Tumores benignos do útero

Os tumores benignos do útero são muito frequentes e, embora passem geralmente despercebidos, por vezes, provocam manifestações dolorosas, alterações menstruais ou hemorragias uterinas anómalas.

Generalidades

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O útero pode ser afectado por vários tipos de tumores benignos, todos eles constituídos por células provenientes de tecidos do próprio órgão, que se reproduzem de maneira exagerada e formam um tumor. Consoante o tipo de tumor, este tanto pode crescer até à cavidade do órgão e constituir um pólipo unido à parede uterina através de um pedículo, como crescer na própria espessura da parede uterina ou até formar uma proeminência para o exterior do órgão.

Independentemente do tipo de crescimento, todos os tumores benignos são constituídos por células que se assemelham às originais, não se infiltram nos tecidos adjacentes nem se disseminam à distância do órgão. Todavia, deve-se referir que existem tumores benignos que sofrem, a longo prazo e por razões desconhecidas, uma evolução maligna, transformando-se em tumores cancerosos. Embora a maioria dos tumores benignos do útero costume evoluir sem provocar sinais ou sintomas, quando se detecta a sua presença, normalmente deve-se realizar um acompanhamento médico regular ou proceder-se à sua eliminação, regra geral através de procedimentos cirúrgicos. Em seguida, são descritos os vários tipos de tumores benignos do útero mais frequentes.

Pólipos cervicais

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Estes pólipos correspondem a proliferações da mucosa que reveste o colo uterino. O seu crescimento provoca a formação de uma proeminência na entrada do colo uterino que se mantém unida à parede uterina por um pedículo mais ou menos fino. Apesar de serem, na maioria dos casos, pólipos únicos, em cerca de 20% são múltiplos. Costumam ser pequenos, já que raramente ultrapassam os 2 cm de diâmetro, mas podem alcançar, por vezes, dimensões mais significativas, chegando a ultrapassar o orifício cervical externo e sobressaindo até à vagina.

Os pólipos cervicais são muito frequentes, afectando essencialmente as mulheres entre os 40 e os 50 anos de idade, nomeadamente as que tenham tido vários filhos, sendo pouco habituais nas que não tenham tido filhos. Embora não provoquem, na maioria dos casos, manifestações e apenas sejam detectados através de algum exame uterino realizado por outro motivo, por vezes sofrem rupturas. Estas podem ocorrer de forma espontânea ou como consequência de um traumatismo, por exemplo durante o coito, originando hemorragias, normalmente reduzidas e sem relação com a menstruação, que são exteriorizadas pela vagina - em alguns casos, repetem-se com bastante frequência. Para além disso, como se calcula que cerca de 1% dos casos sofre uma evolução maligna, quando são diagnosticados, é aconselhável a sua extracção cirúrgica.

Pólipos endométricos

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Embora estes pólipos se assemelhem aos cervicais, desenvolvem-se no endométrio, a mucosa que reveste o corpo do útero, nomeadamente o fundo do órgão. Costumam ter uma forma arredondada ou comprida e não ultrapassam os 3 cm de largura ou comprimento, ainda que possam ser mais volumosos. Normalmente, são únicos; contudo, por vezes, são múltiplos e podem sofrer ou não as alterações próprias do endométrio no ciclo menstrual.

Os pólipos endométricos são compostos por uma abundante rede de pequenos vasos sanguíneos e, embora possam evoluir de forma assintomática, sangram com uma certa facilidade e provocam hemorragias que se exteriorizam pela vagina a qualquer momento do ciclo menstrual, independentemente de ser de forma espontânea ou provocadas pelo coito. Para além disso, quando adquirem um determinado volume, podem desencadear contracções uterinas que, em alguns casos, geram dor.

Por outro lado, dado que estes tumores sofrem transformações malignas em cerca de 5% dos casos, os médicos costumam, mais tarde ou mais cedo, recomendar a sua extracção cirúrgica.

Miomas uterinos

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Estes tumores são constituídos essencialmente por fibras musculares derivadas do miométrio, a camada do útero que se encontra sob o endométrio, embora também sejam constituídos por tecido conjuntivo. Apesar de crescerem, na maioria dos casos, no interior do útero, por vezes, fazem-no até à entrada do órgão, onde formam uma proeminência sob a mucosa, podendo mesmo sobressair até ao exterior do órgão. Costumam ser reduzidos, de poucos centímetros de diâmetro, mas podem ser, por vezes, mais volumosos, ultrapassando os 15 cm de diâmetro.

Os miomas uterinos são os tumores mais frequentes do aparelho genital feminino, pois calcula-se que entre 5 a 10% das mulheres sejam afectadas por algum mioma ao longo de toda a vida. Embora ainda se desconheçam as suas causas, são tumores cujo desenvolvimento é de tal modo estimulado pelos estrogénios que podem ir aumentando de tamanho até à menopausa, após a qual diminuem de tamanho, podendo igualmente crescer ao longo da gravidez e, depois, diminuir no pós-parto.

A maioria dos casos são assintomáticos e apenas são descobertos num check-up ou durante a realização de exames por outro motivo. Todavia, noutros casos, provocam manifestações que podem variar significativamente consoante a sua localização e tamanho. Os sinais e sintomas mais frequentes correspondem a dores menstruais e períodos mais abundantes e prolongados do que o habitual, embora por vezes também possam surgir hemorragias intermenstruais. Para além disso, quando o mioma é muito volumoso, pode originar sensação de desconforto no baixo ventre e dor pouco intensa e contínua na zona.

Embora os miomas quase nunca sofram transformações malignas, podem originar algumas complicações. Uma das mais frequentes corresponde a anemia provocada por hemorragias repetidas. Uma outra, mais grave e que necessita de atenção imediata, é a infecção do tumor, que se manifesta através de febre, dor intensa e ocasionalmente secreções vaginais purulentas. Para além disso, também se pode manifestar uma torção da base de implantação de um mioma pediculado, situação que origina uma dor aguda e que constitui uma urgência.

O tratamento varia em função do tamanho do mioma, das manifestações e também do desejo da mulher afectada em ter filhos. Quando o tumor é reduzido e não evidencia sinais ou sintomas, costuma-se manter uma conduta expectante, durante a qual se deve controlar a sua evolução através de consultas ginecológicas periódicas. Quando geram sinais e sintomas e a mulher deseja conservar a sua fertilidade, deve-se tentar extrair o tumor e manter o restante útero. Quando já não deseja ter mais filhos, pode-se recorrer ao tratamento hormonal à base de gestagénios de modo a inibir o estímulo de estrogénios que favoreça o crescimento do tumor e, se este tratamento fracassar ou se os sinais e sintomas forem demasiados intensos, proceder à cirurgia, quer através da extracção apenas do tumor quer através da remoção de todo o útero.

Informações adicionais

Papilomas cervicais

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Estes tumores benignos, frequentemente múltiplos, são pequenas proliferações da mucosa que reveste o canal cervical e constituem elevações de superfície irregular e aspecto verrugoso, normalmente localizadas na entrada do colo do útero. Embora existam vários tipos, os mais habituais são os condilomas acuminados, lesões provocadas por um vírus normalmente transmissível por via venérea, o que justifica a sua elevada incidência nas mulheres sexualmente activas.

Apesar de os papilomas cervicais terem a tendência para permanecer assintomáticos, por vezes, provocam ardor, pequenas hemorragias ou secreções vaginais anómalas Para além disso, estima-se que, a longo prazo, cerca de 5% destes tumores sofram uma transformação maligna e se tornem cancerosos. Caso sejam detectados, deve-se proceder à sua extracção cirúrgica ou eliminação através de electrocoagulação ou à aplicação tópica de substâncias cáusticas que destruam o tecido anómalo.

Para saber mais consulte o seu Obstetrícista / Ginecologista
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