Criptorquidia

A criptorquidia corresponde à ausência de descida ou à descida parcial dos testículos do abdómen para a bolsa do escroto e, embora seja uma doença relativamente frequente, acaba por ser, na maioria dos casos, solucionada de forma espontânea antes dos 2 anos de idade.

Causas e tipos

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Os testículos começam a ser formados, no início do desenvolvimento embrionário, na parte superior e posterior da cavidade abdominal, próximo dos rins, de onde iniciam, em condições normais, a sua descida até à localização definitiva, por volta do terceiro mês da vida intra-uterina, atravessando os gubernaculum testis, canais fibrosos que nascem na base de cada testículo e sulcam a cavidade abdominal e os canais inguinais, até chegarem ao escroto, a bolsa de pele e os músculos que os acolhem e protegem durante toda a vida, mantendo-os em condições de temperatura ideais para que possam realizar as suas funções. A criptorquidia costuma ser provocada por uma insuficiência no mecanismo de descida dos testículos, originada por várias circunstâncias.

Na denominada criptorquidia propriamente dita, um dos testículos fica preso num tracto do gubernaculum testis, nomeadamente na sua porção abdominal, na zona inguinal ou na raiz do escroto. As causas mais comuns deste tipo de criptorquidia, igualmente a mais habitual, são um atraso no amadurecimento do feto e uma deficiência de estímulos hormonais.

Por outro lado, no testículo ectópico, menos habitual, um dos dois testículos é desviado ao longo da sua descida do gubernaculum testis, normalmente devido a uma alteração na estrutura deste canal. Ainda que, nestes casos, o testículo desviado se encontre na virilha, no momento do nascimento, por vezes, pode ser deslocado para outras zonas, como a base do pénis, as coxas ou a área compreendida entre o ânus e o escroto.

Manifestações e complicações

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A única manifestação da criptorquidia costuma ser a ausência de um ou dos dois testículos no interior do escroto, um fenómeno que pode ser detectado a partir do momento do nascimento.

A evolução da criptorquidia propriamente dita costuma ser favorável, já que em cerca de 75% dos casos a descida dos testículos processa-se de forma espontânea ao longo dos doze primeiros meses de vida. Por outro lado, em caso de testículo ectópico, a descida espontânea dos testículos apenas ocorre excepcionalmente, visto que, como já foi referido, nestes casos os testículos afastam-se do trajecto normal que devem efectuar ao longo da sua descida até ao escroto.

Dado que as complicações apenas se evidenciam quando o problema não é solucionado espontaneamente, nem é oportunamente tratado nos primeiros anos de vida, são mais frequentes no testículo ectópico do que na criptorquidia propriamente dita. Uma das mais graves é a torção do testículo, ou seja, uma brusca rotação de um testículo sobre o seu eixo vertical, provocando o enrolamento do cordão espermático e o colapso da artéria que o nutre. Existe uma certa predisposição da criptorquidia para esta situação, já que quando um testículo se encontra numa posição elevada, o cordão espermático do qual está pendente encontra-se mais laxo do que o habitual, o que lhe permite enrolar-se com maior facilidade, como acontece no fio do auricular de um telefone.

Por outro lado, quando os testículos se encontram no interior da bolsa do escroto, a temperatura a que estão expostos é inferior à existente no interior da cavidade abdominal, uma circunstância que garante o normal desenvolvimento da produção e amadurecimento de espermatozóides. Por isso, caso não se proceda ao tratamento da criptorquidia, costuma-se produzir, a longo prazo, uma alteração da espermatogénese que, se afectar ambos os testículos, pode provocar esterilidade.

Por último, constatou-se que, por razões não completamente conhecidas, o desenvolvimento de determinados tumores malignos do testículo é mais frequente do que o habitual quando não se procede ao tratamento da criptorquidia antes dos 10 anos de idade.

Tratamento

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Quando o problema corresponde a uma criptorquidia propriamente dita e se procede ao diagnóstico no recém-nascido, deve-se aguardar um ou dois anos e esperar que se produza uma descida testicular espontâ- nea. Após esse período de tempo, se o problema não tiver sido corrigido de forma espontânea, como ocorre na maioria dos casos, deve-se proceder ao seu tratamento. A primeira opção terapêutica consiste na admi- nistração de produtos hormonais, como a hormona gonadotrofina coriónica, que pode induzir a descida dos testículos. Caso esta medida terapêutica não seja eficaz, como ocorre aproximadamente em 15% dos casos, o único recurso passa pela realização de uma intervenção cirúrgica denominada orquidopexia, que consiste na fixação do testículo ou testículos que não desceram no escroto. A intervenção deve ser realizada nos primeiros anos de vida, no máximo até aos 5 ou 6 anos de idade, pois caso seja efectuada mais tarde pode proporcionar lesões testiculares irreversíveis.

Quando o problema corresponde a um testículo ectópico, a única opção terapêutica é a cirurgia.

Se o problema afectar um único testículo e o diagnóstico for efectuado tardiamente, altura em que já se produziram lesões irreversíveis no órgão, deve-se recorrer à extracção cirúrgica para prevenir o desenvolvi- mento de complicações posteriores, nomeadamente o eventual aparecimento de um tumor maligno.

Informações adicionais

Testículo retráctil

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Este fenómeno, igualmente denominado criptorquidismo fisiológico ou testículo "subido", corresponde à ausência temporária de um ou dos dois testículos no escroto devido à sua subida esporádica através do canal inguinal. Esta ausência não costuma ser provocada por uma insuficiência da descida dos testículos ao longo da vida intra-uterina, mas por intensas contracções do músculo cremáster, situado na parede do escroto e formado por prolongamentos de músculos abdominais, desencadeada essencialmente durante o exercício físico e em condições de frio ambiental, em especial nas crianças.

Tendo em conta que a subida do testículo não costuma provocar dor nem problemas, a única manifestação da doença costuma ser a ausência passageira do órgão na sua posição normal no interior do escroto. No entanto, a maioria das crianças afectadas não são capazes de determinar se num determinado momento o testículo se encontra no interior do escroto ou se está subido. Todavia, em alguns casos, o deslocamento do testículo provoca problemas ou até dor, por vezes intensa, que se propaga, sendo perceptível na virilha e zona inferior do abdómen.

Os movimentos de subida do testículo costumam manifestar-se com alguns anos de diferença e desaparecem definitivamente após a puberdade, sem originarem sequelas. Contudo, apesar do prognóstico favorável, quando as deslocações do testículo são muito frequentes, prolongadas ou dolorosas, deve-se proceder ao seu devido tratamento, semelhante ao da criptorquidia propriamente dita, de modo a aliviar os sinais e sintomas e prevenir uma eventual torção testicular

Incidência

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Embora a criptorquidia afecte aproximadamente 4% dos bebés do sexo masculino nascidos no tempo determinado, a sua incidência aumenta para os 30% nos que nascem prematuramente. Todavia, a incidência deste problema diminui de forma pro- gressiva ao longo da infância, já que se pode corrigir de forma espontânea, o que faz com que, após a puberdade, apenas se manifeste em 1% dos casos.

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