Hidatidose

A hidatidose é uma doença provocada por vermes que parasitam os cães, cujos ovos, depois de entrarem acidentalmente no organismo humano, provocam a formação de quistos, os quais podem originar várias complicações.

Causas

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A hidatidose é provocada por várias espécies de helmintes do género Echinococcus, sobretudo o Echinococcus granulosus este é um verme platelminte do grupo dos cestodes, com corpo em forma de fita e segmentado, hermafrodita, alcançando no seu estado adulto entre 3 a 6 mm de comprimento. Este helminte tem um ciclo biológico complexo, no qual o ser humano apenas constitui um hospedeiro acidental.

O Echinococcus granulosus vive naturalmente como parasita no intestino de cães e canídeos selvagens, como os lobos, chacais e dingos, fixando-se à mucosa através dos ganchos e ventosas que tem na sua cabeça ou escólex. Os vermes adultos põem regularmente enormes quantidades de ovos que os canídeos infestados eliminam através das suas fezes, contaminando os solos e os vegetais, mas também os seus focinhos e pêlos.

O ciclo biológico do parasita prossegue quando um animal, sobretudo ovelhas e, em menor medida, cabras ou porcos, ingere erva contaminada, o que propicia a entrada dos ovos no seu aparelho digestivo, a separação do seu revestimento devido à acção do suco gástrico e a libertação das larvas presentes no seu interior, que atravessam a parede intestinal e penetram na circulação sanguínea. Uma vez no sangue, as larvas chegam a vários órgãos, como o fígado, os pulmões ou os ossos, onde originam a formação de quistos, denominados quistos hidáticos, os quais vão crescendo progressivamente. O ciclo biológico do parasita finaliza quando um cão ou outro canídeo ingere carne contaminada e, sobretudo, vísceras provenientes de animais infestados com quistos.

O contágio ao ser humano efectua-se acidentalmente, quando uma pessoa ingere ovos do parasita ao consumir verduras cruas contaminadas ou, o que acontece com alguma frequência entre as crianças, ao levar os dedos à boca depois de estar em contacto com cães infestados. O parasita continua o seu ciclo biológico no interior do organismo humano, levando à formação de quistos hidáticos.

Manifestações e complicações

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Embora o problema seja assintomático em aproximadamente 10% dos casos, nos restantes as manifestações mais frequentes evidenciam-se quando os quistos hidáticos formados nos vários órgãos, sobretudo no fígado, comprimem os tecidos vizinhos ao longo do seu crescimento, um fenómeno que apenas pode ser detectado alguns anos após o contágio. Quando os quistos residem no fígado, as manifestações mais comuns são problemas ou dor na zona superior e direita do abdómen, aumento do volume abdominal e, em casos mais raros, uma disfunção hepática que se evidencia através de icterícia e outros sinais e sintomas típicos. Todavia, quando os quistos se desenvolvem noutros órgãos, a sua presença apenas costuma ser detectada de forma acidental, por exemplo através de uma radiografia ao tórax, ou pelo aparecimento de vários tipos de complicações, como a fractura de um osso sem a existência de outras circunstâncias que a justifiquem. A excepção à regra corresponde aos quistos que se desenvolvem no encéfalo, cujas manifestações são as típicas dos tumores intracranianos de crescimento lento.

A complicação mais grave corresponde à ruptura de um quisto hidático, independentemente de ser de forma espontânea ou devido a um traumatismo. Neste caso, os sinais e sintomas variam de acordo com a localização do quisto, pois podem consistir numa súbita e intensa dor abdominal acompanhada por febre, caso se trate de um quisto hepático, ou através de um repentino ataque de tosse e expectoração hemoptóica, caso se trate de um quisto pulmonar. Pode igualmente evidenciar-se uma reacção alérgica de diferente intensidade, desde um episódio de urticária até um perigoso quadro de choque anafiláctico. Para além disso, após a ruptura de um quisto, as larvas conseguem disseminar-se e invadir outros órgãos, onde acabam por formar novos quistos.

Uma outra complicação grave, embora menos habitual, é a infecção de um quisto hidático, originando a formação de um abcesso hidático, que se manifesta através de febre, mal-estar, prostração e dor na zona afectada.

Tratamento

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O tratamento passa, na maioria dos casos, pela realização de uma cirurgia, nomeadamente a extracção do ou dos quistos hidáticos, o que proporciona a cura do problema. Todavia, quando a cirurgia é contra-indicada, independentemente de ser pelo estado do paciente ou porque os quistos são muito numerosos ou residam em tecidos de acesso muito difícil, deve-se indicar a administração de vários medicamentos anti-parasitários, como mebendazol ou albendazol, que consigam penetrar nos quistos.

Por outro lado, em caso de ruptura ou infecção de um quisto, deve-se internar o paciente no hospital, de modo a prevenir o desenvolvimento de complicações mais graves.

Informações adicionais

O quisto hidático

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O quisto hidático é uma estrutura de forma esférica composta por um líquido claro e transparente que o mantém distendido. Ë constituído por uma parede dupla composta por uma camada externa, mais dura, e outra interna, onde as larvas do parasita sobrevivem e crescem. Esta dupla parede é, por sua vez, rodeada por uma cápsula exterior, formada pelos próprios tecidos do organismo comprimidos pela presença e crescimento do quisto.

Nos seres humanos, os quistos hidáticos encontram-se principalmente no fígado, pois é o órgão que filtra e depura o sangue proveniente do intestino, embora também se possam desenvolver noutros órgãos, sobretudo nos pulmões, ossos, músculos, encéfalo e coração.

Os quistos hidáticos crescem de forma lema e progressiva, cerca de 1 cm por ano, podendo alcançar, sobretudo no fígado, um volume superior a 20 cm de diâmetro. Este dado é importante, já que os sinais e sintomas apenas se evidenciam se os quistos, ao longo do seu crescimento, comprimirem os tecidos dos órgãos em que residem.

Equinococose multilocular

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A equinococose multilocular, doença que apenas se evidencia nas zonas setentrionais da Ásia, Europa e América do Norte, é provocada pelo Echinococcus multilocularis, um pequeno verme parasita que habita no intestino de raposas ou cães, cujas larvas se desenvolvem no organismo de determinados roedores. O contágio ao ser humano efectua-se através da ingestão de frutos silvestres contaminados com ovos do parasita, provenientes de animais infestados. Em seguida, as larvas estabelecem-se no fígado, onde formam uma grande quantidade de pequenas vesículas, provocando uma doença cujas manifestações são semelhantes às das metástases hepáticas disseminadas dos tumores malignos.

O prognóstico desta doença é muito grave, pois caso não se proceda ao devido tratamento, provoca a morte do paciente em aproximadamente 90% dos casos. Além disso, o próprio tratamento, baseado essencialmente na extracção cirúrgica das vesículas e na administração de medicamentos antiparasitários específicos, não é eficaz na totalidade dos casos.

Para saber mais consulte o seu Infecciologista ou o seu Médico Internista ou o seu Especialista em Medicina Tropical
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