Imobilização nos primeiros socorros

Nas lesões ou traumatismos osteoarticulares pode ser necessário improvisar uma forma de imobilização, enquanto se aguarda pela assistência médica ou se transporta o paciente para um centro de saúde.

Indicações

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Sempre que exista a suspeita, mesmo que muito reduzida, de lesão osteoarticular, sobretudo fractura, nunca se deve tentar movimentar a parte afectada, independentemente do tipo de acidente, antes que a situação seja avaliada, já que uma precipitada ou incorrecta actuação pode agravar o problema ou até mesmo originar complicações ainda mais graves do que as consequências do próprio traumatismo como, por exemplo, a ruptura de um vaso sanguíneo ou nervo pela deslocação de um fragmento ósseo.

A primeira coisa a fazer é observar a zona lesionada sem, contudo, movê-la e, caso seja necessário, rasgar a roupa do paciente, pois um atento exame evidenciará a existência de feridas e até mesmo uma eventual fractura exposta. Nestes casos, deve-se travar a hemorragia, comprimindo o local com gazes esterilizadas ou, caso estas não estejam disponíveis, com um pano o mais limpo possível.

Existem vários sinais e sintomas que podem indiciar uma fractura, tais como o aparecimento de dor e uma impotência funcional da zona, mas também possíveis deformações, embora nunca se deva tentar comprovar a sua existência ao palpá-las com uma pressão excessiva ou ao movimentar a parte lesionada. Caso o problema seja grave, é preferível que o paciente seja atendido no local do acidente por profissionais habilitados e seja, posteriormente, transportado para um centro médico nas devidas condições e num veículo especialmente adaptado. Apenas se deve optar pelo transporte do paciente para uma unidade de saúde por outros meios, quando a lesão é muito localizada e o paciente consegue deslocar-se sem precisar de utilizar a parte afectada ou ainda quando não existe outra solução, devido ao facto de o local do acidente ser muito isolado. Em qualquer dos casos, a deslocação deve ser precedida pela aplicação de uma forma de imobilização improvisada, com os elementos que se tenha à mão, de modo a assegurar que a parte lesionada não se movimenta durante a viagem.

Actuação e materiais

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A imobilização deve tentar manter a parte afectada, normalmente um membro, na mesma posição em que se encontra, não se devendo tentar recolocar os segmentos ósseos em caso de fractura com deslocação. Caso a lesão"apenas afecte uma articulação, a imobilização da mesma, por exemplo com uma ligadura, é mais do que suficiente, mas caso se trate de fractura é preciso imobilizar as duas articulações das extremidades; se o osso da perna se encontrar desfeito, deve-se imobilizar o joelho e o tornozelo e, se se tratar de um osso do antebraço, deve-se imobilizar o cotovelo e o pulso.

Dado que o material utilizado e a forma de actuação dependem do tipo e localização da lesão e dos meios existentes nesse momento, considera-se que as principais armas de um socorrista improvisado correspondem à imaginação e à prudência.

O recurso mais vezes utilizado passa pela utilização de talas, cobrindo-se primeiro a parte lesionada com material suave (celulose, mas caso não se tenha este material, com uma toalha ou peça do vestuário), de modo a evitar que fique demasiado comprimida e depois colocando pequenas tábuas ou qualquer outro elemento equivalente (jornais ou revistas dobradas, por exemplo) em ambos os lados, que possibilitem rodear o membro com panos, com nós nas pontas, de modo a que fiquem firmes. As figuras mostram exemplos práticos.

Informações adicionais

Imobilização efectiva

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A forma de imobilização deve corresponder ao tipo de lesão que se pretende tratar e à estrutura osteoarticular afectada:

• Caso a lesão afecte exclusivamente uma articulação, apenas se terá que proceder à imobilização da mesma.

• Caso a lesão afecte um osso (por exemplo, uma fractura), é Preciso imobilizar as duas articulações das suas extremidades; caso se trate da fractura de um osso da perna, é preciso imobilizar o joelho e o tornozelo e, caso a fractura se localize num osso do antebraço, deve-se imobilizar o cotovelo e o pulso.

Talas insufláveis

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As talas insufláveis são um excelente recurso de primeiros socorros para a imobilização de um membro lesionado. As talas insufláveis são capas de plástico, cuja insuflação lhes permite adoptar a sua forma definitiva, encontrando-se disponíveis em vários tamanhos e formas consoante a sua utilização, ou seja, com a forma de bota para o membro inferior, forma de manga para o superior, etc. Embora a sua aplicação varie consoante o modelo é, em todos os casos, muito simples, já que quando envolve o membro que deve ser tratado, a tala encontra-se vazia, sendo depois insuflada com ar, de modo a adquirir a sua forma definitiva e a adequada consistência para imobilizar a parte do corpo afectada. Embora as equipas de salvamento costumem levar este tipo de talas , sempre que se realizam passeios na montanha ou noutro local isolado, convém levar talas como parte do material de primeiros socorros .

Ligadura improvisada

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Caso não se disponha do material apropriado, é possível imobilizar um membro superior com a roupa que o próprio paciente traz vestida, independentemente de ser uma camisola, uma camisa ou um casaco. De facto, pode-se apoiar o antebraço contra o tronco, com o cotovelo flectido, e rodear o mesmo com a roupa, fixando-a com algum dispositivo:

• Ligadura improvisada com uma camisola: deve-se dobrar a roupa pelo lado afectado, de modo a rodear o antebraço e para que a parte livre possa ser fixada ao nível do peito com um gancho.

• Ligadura improvisada com uma camisa: deve-se desprender os últimos botões e dobrar a parte do lado afectado, de modo a rodear o antebraço, fixar a parte livre sobre o peito com um gancho e abotoar um botão numa casa superior ou atar a extremidade a uma tira de pano que rodeie o pescoço do paciente.

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