Desvios do membro inferior

Designa as inúmeras alterações ao normal alinhamento dos ossos da coxa e da perna, que provocam o desenvolvimento de desvios do membro inferior - o joelho, desloca-se para fora, para dentro ou para trás.

Tipos de desvios

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A forma do membro inferior depende do alinhamento do fémur e da tíbia, os ossos que, juntamente com a rótula, constituem a articulação do joelho. Em condições normais, ao observar-se o membro inferior de um indivíduo adulto de frente, é possível vislumbrar que a estrutura entre o fémur e a tíbia não é recta, visto que o osso da coxa apresenta uma certa inclinação entre a anca e o joelho, em que o ângulo externo formado entre o fémur e a tíbia, com o vértice no joelho, é de cerca de 170°. Por outro lado, quando se observa o membro de perfil, a estrutura entre a coxa e a perna, quando o joelho se encontra esticado ao máximo, é praticamente recta, de tal forma que o ângulo formado entre o fémur e a tíbia à altura do joelho é de cerca de 180º.

Tendo em conta estas informações, a forma do membro inferior pode apresentar vários desvios, distinguidos em três tipos básicos, consoante a posição adoptada pelo joelho em relação à estrutura.

Joelho valgo. Dado que o joelho se encontra desviado da linha média do corpo, o ângulo externo entre o fémur e a tíbia é mais reduzido do que o normal, ou seja, inferior a 150° - caso o problema seja bilateral, os membros inferiores apresentam uma forma típica em X.

Joelho varo. Como o joelho se encontra deslocado para fora, o ângulo externo entre o fémur e a tíbia é maior do que o normal, ou seja, superior a 180. - caso o problema seja bilateral, os membros inferiores adoptam uma típica forma de O.

Joelho encurvado. Neste caso, o desvio é anteroposterior, pois ao observar o membro inferior de perfil aprecia-se que o joelho se encontra deslocado para trás.

Causas

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Os desvios dos membros inferiores podem ter várias causas. De facto, tanto podem ser provocados por um problema de crescimento dos ossos, cuja origem é ainda desconhecida, como por um defeito na sua calcificação (raquitismo, osteomalacia) ou retracções musculares, excessiva debilidade dos músculos e ligamentos, sequelas de fracturas mal curadas, entre outros.

O joelho valgo pode ser provocado por uma alteração da cartilagem de conjugação da extremidade inferior do fémur, que provoca maior desenvolvimento da metade interna do que da externa e o desvio do joelho para dentro. Embora a origem desta alteração não seja, na maioria dos casos, conhecida, por vezes, pode ser provocada por um outro problema ósseo, independentemente de ser no pé ou na anca, que provoca um aumento da pressão ou uma sobrecarga desigual sobre a cartilagem de conjugação da parte inferior do fémur.

O joelho varo tanto pode ser provocado durante o desenvolvimento embrionário, devido a uma inadequada posição do feto no interior do útero, como pela adopção de posturas incorrectas durante a amamentação, quando o bebé mantém constantemente as pernas abertas e separadas, com os dedos dos pés dirigidos para dentro ou por uma alteração na cartilagem de conjugação da extremidade superior da tíbia, com um defeito de desenvolvimento da metade interna em relação à externa.

Embora o joelho encurvado também possa ser provocado por uma má posição fetal intra-uterina, na maioria dos casos, é originado por problemas neuromusculares como, por exemplo, uma sequela de poliomielite ou um problema consequente de outra malformação esquelética no pé, como o pé equino.

Por fim, é preciso ter em conta que as infecções ósseas e os traumatismos podem originar um desvio unilateral, embora apenas num dos membros.

Consequências

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Para além das alterações estéticas, os desvios do membro inferior podem, de acordo com o tipo e sempre que o defeito seja significativo, provocar dificuldades em andar ou, sobretudo, em correr. Por exemplo, em caso de joelho valgo bilateral, a perturbação da locomoção deve-se ao facto de os joelhos roçarem entre si durante a marcha, o que obriga a pessoa afectada a caminhar de uma maneira especial, sendo esta denominada "marcha em tesouras", na medida em que descreve um arco em cada passo, de modo a cruzar uma perna para a frente da outra; noutros casos, eleva de maneira notória as pernas, já que o desvio diminui com o membro em flexão. Em caso de joelho varo bilateral muito pronunciado, é possível observar, durante a locomoção, uma alternada basculação do corpo para um e para o outro lado a acompanhar o movimento das pernas. Em caso de joelho encurvado, a hiperextensão das pernas proporciona uma locomoção incómoda e cansativa, devido à grande dificuldade que o indivíduo tem em flectidas.

Informações adicionais

Desvios fisiológicos

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O alinhamento dos segmentos do membro inferior evolui de forma característica durante a infância, à medida que o bebé começa a caminhar e a desenvolver-se.

Ao longo dos dois primeiros anos de vida, os joelhos do bebé encontram-se mais separados do que o normal num adulto, numa situação designada joelho varo fisiológico. Por outro lado, caso se observe que, a partir do terceiro ano de vida e até cerca dos 6 ou 7 anos de idade, os joelhos do bebé se encontram mais juntos do que o normal num adulto, estamos perante um fenómeno designado joelho valgo fisiológico. O diagnóstico de deformações nos membros inferiores deve ter em conta a idade, já que os citados desvios costumam corrigir-se de forma espontânea com o passar do tempo.

Tratamento

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O tratamento depende do tipo de desvio e, sobretudo, da idade do paciente, pois enquanto que nas crianças é possível, na maioria dos casos, rectificar o posicionamento através de um tratamento ortopédico, nos adultos, o tratamento passa quase sempre pela realização de uma intervenção cirúrgica.

Nas crianças, a existência de um desvio pouco pronunciado costuma ser tratado através de um procedimento ortopédico. Por exemplo, a criança pode, durante a noite, dormir com um dispositivo corrector que segure a coxa, o joelho e o pé, constituído por tensores que vão progressivamente alterando o alinhamento. Por outro lado, é também comum recorrer-se à utilização de sapatos ortopédicos com sola e salto adaptados, de modo a alterar a posição do joelho.

Caso o tratamento ortopédico não consiga corrigir o problema, a única solução passa pelo recurso à cirurgia. Existem várias técnicas correctoras. Por exemplo, caso a criança tenha uma idade compreendida entre os 8 e os 12 anos, é possível colocar ganchos metálicos nos segmentos ósseos do joelho, os quais comprimem a parte do osso que cresceu mais do que a outra, de modo a que, com o decorrer do tempo, ambos os lados fiquem equilibrados. Em caso de joelho valgo, os ganchos são aplicados na parte interna da extremidade inferior do fémur ou da extremidade superior da tíbia; em caso de joelho varo, realiza-se o mesmo procedimento na parte externa. Os ganchos devem ser colocados ao longo de um período de dois ou três anos, após os quais devem ser retirados.

Uma outra possibilidade consiste na prática da osteotomia, ou seja, na extracção de um segmento triangular de osso, com a forma de cunha, para corrigir o desvio. Esta técnica apenas é utilizada se a anterior não conseguir solucionar o problema e, nos adultos, após o fim do crescimento dos ossos.

Para saber mais consulte o seu Especialista em Medicina Física e Reabilitação ou o seu Ortopedista
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