Diagnóstico da gravidez

Embora a ausência de menstruação constitua indício de uma possível gravidez, o diagnóstico torna-se válido com os denominados testes biológicos de gravidez, sendo apenas confirmado através da realização de uma ecografia.

Ciclo menstrual e gravidez

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Ao longo de cada ciclo menstrual, o corpo lúteo formado, após a ovulação, a partir dos restos do folículo ovárico, começa a segregar progesterona, uma hormona cuja finalidade consiste em preparar a mucosa que reveste o útero, ou seja, o endométrio, para a eventual recepção de um óvulo fecundado e adaptar todo o organismo para o desenvolvimento da gestação. Caso o óvulo liberto pelo ovário não seja fecundado, o corpo lúteo atrofia-se, o que em poucos dias conduz à redução significativa da produção de progesterona, provocando a descamação do endométrio e a consequente menstruação. Por outro lado, caso o óvulo seja fecundado e o ovo seja, ao fim de alguns dias, de facto, implantado no endométrio, a placenta começa a segregar a hormona gonadotrofina coriónica (hCG), um factor importante no desenvolvimento da gravidez, já que os efeitos desta hormona fazem com que o corpo lúteo, em vez de se atrofiar, cresça e aumente a sua produção de progesterona. Isto permite que, após a implantação do ovo no útero, o endométrio não se descame, proporcionando a interrupção do ciclo menstrual e, consequentemente, a não produção de menstruação. Para além disso, os efeitos das hormonas começam igualmente a evidenciar-se no organismo da mulher através de uma série de alterações funcionais e físicas, verdadeiros sintomas e sinais de gravidez, pois comprovam que o corpo já se começa a preparar para albergar o novo ser.

A ausência de menstruação e a presença destes sintomas e sinais numa mulher em idade fértil e sexualmente activa devem conduzir à suspeita de gravidez. Esta suspeita deve ser consolidada com os denominados testes biológicos de gravidez, destinados a detectar a presença de hCG na urina e no sangue da mulher grávida, e confirmada através da realização de uma ecografia, um exame que proporciona a visualização do próprio embrião no útero materno.

Ausência da menstruação

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Os médicos consideram que toda a ausência de menstruação numa mulher em idade fértil e sexualmente activa pode sugerir a existência de uma gravidez, enquanto não se demonstrar o contrário, uma opinião partilhada por muitas mulheres que passaram pela experiência, pois na maioria dos casos o primeiro indício de uma possível gravidez consiste no atraso da menstruação.

Muitas vezes, o primeiro indício de gravidez consiste realmente na ausência de menstruação, embora isso possa ser difícil de valorizar quando os ciclos menstruais são irregulares. Embora as mulheres com ciclos regulares, de 28 dias de duração, possam pensar numa falta quando a menstruação não surge ao fim de dois ou três dias da data prevista, as mulheres que costumam ter ciclos irregulares têm mais dificuldades para detectar um atraso e, normalmente, apenas começam a ter suspeitas sobre essa possibilidade ao fim de, pelo menos, uma ou duas semanas.

Por outro lado, existem várias circunstâncias que podem atrasar ou eliminar as menstruações durante algum tempo, originando uma certa confusão em relação à detecção de uma possível falta.

Os motivos mais comuns de um atraso menstrual são um brusco aumento ou diminuição do peso do corpo, o stress, a administração de determinados medicamentos e determinadas doenças crónicas, como a anemia, algumas infecções e vários problemas endócrinos e do aparelho reprodutor.

De qualquer forma, independentemente da regularidade dos ciclos ou outras circunstâncias relacionadas, quando uma mulher em idade fértil e sexualmente activa apresenta um atraso menstrual, convém que efectue, antes que passem duas semanas, testes biológicos que permitam confirmar ou infirmar uma possível gravidez.

Autodiagnóstico

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Os testes biológicos de gravidez baseiam-se na detecção de hGC, a hormona que a placenta começa a segregar no início da gestação, no sangue ou na urina da mulher grávida. Os testes que possibilitam a detecção da presença de hCG na urina começam a dar resultados fiáveis uma semana após a falta, sendo os mais fáceis de realizar, pois podem ser efectuados pela própria mulher na sua casa, como se fosse um autodiagnóstico, e de forma confidencial, com instrumentos muito simples que podem ser adquiridos nas farmácias.

Embora os testes de autodiagnóstico tenham várias formas de apresentação e tipos de utilização, a mulher deve sempre obter a amostra de urina da primeira micção matinal, pois é a que contém maiores concentrações de hGC, e respeitar rigorosamente as instruções presentes nos correspondentes prospectos ou recipientes.

Apesar de os testes caseiros de gravidez serem relativamente fiáveis, os seus resultados devem ser sempre posteriormente confirmados. Caso o resultado do autodiagnóstico seja negativo, indica que a mulher não está grávida, embora se deva repetir o teste alguns dias depois, caso a menstruação ainda não tenha surgido. Caso o resultado seja positivo e mesmo que a fiabilidade do mesmo ronde os 95%, o diagnóstico da gravidez deve ser confirmado através de outros procedimentos mais eficazes solicitados pelo médico.

Confirmação da gravidez

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Quando uma mulher recorre a um médico devido a um atraso da menstruação, o médico deve infirmar ou confirmar a possível gravidez através de um teste biológico para detectar a eventual presença de hCG no sangue da paciente. Os resultados obtidos através destes testes começam a ser fiáveis alguns dias após a ausência de menstruação e, em conjunto, a sua margem de erro é inferior à dos exames realizados com amostras de urina.

A ecografia é um exame exploratório inofensivo tanto para a mãe como para o embrião, de fácil realização e que pode ser realizado no próprio consultório médico, mesmo que apenas seja útil para o diagnóstico da gravidez quatro semanas após a ausência de menstruação. Depois deste período de tempo, a ecografia possibilita a visualização de uma imagem no fundo do útero que corresponde ao embrião implantado e, uma ou duas semanas depois, a de algumas estruturas do embrião. Contudo, a confirmação da gravidez apenas se pode obter seis semanas após a última falta de menstruação, já que apenas nessa altura o médico pode detectar os batimentos cardíacos do embrião, através de aparelhos específicos, um sinal inequívoco da sua vitalidade.

Informações adicionais

Primeiros sintomas e sinais de gravidez

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Embora o primeiro sinal de uma possível gravidez costume ser a ausência de menstruação, existem muitas mulheres que detectam o seu novo estado através do aparecimento de outros sintomas e sinais bastante característicos no início da gestação. Estes indícios são provocados essencialmente pelo aumento dos níveis de hCG e progesterona e pelas transformações ocorridas no útero.

A maioria dos sintomas iniciais da gravidez afectam o aparelho digestivo, como por exemplo náuseas ou vómitos matinais, que podem surgir até mesmo antes da primeira ausência de menstruação, aumento da salivação, obstipação, flatulência, distensão abdominal, falta de apetite e aversão a determinados odores, como o dos fritos. Existem outros menos específicos, como um aumento da pigmentação no rosto e linha média do abdómen. É igualmente comum uma sensação de fadiga, que se evidencia desde as primeiras semanas. Existem outros sinais e sintomas que afectam especificamente os seios, como o aumento do seu volume, muitas vezes acompanhado por uma sensação de formigueiro, saliência dos mamilos e maior pigmentação das aréolas, enquanto outros são caracterizados pelo aumento de tamanho do útero, que ao comprimir os órgãos vizinhos, como por exemplo a bexiga, provoca uma maior frequência das micções.

A presença destes sintomas e sinais numa mulher fértil e sexualmente activa deve conduzir à suspeita de gravidez, sobretudo quando se detectou a falta de menstruação, já que os próprios médicos têm em consideração a existência destas manifestações como um dado importante de uma eventual gravidez.

Todavia, apenas se pode avançar e confirmar este diagnóstico após a realização de exames biológicos de gravidez e de uma ecografia.

Para saber mais consulte o seu Obstetrícista / Ginecologista
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