Toxemia gravídica: pré eclampesia e eclampsia

A toxemia gravídica é uma complicação que evolui em duas fases: a pré-eclampsia, que se manifesta através de hipertensão arterial, edemas e proteinúria; e a eclampsia que, para além de ser acompanhada por convulsões, implica perigo de morte para o feto e para a mãe.

Causas

Topo Embora ainda se desconheçam as causas do problema, sabe-se que as mulheres com antecedentes familiares do problema, as com menos de 25 anos e as com mais de 35 anos, as que não tenham tido filhos anteriormente, as que têm gravidezes múltiplas e as afectadas por hipertensão arterial, diabetes mellitus, insuficiência renal e obesidade têm maiores probabilidades de serem afectadas pelo problema.

Estes são alguns dos factores que podem favorecer uma irrigação deficiente da placenta e uma alteração dos tecidos deste órgão, o que proporciona a libertação de substâncias que chegam aos rins através do sangue, afectando o mecanismo de formação de urina, um factor crucial na origem das manifestações. Por um lado, provoca uma alteração na filtração glomerular, ao proporcionar a perda de proteínas através da urina e a diminuição da concentração das mesmas no sangue, o que consequentemente faz com que parte do líquido presente no aparelho vascular transvase para os tecidos e gere os edemas característicos do problema. Por outro lado, origina uma diminuição da eliminação renal de sódio e um aumento da concentração sanguínea deste mineral, o que gera um aumento da pressão arterial. Esta situação origina, através de complexos mecanismos, uma vasoconstricção que, por sua vez, provoca uma deficiente irrigação do útero e, consequentemente, da placenta, o que agrava a situação e pode originar o desenvolvimento de alterações metabólicas que afectam o funcionamento do cérebro e manifestam-se através de convulsões, podendo provocar a morte da paciente.

Evolução e manifestações

Topo O problema pode manifestar-se a qualquer momento da gravidez entre o quinto mês de gestação e uma semana após o parto, Embora a evolução seja variável, normalmente produz-se primeiro um quadro denominado de pré-eclampsia que, caso tenha uma evolução desfavorável, transforma-se num quadro de eclampsia.

Pré-eclampsia. Este quadro caracteriza-se por três sintomas: hipertensão arterial, edemas generalizados e proteinúria. Embora os casos graves de hipertensão arterial possam originar sinais e sintomas, tais como dores de cabeça, enjoos, alterações na visão e dores abdominais, a hipertensão pode permanecer, muitas vezes, assintomática, o que justifica o facto de apenas ser detectada ao longo de uma consulta regular de vigilância. Apesar de os ede- mas, que correspondem a uma acumulação de líquido nos tecidos, se lo- calizarem ao longo de todo o corpo, evidenciam-se principalmente nas pernas, mãos e face, provocando um brusco aumento de peso devido à retenção de líquido no organismo. A proteinúria designa a perda de proteínas pela urina, costumando igualmente ser detectada nas consultas de vigilância. A detecção do problema costuma obrigar à adopção de uma série de medidas terapêuticas, de modo a travar a sua evolução, muitas vezes com êxito. Todavia, existem casos em que, sobretudo se não se proceder ao seu devido tratamento, a situação agrava-se, os edemas acentuam-se, a hipertensão arterial fica mais elevada, a função renal deteriora-se, o que provo- ca uma alteração metabólica que conduz a um quadro de eclampsia.

Eclampsia. Este quadro caracteriza-se pelo aparecimento de convulsões epilépticas, com violentos espasmos musculares e perda de consciência. As crises podem provocar complicações mortais para o feto, sobretudo devido a um défice na assimilação de oxigénio, que podem igualmente ser perigosas para a mãe, já que podem provocar um quadro de insuficiência respiratória aguda ou proporcionar hemorragias cerebrais que originem sequelas neurológicas ou um estado de coma irreversível.

Tratamento

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O tratamento depende de inúmeros factores, sobretudo da gravidade do quadro, mas também da idade da gestação, ou seja, da etapa da gravidez em que o problema se evidencia e o grau de amadurecimento do feto no momento do diagnóstico,

Em caso de pré-eclampsia ligeira, o tratamento baseia-se na restrição da ingestão de sal, de modo a combater a hipertensão arterial, e em repouso, apesar de se proceder, por vezes, à administração de medicamentos como os hipotensores, sedativos e diuréticos. Embora o tratamento de um quadro de pré-eclampsia ligeiro possa ser efectuado num regime ambulatório, deve-se aumentar a frequência das consultas de vigilância, de modo a monitorizar-se o estado do feto e da mãe.

Por outro lado, em caso de pré-eclampsia grave, deve-se proceder à hospitalização da paciente, com vista a avaliar-se a situação e decidir a terapêutica mais oportuna. Embora existam casos que podem ser controlados através da adopção de estritas medidas dietéticas e da administração de medicamentos, normalmente por via intravenosa, por vezes, a situação não melhora e converte-se num quadro de eclampsia, devendo-se optar pela realização do parto mais cedo.

Em caso de eclampsia, para além das oportunas medidas para combater as crises convulsivas, deve-se optar sempre pela realização prematura do parto, normalmente através da prática de uma cesariana.

Informações adicionais

O médico responde

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A minha filha está grávida de cinco meses e o médico detectou, ao longo de uma consulta, um aumento da pressão arterial. Este aumento pode ser perigoso?

Visto que a hipertensão arterial representa sempre um factor de risco para a gravidez, sobretudo quando faz parte de uma toxemia gravídica, uma compücação que deve ser sempre considerada perigosa e que necessita do adequado tratamento, a medição da pressão arterial é um acto que deve ser realizado ao longo de qualquer consulta de vigilância da gravidez. Considera-se que existe uma hipertensão arterial provocada pela gravidez quando a mulher que anteriormente apresentasse urna pressão arterial dentro dos limites normais manifeste valores de pressão máxima de 140 Hg ou superior e/ou uma pressão minima de 90 mm Hg ou superior, embora estes valores sejam relativos, já que uma mulher que antes da gravidez costume evidenciar uma pressão arterial baixa pode ser afectada por uma hipertensão arterial com valores inferiores aos citados. Caso o médico diagnostique um quadro de hipertensão arterial durante a gravidez, deve recomendar de imediato uma série de medidas terapêuticas normalmente suficientes para manter a situação sob controlo, embora seja necessário que a grávida visite o médico com uma frequência maior do que a habitual para vi giar de perto a evolução e decidir a terapêutica mais oportuna, no seu caso específico.

Para saber mais consulte o seu Obstetrícista / Ginecologista
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