Hipertrofia benigna da próstata

A hipertrofia benigna da próstata é um problema muito comum a partir dos 50 anos, manifestando-se através de um aumento progressivo da frequência das micções e mediante outras alterações ao urinar.

Causas e frequência

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O problema corresponde ao desenvolvimento de um tumor constituído por células da próstata, cuja replicação, mais rápida do que o habitual, provoca a formação de uma massa que, quando adquire um determinado volume, começa a comprimir a restante glândula e os órgãos vizinhos. Ao contrário dos tumores malignos, incluídos no grupo dos denominados cancros da próstata, este tumor é formado por células normais que não invadem os tecidos contíguos nem originam metástases, o que o torna benigno. Além disso, como deriva das estruturas glandulares, é denominado adenoma da próstata.

Apesar de as suas causas ainda não serem exactamente conhecidas, os estudos realizados até à data permitem deduzir que a hipertrofia benigna da próstata é provocada pela andropausa, uma etapa fisiológica da vida dos homens semelhante à menopausa nas mulheres. Este período caracteriza-se por uma relativa diminuição na produção de androgénios pelos testículos e pela manutenção na elaboração de hormonas femininas pelas glândulas supra-renais, o que proporciona um desequilíbrio que provoca o excessivo desenvolvimento das células da próstata que compõem o tumor benigno.

Como constitui uma patologia até certo ponto fisiológica, a hipertrofia benigna da próstata começa a desenvolver-se em todos os homens a partir dos 40 a 50 anos de idade. Todavia, apenas é considerada doença quando origina manifestações, o que se verifica em cerca de 10 a 20% dos homens entre os 50 e os 60 anos de idade, tornando-se mais frequente em idades mais avançadas.

Manifestações e evolução

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As manifestações costumam evidenciar-se de forma lenta e progressiva conforme o tumor. À medida que vai crescendo, vai comprimindo a uretra, o canal urinário que atravessa a próstata e a bexiga, o órgão que se encontra imediatamente por cima da glândula. Esta compressão provoca um grau progressivamente maior de retenção urinária, o que origina uma alteração progressiva da frequência, volume e força das micções.

Uma das consequências mais importantes da compressão da uretra é o facto de dificultar a eliminação da urina, impedindo que a bexiga se esvazie completamente ao longo de cada micção. Dado que nestas condições a bexiga apenas consegue eliminar parte do seu conteúdo, as micções começam a ser menos volumosas, embora sejam mais frequentes do que o habitual. Apesar de este aumento da frequência das micções, que constitui geralmente a primeira maniestação

do problema, ocorrer durante todo o dia, os indivíduos afectados costumam ser mais incomodados durante a noite, já que os obriga a levantar, perturbando o sono.

Para além disso, a compressão da uretra debilita a potência do jacto da micção, que consequentemente efectua um trajecto vertical, em vez do típico jacto em forma de arco, como acontece em circunstâncias normais, finalizando através de um gotejar lento e prolongado.

Por último, a compressão da uretra também provoca uma certa dificuldade, desconforto ou até dor ao longo da emissão da urina, sinais e sintomas que são especialmente evidentes na primeira micção matinal, normalmente a mais abundante.

Embora a evolução da hipertrofia benigna da próstata seja variável, as micções costumam, com o passar do tempo, tornar-se mais frequentes e escassas, enquanto que a partir de um determinado momento, o desejo de urinar permanece imediatamente após as micções e estabelece-se de forma permanente. Para além disso, caso o problema não seja corrigido, a bexiga acaba por alcançar o seu ponto máximo de dilatação e não consegue acumular mais líquido. Nestas fases avançadas, a urina começa a ser evacuada de forma espontânea sem que o paciente o consiga evitar encontrando-se afectado por incontinência urinária.

Complicações

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Uma das mais habituais é a retenção urinária aguda, neste caso provocada por uma obstrução total da uretra, devido ao desenvolvimento do tumor. Esta complicação, que excepcionalmente constitui a primeira manifestação do problema, manifesta-se através de uma repentina e absoluta ausência de micções, que deve ser tratada o mais rápido possível.

Por outro lado, a retenção e progressiva acumulação de urina favorece o desenvolvimento de infecções e a formação de cálculos nas vias urinárias (ou litíase urinária). Embora as infecções e a litíase comecem por afectar a uretra e a bexiga, nas fases avançadas, podem comprometer os uréteres e cálices renais.

Para além disso, deve-se referir que a retenção da urina, as infecções e a litíase urinária podem acabar por alterar o tecido renal, originando uma hidronefrose, que pode, por sua vez, provocar uma insuficiência renal.

Informações adicionais

Medidas higiénicas para reduzir e prevenir a retenção urinária

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As principais medidas a ter em conta são as seguintes:

•    Urinar o maior número de vezes possível.

•    Evitar a exposição ao frio ambiental sem a roupa adequada

•    Evitar permanecer sentado durante muito tempo.

•    Evitar o consumo excessivo de álcool, que irrita a próstata e aumenta a produção de urina.

•    Evitar os alimentos muito condimentados e o café.

•    Tratar a obstipação.

•    Curar as hemorróidas.

•    Manter uma actividade sexual regular.

•    Utilizar os medicamentos e os anti-alérgicos com precaução, visto que muitos deles são constituídos por compostos que favorecem a congestão da próstata.

Tratamento

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O tratamento consiste essencialmente na extracção do tumor da próstata através de uma intervenção cirúrgica que, consoante os casos, deve ser realizada mediante a introdução de uma sonda através da uretra ou através de uma incisão na púbis. Como é óbvio, enquanto se aguarda pela realização da cirurgia, devem ser adoptadas as medidas necessárias para atenuar os sinais e sintomas e prevenir eventuais complicações, como a prática de banhos quentes com o paciente sentado e a administração de descongestionantes da próstata, que permitem o alívio dos sinais e sintomas.

Actualmente, a principal intervenção é a ressecção transuretral do adenoma da próstata, realizada com a ajuda de um dispositivo, que deve ser introduzido através do meato uretra!, cuja extremidade é constituída por um eléctrodo em forma de arco, de modo a possibilitar a extracção do tecido hipertrofiado que rodeia a uretra e a consequente desobstrução da entrada do canal. A operação é simples e costuma ser eficaz, na maioria dos casos. Uma outra possibilidade consiste no recurso à cirurgia tradicional, extraindo-se a próstata através de uma incisão por cima da púbis (via suprapúbica) ou, com menor frequência, através da bexiga (acesso transvesical).

Embora a intervenção não altere o desejo nem a potência sexual, por vezes, provoca ejaculação retrógrada, o que significa que o esperma, em vez de ser eliminado para o exterior através da uretra, é drenado para o interior da bexiga, de onde é expulso com a urina.

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