Amebíase

A amebíase é uma doença provocada por um protozoário, muito comum nos países quentes, que origina um grave quadro de diarreia - a disenteria amebiana - e, por vezes, provoca a formação de abcessos no fígado ou outros órgãos.

Causas

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A amebíase é provocada pelo Entamoeba histolytica, um protozoário que habita no intestino humano tanto dos pacientes como dos portadores saudáveis, ou seja, pessoas que, mesmo parasitadas, não evidenciam sinais ou sintomas da doença. O parasita tem duas formas de evolução: os trofozoítos, formas unicelulares com uma grande mobilidade, responsáveis pela multiplicação do micróbio, e os quistos, formas resistentes que acolhem um ou mais trofozoítos. A contaminação do ser humano efectua-se através da ingestão de quistos, que ao chegarem ao interior do intestino rompem-se e libertam trofozoítos. Após se multiplicarem, alguns dos trofozoítos transformam-se em quistos, posteriormente expulsos com as fezes.

O contágio efectua-se basicamente através do consumo de água ou alimentos contaminados com quistos expulsos na matéria fecal dos pacientes ou portadores saudáveis. A água contaminada provém de depósitos ou fontes nos quais se verteram fezes de indivíduos afectados, enquanto que os alimentos, sobretudo frutas e verduras, podem ser contaminados ao serem regados ou lavados com águas contaminadas, ao serem manipulados por pessoas portadoras que não tomaram as medidas higiénicas adequadas após defecarem ou através de moscas que transportem quistos nas suas patas. Por outro lado, o contágio pode igualmente ocorrer durante as relações sexuais, nomeadamente através de contactos do tipo oral e anal com uma pessoa afectada por amebíase ou um portador saudável, o que justifica o facto de a amebíase também pertencer às doenças sexualmente transmissíveis, embora na maioria dos casos, como já foi mencionado, o contágio se efectue através da ingestão de água ou alimentos contaminados.

Manifestações e complicações

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O problema não evidencia sinais ou sintomas em praticamente 9U% dos casos dos indivíduos parasitados, que passam a pertencer à lista dos portadores saudáveis, nos quais a única manifestação corresponde à presença de quistos do parasita nas fezes. Nos restantes casos, as manifestações costumam evidenciar-se alguns dias ou semanas após o contágio.

A manifestação mais comum, e frequentemente a única, é a disenteria amebiana, um quadro de diarreias com bastante mucosidade e sangue, na maioria dos casos acompanhadas por dor abdominal semelhante a uma cólica e uma sensação de grande necessidade de defecar. A disenteria amebiana costuma evidenciar-se de forma gradual, sendo mais intensa ao fim de cerca de duas ou três semanas, enquanto que nas fases mais avançadas do problema manifesta-se de forma intermitente, alternando períodos de exacerbação dos sinais e sintomas, cada vez mais intensos e prolongados, com fases de relativa acalmia. Caso não se efectue o devido tratamento, o paciente costuma, a longo prazo, perder peso e ser afectado por um estado de desnutrição. São igualmente frequentes outras complicações que necessitam de atenção urgente, sobretudo hemorragias intestinais profusas e episódios agudos de desidratação.

Apesar de a disenteria amebiana ser a manifestação mais característica da amebíase, a diarreia é, na maioria dos casos, ligeira e evidencia-se de forma gradual, enquanto que as fezes raramente revelam a presença de sangue. Embora as manifestações da maioria dos indivíduos afectados com sinais e sintomas de amebíase afectem quase exclusivamente o tubo digestivo, por vezes, os parasitas penetram na circulação sanguínea e alcançam o fígado, onde provocam o desenvolvimento de um ou mais abcessos, ou seja, cavidades anómalas que se enchem de pus. Esta complicação, que em casos excepcionais constitui a primeira manifestação da doença, já que em condições normais apenas se evidencia alguns meses após o início dos sinais e sintomas, pode ser detectada pelo progressivo aparecimento de dor situada na parte superior e direita do abdómen, náuseas e vómitos, febre e perda de apetite. De qualquer forma, caso o abcesso hepático não seja oportunamente tratado, os parasitas podem propagar-se e formar abcessos noutros órgãos, como o diafragma, pulmões ou até no sistema nervoso central, originando graves complicações.

Tratamento

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O tratamento consiste na administração de medicamentos que consigam eliminar os parasitas. Os portadores saudáveis, caso sejam diagnosticados, devem realizar este tipo de tratamento mesmo que não manifestem sinais ou sintomas, já que desta forma é possível interromper eficazmente a cadeia de contágios. O paciente costuma ser hospitalizado, sobretudo em caso de disenteria amebiana intensa, quer como prevenção ou como tratamento de eventuais episódios de hemorragias intestinais e/ou desidratação.

Por último, existem alguns casos em que se formam quistos no fígado ou noutros órgãos que necessitam da realização de uma intervenção cirúrgica para os drenar e/ou reparar os tecidos danificados.

Informações adicionais

O médico responde

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Estou em vias de viajar para o México e disseram-me para ter cuidado com a amebíase. Que precauções devo tomar para não contrair esta doença?

Dado que no México, tal como em muitas outros países, a amebíase é endémica, existe um risco elevado de ser afectado por esta doença, caso não adopte as medidas preventivas mínimas, que consistem essencialmente em não consumir verduras ou frutas cruas, a não ser que lhes retire a pele, em ingerir líquidos previamente fervidos ou até bebidas exclusivamente engarrafadas e utilizar água igualmente engarrafada para lavar os dentes ou bochechar a boca.

Um problema muito frequente

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A amebíase é um problema muito frequente, pois de acordo com dados estatísticos, cerca de 10% da população é portadora do Entamoeba histolytica, apesar de apenas 10% destas pessoas evidenciarem as manifestações da doença.

A incidência da amebíase é particularmente elevada na maioria dos países tropicais economicamente desfavorecidos. De facto, em algumas regiões do planeta, como acontece especialmente no México, nos países próximos aos Andes e nos do sudeste asiático, a doença é endémica, o que justifica o facto de a maioria da população se encontrar parasitada. Por outro lado, nos países desenvolvidos, o problema apenas costuma afectar as pessoas que se deslocam às zonas endémicas e aos imigrantes delas provenientes.

Embora o oportuno tratamento possibilite superar a patologia e resolver o problema sem que fiquem sequelas consideráveis, a amebíase continua, infelizmente, a ser perigosa, pois calcula-se que a doença provoca a morte de 50 000 a 75 000 pessoas por ano.

Para saber mais consulte o seu Infecciologista ou o seu Médico Internista ou o seu Especialista em Medicina Tropical
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