Febres hemorrágicas virais

Denominação atribuída às várias doenças infecciosas provocadas por vírus transmitidos ao ser humano por insectos ou roedores, que se manifestam através de febre e hemorragias.

Generalidades

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Os agentes causadores são vírus pertencentes a várias famílias que conseguem contagiar o ser humano, independentemente de a transmissão efectuar-se através da picada de mosquitos e carraças ou por mordeduras e urina de roedores infectados. Embora a maioria destes problemas afecte determinadas zonas geográficas, sobretudo rurais, onde abundam os vectores responsáveis pela transmissão dos agentes causadores, existem casos de episódios epidémicos em zonas urbanas, por exemplo em escolas ou quartéis, ou de epidemias que se irradiam por vários países.

Apesar de cada uma destas doenças ter uma evolução específica, todas apresentam características semelhantes. O período de incubação costuma ser curto, de poucos dias a cerca de três semanas, consoante a doença. A manifestação inicial mais frequente é, na maioria dos casos, a febre, através da subida da temperatura do corpo, por vezes muito intensa, acompanhada por arrepios e suores. São igualmente características as hemorragias, que podem afectar qualquer tecido ou órgão, embora sejam especialmente perceptíveis na pele e no tecido celular subcutâneo, sob a forma de hematomas, e no aparelho digestivo, tirirutrio e respiratório.

As manifestações são, na maioria dos casos, ligeiras ou moderadas e desaparecem espontaneamente ao fim de duas ou três semanas, sem grandes consequências. Todavia, por vezes, evidenciam-se determinadas complicações, como a meningencefalite, a insuficiência renal aguda ou o choque cardiovascular, que podem provocar a morre do paciente.

Dado que não existe uma terapêutica curativa, o tratamento passa essencialmente por repouso na cama e ingestão de líquidos, juntamente com as medidas necessárias para reduzir a febre, controlar as hemorragias e prevenir as complicações.

Em relação à preservação, esta baseia-se na realização de campanhas periódicas nas zonas endémicas, com o objectivo de se proceder à eliminação dos insectos ou roedores que transmitem essas doenças. Por outro lado, recomenda-se que as pessoas que habitam ou viajam por essas zonas utilizem o calçado e roupas adequadas, repelentes para afastar os mosquitos e evitem as áreas mais infestadas. Por fim, alguns destes problemas como a febre amarela, podem ser prevenidos através da vacinação oportuna.

Febre amarela

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A febre amarela é uma doença infecciosa viral que se manifesta através de febre, hemorragias e problemas hepáticos que provocam icterícia (coloração amarelada da pele e mucosas) e costuma ser provocada por um vírus transmitido ao ser humano através das picadas de mosquito Aedes aegypti, cujo habitat, actualmente, restringe-se essencialmente às zonas de bosques e pântanos da América Central, América do Sul e África.

O período de incubação compreende entre três dias a uma semana. A doença evidencia-se bruscamente através de febre, suores e arrepios, sensação de prostração, dor de cabeça, debilidade muscular, náuseas e vómitos. Embora a febre costume ceder ao fim de quatro ou cinco dias, volta a aparecer algumas horas ou no máximo um par de dias depois, desta vez acompanhada pelos sinais e sintomas típicos dos problemas hepáticos, como por exemplo icterícia, dor abdominal e vómitos, diversas hemorragias que originam aglomerações de sangue digerido, hematemeses, sangramento das gengivas e mucosa nasal, hematomas, entre outros.

A evolução do problema é variável. Normalmente, os sinais e sintomas desaparecem definitivamente ao fim de alguns dias, após os quais o organismo recupera progressivamente ao longo de algumas semanas. Todavia, cerca de 5 a 10% dos casos manifestam complicações graves, como choque cardiovascular, insuficiência renal ou hemorragias cerebrais, que podem levar à morte do paciente.

Dengue

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O dengue é um problema endémico em várias áreas de bosques e florestas da América, Ásia e África. A doença é provocada por um vírus transmitido ao homem através das picadas de várias espécies de mosquitos Aedes, nomeadamente o Aedes aegypti.

O período de incubação dura cerca de uma semana. As manifestações iniciais são febre elevada, acompanhada por arrepios e suores abundantes, inflamação dos gânglios linfáticos, dor de cabeça, sensação de debilidade, fortes dores osteoarticulares e musculares, conjuntivite e tumefacção facial. Cerca de dois ou três dias após o início dos sinais e sintomas, coincidindo com a descida temporária da temperatura do corpo, surge outra manifestação característica da doença, a erupção cutânea de inúmeras, mas pequenas, manchas vermelhas, muito pruriginosas, que se distribuem ao longo da face, peito, antebraços, mãos e pés.

A evolução do problema costuma ser favorável, já que a erupção cutânea, tal como a febre e os sinais e sintomas associados, costuma desaparecer dois ou três dias após se ter manifestado. Todavia, a convalescença, ao longo da qual se observa uma evidente sensação de debilidade, depressão e insónia, costuma durar vários meses.

Ao longo da fase aguda, evidenciam-se complicações graves e potencialmente mortais, como hemorragias digestivas e encefalites, que costumam afectar os bebés que habitam em zonas endémicas em que o vírus causador é muito agressivo.

O tratamento do dengue é semelhante ao da febre amarela, mas a preservação, devido ao facto de não existir uma vacina eficaz, baseia-se na eliminação dos mosquitos, na utilização de repelentes, na utilização de roupa que cubra a maioria do corpo e o total isolamento dos pacientes para evitar que, caso sejam picados, transmitam os vírus a outros mosquitos vectores.

Informações adicionais

O médico responde

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Li que o vírus de Ébola provoca uma infecção muito grave e frequentemente mortal. Trata-se de uma febre hemorrágica viral?

De facto, o vírus de Ébola, rujo reservatório é organismo de vários tipos de roedores na África Central, é o causador de uma doença que se caracteriza pela brusca aparecimento de febre elevada, dor de cabeça,  vómitos e intensas hemorragias externas e internas que provocam a morte em mais de 50% dos Casos. Aparentemente, estas famosas epidemias, que se evidenciam esporadicamente, têm como ponto de partida a transmissão do agente causador a partir de um roedor infectado, embora ainda subsistam dúvidas em relação ao vector relacionado. Todavia, o contágio pode igualmente produzir-se através do contacto com o sangue e fluidos corporais de pessoas infectadas, a que justifica o facto de as epidemias se irradiarem rapidamente Contudo, a facto de estas epidemias serem breves e auto-limitadas, provavelmente porque os períodos de contágio e de incubação da doença são igualmente muito curtos, compensa parcialmente a falta de uma varina eficaz.

dos e na administração de medicamentos para reduzir a temperatura do corpo e combater os sinais e sintomas. Caso seja necessário, pode-se igualmente recorrer à aplicação de transfusões de sangue ou plasma.

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