Endometriose

A endometriose corresponde à presença de fragmentos do tecido que reveste a cavidade uterina, denominado endométrio, em localizações anómalas, independentemente de ser no aparelho genital ou em órgãos que não estejam relacionados com a reprodução.

Localizações

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As possíveis localizações anómalas de focos de tecido do endométrio são muito distintas. Em alguns casos, estes focos encontram-se no próprio aparelho genital feminino, independentemente de ser na espessura da parede uterina ou em órgãos adjacentes ao útero, como as trompas de Falópio, ovários, ligamentos da zona ou da vagina. Todavia, noutros casos, os fragmentos de endométrio evidenciam-se em pontos localizados fora do aparelho genital, normalmente próximos do útero, como o peritoneu, os intestinos, a bexiga, os uréteres ou o umbigo. Para além disso, existem casos em que se detectou a presença de focos de tecido do endométrio em sectores do corpo muito afastados do útero, como os pulmões, a pleura ou as fossas nasais.

Causas

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Embora os motivos que provocam o aparecimento de focos de tecido do endométrio em localizações anómalas ainda não sejam conhecidos com precisão, existem várias teorias sobre o assunto. Por um lado, considera-se que o crescimento de fragmentos de endométrio na espessura da parede uterina pode ser provocado por vários problemas que consigam originar uma alteração dos elementos que, em condições normais, separam a camada mucosa que reveste a cavidade uterina da camada muscular subjacente, como por exemplo infecções ou tumores uterinos. Por outro lado, pensa-se que o problema pode ser originado por algum procedimento cirúrgico na zona, como por exemplo uma raspagem uterina ou qualquer outro tipo de intervenção.

Existem igualmente várias hipóteses para se explicar a origem do aparecimento de focos de tecido do endométrio noutros pontos. Algumas teorias sugerem que alguns fragmentos de tecido do endométrio desunidos no momento da menstruação possam não ser evacuados normalmente através da vagina, subindo pelas trompas de Falópio, onde residem na sua superfície, ou continuando o seu percurso até chegarem à cavidade abdominal, de modo a residirem nas estruturas adjacentes: ovários, peritoneu, intestinos, bexiga... Outras teorias propõem que algumas células endometriais se possam propagar através da circulação linfática ou sanguínea até estruturas mais ou menos afastadas do útero. No entanto, as causas desta propagação ainda são desconhecidas.

Manifestações e consequências

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A principal característica da endometriose, independentemente da localização do foco anómalo de tecido do endométrio, é o facto de ser, à semelhança do próprio endométrio, influenciada pelas hormonas sexuais femininas produzidas ciclicamente pelo ovário, ou seja, reproduz-se ao longo do ciclo menstrual para depois se descarnar e sangrar. As consequências dependem, como é óbvio, da localização e volume dos focos de endometriose em cada caso. Se tiverem urna localização superficial, originam hemorragias de maior ou menor intensidade, enquanto que se se situarem na espessura de algum órgão e não conseguirem evacuar a hemorragia, provocam o desenvolvimento de quistos repletos de sangue, como costuma ocorrer com alguma frequência nos ovários.

Quando a endometriose afecta os órgãos genitais, por exemplo a parede do útero, as trompas ou ovários, a manifestação mais frequente é o aparecimento de dor durante o período menstrual (dismenorreia), por vezes acompanhada por um aumento do volume da menstruação. Quando se localiza nos órgãos abdominais, a principal manifestação corresponde ao aparecimento de dor nesta zona durante as menstruações, embora também se possam evidenciar episódios cíclicos, em simultâneo com a menstruação, de hemorragias urinárias, caso o foco resida na bexiga, ou de obstipação ou hemorragia rectal, caso resida nos intestinos.

A presença de focos de endometriose nem sempre origina sinais e sintomas, já que muitas vezes são tão ligeiros que passam despercebidos e apenas são detectados casualmente quando se efectua algum exame por outros motivos. Quando se evidenciam manifestações, estas prolongam-se até ao fim da etapa reprodutora, enquanto se mantém a etapa ovárica e desaparecem com a menopausa.

As eventuais complicações não costumam ser graves, pois como as perdas hemáticas costumam ser pouco abundantes, as hemorragias consequentes normalmente não são graves e os quistos que se possam formar apenas alcançam um tamanho ligeiro ou moderado, embora exista o perigo de a sua ruptura proporcionar o súbito aparecimento de um grave quadro de peritonite. O problema mais grave associado à endometriose é uma possível infertilidade, sobretudo quando os focos anómalos do tecido do endométrio residem nas trompas de Falópio e a sua hemorragia periódica provoca reacções cicatriciais que formem aderências, conseguindo obstruir os canais, sendo por isso que a endometriose é uma patologia a ter em conta quando se tenta detectar a provável origem de um quadro de infertilidade.

Informações adicionais

O médico responde

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Ouvi dizer que a gravidez pode provocar a cura de uma endometriose. É verdade?

De facto, sim, já que as alterações hormonais próprias da gravidez proporcionam o desaparecimento dos sinais e sintomas da endometriose, tal como o fazem temporariamente com a menstruação. Na maioria dos casos, os sinais e sintomas ou o desconforto diminuem consideravelmente após o parto, já que os focos da endometriose têm a tendência para se atrofiarem ao longo da gestação.

Tratamento

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O tratamento da endometriose baseia-se, sobretudo, na acção dos medicamentos e na realização de cirurgias.

O tratamento farmacológico consiste na administração de produtos hormonais que alteram o funcionamento dos ovários, de modo a inibir os ciclos menstruais e, consequentemente, a proliferação do tecido do endométrio anómalo. Este tratamento costuma prolongar-se por alguns meses, após os quais deve ser suspenso, já que a atrofia do tecido anómalo faz com que, embora as menstruações se repitam, já não provoquem desconforto. O tratamento cirúrgico, que em alguns casos constitui a medida terapêutica inicial, enquanto noutros apenas é realizado se o recurso à terapêutica hormonal fracassar, corresponde à extracção dos focos de endometriose, o que se pode realizar através de várias técnicas consoante a localização. Dado que a endometriose afecta, na maioria dos casos, a cavidade abdominal, a cirurgia costuma realizar-se através de uma laparoscopia, ao longo da qual se deve introduzir, através de uma pequena incisão na parede abdominal, um tubo constituído por lentes e um sistema de iluminação que proporciona a visualização dos órgãos internos e, uma vez detectados os focos, a eliminação, com instrumentos especiais, das acumulações de tecido afectado por endometriose ou a aspiração do conteúdo dos quistos e remoção da sua cápsula. Pode-se igualmente recorrer à cirurgia para eliminar as aderências cicatriciais que, por vezes, provocam dores ou um quadro de esterilidade. Quando a paciente é uma mulher madura que apresenta focos de endometriose na parede uterina e já não planeia ter filhos, pode-se recorrer a uma eventual extracção do útero (histerectomia).

Para saber mais consulte o seu Obstetrícista / Ginecologista
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