, enquanto que nas raparigas os grandes lábios da vulva ainda não estão totalmente formados, evidenciando os pequenos lábios. O facto de os órgãos internos ainda se encontrarem imaturos pode propiciar o desenvolvimento de várias complicações características.
ComplicaçõesNo bebé prematuro há uma dificuldade em controlar a temperatura do corpo, devido ao facto de a sua actividade motora ser reduzida e de não ter capacidade para gerar calor, por perder calor com facilidade devi- do à sua grande superfície corporal em relação à massa, por dispor de muito pouca gordura subcutânea e devido à própria imaturidade do sistema nervoso. Dado que a temperatura do seu corpo tem tendência para se equivaler à do ambiente, caso não sejam tomadas precauções especiais, pode-se desenvolver uma hipotermia, situação muito grave que proporciona o aparecimento de alterações metabólicas que, por vezes, colocam a vida do bebé em perigo, o que justifica a necessidade de manter o bebé prematuro numa incubadora, a uma temperatura controlada.
Podem igualmente surgir algumas complicações respiratórias, por dois motivos: por um lado, a falta de amadurecimento do centro nervoso encarregue de controlar a respiração pode originar uma actividade respiratória irregular ou até uma paragem respiratória; por outro lado, a falta de amadurecimento dos pulmões (caso o bebé seja muito prematuro ainda não possui surfactante destinado a evitar a destruição dos alvéolos ao longo da expiração) costuma originar a denominada síndrome de dificuldade respiratória (ver caixa).
A falta de amadurecimento do fígado pode provocar uma tendência para a hipoglicemia e para a insuficiente produção de factores de coagulação, o que pode originar o desenvolvimento de hemorragias, enquanto que a escassa capacidade de metabolização da bilirrubina, um pigmento proveniente da destruição dos glóbulos vermelhos com a tendência para se depositar na pele, origina um quadro de icterícia - caso alcance níveis plasmáticos muito elevados pode afectar o sistema nervoso.
Por último, deve-se destacar a imaturidade do sistema nervoso, que
por vezes provoca a ausência dos reflexos de sucção e deglutição, impossibilitando a amamentação, e a imaturidade do sistema imunitário, que origina uma maior sensibilidade às infecções.

Destinado a obesos e/ou diabéticos sem outros factores de risco, o PIAF tem como objectivo promover a saúde e prevenir a doença.