Tumores benignos do ovário

Embora os tumores benignos do ovário sejam muito frequentes e não costumem provocar sinais e sintomas, sem evoluírem de forma espontânea, por vezes, originam várias repercussões e alguns necessitam de tratamento cirúrgico.

Tipos

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Todos os tumores benignos do ovário correspondem a aglomerações formadas por células que, ao contrário das que compõem os tumores malignos, se assemelham às células dos seus tecidos de origem, não infiltram os tecidos vizinhos nem se propagam à distância. Todavia, do ponto de vista anatómico, é possível diferenciar dois tipos de tumores benignos do ovário: os quistos e os tumores sólidos.

Quistos. Os quistos assemelham-se a bolsas, com septos mais ou menos espessos, repletas de líquido ou substâncias semilíquidas. Entre os quistos que se podem desenvolver no ovário, o mais comum é o quisto folicular, igualmente denominado quisto funcional, que corresponde ao desenvolvimento anómalo de um folículo ovárico. O ciclo menstrual caracteriza-se pelo amadurecimento de alguns dos milhares de folículos primitivos presentes nos ovários e, enquanto estes completam o seu desenvolvimento e originam a ovulação, os restantes regridem e atrofiam-se. A formação do quisto ocorre quando um destes folículos não se atrofia e mantém a sua actividade, continuando a crescer e acumulando cada vez mais líquido no seu interior, podendo alcançar até cerca de 10 cm de diâmetro, embora normalmente regrida espontaneamente ao fim de algum tempo. No entanto, existem outros quistos de ovário que se formam a partir das células do epitélio germinativo e acumulam várias substâncias no seu interior. Os mais frequentes são o cistoadenoma seroso, repleto de líquido transparente amarelado semelhante ao soro sanguíneo, e o cistoadenoma inucinoso, constituído por um líquido espesso castanho ou avermelhado. Estes quistos caracterizam-se igualmente por um crescimento progressivo e, ao contrário dos quistos foliculares, não regridem de forma espontânea, podendo atingir até cerca de 20 cm de diâmetro. Uma outra diferença é o facto de sofrerem, por vezes, devido a factores desconhecidos, uma transformação maligna, o que origina o aparecimento de um tumor canceroso.

Tumores sólidos. Os tumores sólidos benignos do ovário são menos comuns do que os quistos, sendo constituídos por vários tipos de células ováricas que se reproduzem de forma mais rápida do que o normal e, regra geral, compostos por um revestimento exterior que os isola dos tecidos adjacentes. Embora a maioria provenha de células do epitélio germinativo, outros são formados a partir de células do estroma ovárico e alguns, os mais raros, são provenientes das células germinativas. Entre estes últimos destaca-se o denominado teratoma, que quando adopta uma forma semelhante a um quisto costuma ser designado quisto dermóide, originado a partir de células embrionárias indiferenciadas que se conseguem transformar numa grande variedade de formas celulares, originando o desenvolvimento de vários tipos de tecidos - isto justifica o facto de se poder encontrar no seu interior gordura, pêlos, dentes e até fragmentos de ossos.

Manifestações

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Os tumores benignos do ovário costumam manter-se assintomáticos durante muito tempo, até adquirirem um tamanho considerável. Em caso de quistos foliculares que tendam a regredir de forma espontânea, é possível que não surja qualquer sinal ou sintoma ou que apenas se manifeste atraso da menstruação, cujo motivo passa despercebido. Quando originam sinais e sintomas, uma das manifestações iniciais mais frequentes é uma sensação persistente de desconforto ou até de dor na região inferior do abdómen. Para além disso, os tumores muito volumosos formam um inchaço que, por vezes, se evidencia através de um alto na superfície do abdómen, alterando o seu aspecto normal. Ainda assim, como por vezes provocam a compressão do intestino e da bexiga, podem originar manifestações como obstipação, diarreia, incontinência urinária e até episódios de retenção urinária e ausência de micções. Por outro lado, alguns tumores benignos do ovário elaboram quantidades excessivas de hormonas cujos efeitos podem originar manifestações típicas. Por exemplo, alguns quistos foliculares segregam quantidades significativas de estrogénios, provocando alterações menstruais, independentemente de ser um simples atraso do período, uma ausência prolongada da menstruação (amenorreia) ou hemorragias anómalas. Em alguns casos raros, em que os tumores do ovário que segregam estrogénios surgem em pré-adolescentes, podem provocar uma aceleração no desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários femininos. Por outro lado, existe um tipo específico de tumor benigno do ovário, denominado androblastoma, cujas células elaboram hormonas sexuais masculinas com capacidade para desenvolverem sinais de virilidade na mulher, como o crescimento do pêlo corporal e das massas musculares.

Evolução e complicações

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A evolução dos tumores benignos do ovário é muito variável. Embora os quistos foliculares tanto possam ter um crescimento progressivo como manterem-se estáveis, na maioria dos casos costumam, ao fim de um certo tempo (normalmente algumas semanas), regredir até ficarem completamente atrofiados. Por outro lado, os restantes quistos e os tumores sólidos do ovário têm a tendência para continuar a crescer, por vezes de forma ininterrupta, até alcançarem dimensões muito significativas.

Todavia, ao longo da sua evolução, podem surgir várias complicações. No caso dos quistos, a complicação mais frequente corresponde à torção do pedículo, mediante o qual o tumor se encontra ligado ao ovário, provocando o estrangulamento dos vasos, que se manifesta através de uma dor abdominal brusca e intensa e que costuma necessitar de cuidados médicos imediatos. Uma outra complicação, embora menos comum, é a ruptura do septo de um quisto ovárico e a consequente saída do líquido que contém para o meio que o rodeia, o que provoca uma dor de tal forma mais intensa que pode conduzir a um estado de choque, podendo igualmente provocar uma inflamação aguda dos órgãos intra-abdominais.

Informações adicionais

O médico responde

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Detectaram um inchaço no ventre da minha irmã e, embora o médico lhe tenha dito que muito provavelmente se trata de um quisto benigno no ovário, terá que efectuar uma laparoscopia para confirmar. Em que consiste este procedimento?

A laparoscopia é uma técnica de diagnóstico e terapêutica que se realiza através da introdução de um tubo constituído por lentes e um sistema de iluminação na cavidade abdominal, mediante uma pequena incisão na pele. Através do tubo, o médico pode observar, com precisão, os órgãos presentes na cavidade abdominal, retirar amostras das lesões aí presentes e até realizar intervenções cirúrgicas, como por exemplo a extracção de um quisto do ovário. Em suma, a laparoscopia constitui, actualmente, uma ferramenta extremamente útil tanto para a detecção de um quisto do ovário como para a realização do seu tratamento.

Tratamento

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Os quistos foliculares não costumam necessitar de qualquer tratamento, já que têm tendência para regredir de forma espontânea. Todavia, se após um determinado período de tempo ainda não tiverem desaparecido, deve-se proceder à evacuação do seu conteúdo através de uma punção e, caso se produza alguma complicação, pode ser necessário efectuar uma intervenção cirúrgica por laparoscopia. Os restantes tipos de tumores benignos do ovário necessitam sempre de intervenção cirúrgica, de modo a extrair o quisto ou tumor, e da realização de um exame histológico, de modo a constatar a natureza benigna. As técnicas cirúrgicas actuais possibilitam a extracção apenas do tumor, preservando o resto do ovário.

Para saber mais consulte o seu Obstetrícista / Ginecologista
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