Doença fibroquística da mama

A doença fibroquística da mama é uma patologia comum caracterizada pelo desenvolvimento do tecido fibroso e formações quísticas no peito, cujas manifestações consistem no aparecimento de nódulos e dores.

Causas

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Embora ainda não se conheçam totalmente as verdadeiras causas, considera-se que a origem desta perturbação está relacionada com os factores hormonais que regem as modificações sofridas pelas estruturas mamárias ao longo dos ciclos menstruais e durante a etapa reprodutora feminina. Normalmente, na primeira fase de cada ciclo menstrual, sob a influência dos estrogénios, produz-se um desenvolvimento dos canais galactóforos, enquanto que na segunda fase, sob o estímulo da progesterona, surge um determinado desenvolvimento dos ácinos glandulares, ao mesmo tempo que o organismo tende a reter líquidos. Desta forma, no decurso do ciclo produz-se um ligeiro, mas progressivo, aumento do tamanho do peito que alcança o seu máximo antes da menstruação, período em que involuem os tecidos previamente desenvolvidos. Assim, durante toda a etapa reprodutora, os seios estão submetidos a modificações cíclicas dos seus tecidos, com fases de desenvolvimento e de involução. A doença fibroquística da mama corresponde a um exagero do processo normal, quando existem determinados desequilíbrios hormonais, com um predomínio da acção de umas hormonas femininas sobre a de outras, ou em mulheres que apresentam uma especial sensibilidade a determinados estímulos hormonais.

Evolução e manifestações

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Esta patologia costuma apresentar-se em mulheres jovens, embora tenha uma incidência máxima a partir dos 30 anos e adopte diversas formas ao longo do tempo.

Numa primeira fase, geralmente entre os 30 e os 40 anos, predomina uma proliferação das fibras de tecido conjuntivo que rodeiam os canais galactóforos. Consequentemente, o peito aumenta de consistência e, por vezes, apresenta uma zona mais dura do que o resto, em forma de placa, de maior ou menor tamanho, conforme os casos. Nesta fase, a manifestação mais notória corresponde à dor, que se apresenta principalmente no período pré-menstrual, quando é também mais fácil notar alguma massa dura ao proceder à palpação do peito.

Numa segunda fase, normalmente entre os 35 e os 45 anos, predomina uma proliferação das células dos ácinos glandulares, o que origina a formação de numerosos e minúsculos quistos na espessura dos seios. Nesta fase, as dores são menos manifestas, enquanto que a palpação do peito evidencia a presença dos pequenos quistos: por vezes, a mulher afectada tem a impressão de estar a palpar uma bolsa cheia de minúsculas bolas.

Numa fase mais avançada, habitualmente entre os 40 e os 50 anos, é comum formarem-se quistos maiores, por vezes apenas um e grande, podendo alcançar um diâmetro superior a 5 cm; outras vezes, podem surgir vários quistos mais pequenos. Nesta fase, não costuma haver dores, excepto quando se palpa os seios, e é mais fácil detectar os quistos, cujo tamanho varia durante o ciclo menstrual.

É importante referir que a evolução de uma doença fibroquística da mama é muito variável de mulher para mulher. O mais habitual é que se sucedam as diferentes fases descritas, embora uma gravidez possa melhorar o problema ou até resolvê-lo por completo. Por outro lado, um tratamento hormonal especificamente adaptado às necessidades de cada caso pode deter a evolução das modificações mamárias, principalmente nas primeiras fases.

Diagnóstico e tratamento

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O médico costuma formular o diagnóstico a partir dos sinais e sintomas referidos pela paciente e dos dados obtidos na avaliação física, principalmente com a palpação dos seios. Para confirmar o diagnóstico pode solicitar uma mamografia, embora também recorra, ocasionalmente, a uma ecografla dos seios para determinar a presença de quistos. Quando se detectam quistos com um determinado tamanho, normalmente, faz-se uma punção sob controlo ecográfico, de modo a esvaziá-los e estudar o seu conteúdo em laboratório, sobretudo para descartar a presença de células malignas. Se a patologia for diagnosticada casualmente nas consultas de rotina e não provocar dores, não é preciso levar a cabo qualquer tratamento.

Pelo contrário, se provocar dores ou incómodo, pode-se recorrer ao tratamento hormonal com a finalidade de solucionar o desequilíbrio que favorece o desenvolvimento da patologia. Apenas quando o tratamento hormonal fracassa, e se as dores e incómodos forem relevantes, se recorre à cirurgia para extrair os tecidos afectados, respeitando sempre a parte intacta, de forma a poder evitar sequelas estéticas.

Informações adicionais

O médico responde

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Sofro de doença fibroquística da mama e o ginecologista disse-me que, apesar de não haver necessidade, para já, de qualquer tratamento, convém que faça um auto-exame regular e que vá a uma consulta assim que verificar algum nódulo suspeito...

Ainda que, por vezes, a doença fibroquística da mama seja diagnosticada a partir de manifestações que provoca na mulher e, em alguns casos, possa exigir tratamento específico, é muito comum ser detectada nas consultas de ginecologia periódicas e não requeira a adopção de qualquer medida terapêutica. No entanto, dado que alguns estudos estatísticos sugerem que a incidência do cancro da mama é um pouco superior nas mulheres atingidas por esta patologia, quando existe este antecedente é fundamental ter este factor em conta. Assim, se o auto-exame periódico é importante em todas as mulheres, é ainda mais nas que sofrem da doença fibroquística da mama. O auto-exame regular permite conhecer as características dos próprios seios através da palpação e aprender a identificar as modificações cíclicas por que passam, o que é de extrema importância, caso surja um nódulo diferente dos habituais e cuja detecção requer uma consulta médica imediata, sem esperar pela próxima consulta programada.

Para saber mais consulte o seu Cirurgião Geral ou o seu Obstetrícista / Ginecologista
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