Contractura muscular

A contracção involuntária e persistente de um músculo ou grupo muscular dificulta a realização de movimentos e mantém o segmento corporal afectado numa posição anómala.

Causas

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Em condições normais, os músculos nunca se encontram num total estado de relaxamento, pois são submetidos a uma determinada tensão interna, ou tónus muscular, indispensável para que todo o corpo e cada um dos vários segmentos corporais mantenham sempre o equilíbrio.

As contracturas são provocadas pelo aumento persistente do tónus muscular a níveis superiores ao normal, fazendo com que o músculo ou músculos afectados fiquem sob tensão, com dor à pressão e ao toque e dificultem ou impeçam o movimento do segmento corporal onde se encontram ou cujo movimento depende deles.

Existem inúmeras causas que provocam o aparecimento de contracturas, podendo em muitos casos actuar em conjunto. Uma das mais frequentes é a adopção de posições corporais inadequadas, como por exemplo manter a cabeça inclinada para um dos lados ou as costas curvadas para um dos lados: nestes casos, os músculos de um dos lados do pescoço ou das costas costumam contrair-se mais do que o normal de forma quase permanente, ficando rígidos.

O excesso de esforço e os traumatismos musculares também constituem uma causa muito comum de contracturas, como por exemplo o típico caso dos músculos da região lombar que se encontram próximos da coluna vertebral, já que a realização de um esforço brusco e intenso faz com que estes músculos fiquem rígidos e comprimam as estruturas nervosas vizinhas, como os nervos sensitivos, provocando dores que podem evoluir para uma lombalgia.

Dado que o tónus muscular é controlado pelo sistema nervoso, é possível que, em alguns casos, ocorra o fenómeno inverso, ou seja, a contractura pode ser provocada por vários tipos de problemas neurológicos e até psicológicos, como é o caso das neuroses de conversão, nas quais um membro pode, por exemplo, ficar completamente rígido. É por esta razão que os músculos também podem ser afectados por contracturas nervosas complexas perante a existência de uma dor intensa. Por exemplo, em caso de dor intensa na garganta ou abdómen, os músculos da zona contraem-se de modo a evitar a tracção dos tecidos danificados, protegendo-os de toques externos.

Por fim, as contracturas são, em muitos casos, provocadas pela existência de deformações nos ossos e articulações ou pela presença de extensas cicatrizes, podendo igualmente ser originadas durante ou após a utilização de gesso que imobilize o segmento corporal ou simplesmente depois de um repouso absoluto prolongado.

Manifestações

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As contracturas musculares tanto podem manifestar-se de forma súbita, nomeadamente após um traumatismo ou um movimento brusco, como evidenciar-se gradualmente, quando são adoptadas, por exemplo, posições corporais anómalas ou inadequadas. Embora as contracturas ocorram, na maioria dos casos, nos músculos mais volumosos do pescoço, do tronco e dos membros, também podem surgir em praticamente todos os músculos, até mesmo nos pequenos músculos das pálpebras ou dos dedos dos pés.

Os sintomas mais importantes são a rigidez do músculo afectado e a dificuldade ou impossibilidade de mover o segmento corporal, encarregue de imprimir movimento ao dito músculo, o que consequentemente provoca a sua imobilização numa determinada posição. Um outro sintoma muito comum é a dor local, que normalmente se manifesta ao palpar o músculo ou ao tentar mover o segmento corporal que ficou imobilizado, embora também se possa evidenciar, com alguma frequência, de maneira espontânea. No entanto, caso as contracturas sejam muito significativas, podem alterar a simetria do corpo. Ainda que as contracturas tenham tendência para diminuir de intensidade de forma espontânea ou através do tratamento adequado sem originar grandes complicações, caso sejam demasiado persistentes, podem acabar por produzir deformações nos ossos e nas articulações mais próximas.

Tratamento

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As contracturas mais ligeiras cedem espontaneamente ao fim de alguns minutos, horas ou, no máximo, alguns dias. Todavia, caso as contracturas sejam moderadas ou ligeiras, talvez seja conveniente realizar um tratamento de fisioterapia, que deve ser complementado com sessões de massagens e por uma série de exercícios específicos indicados pelo especialista.

Por outro lado, quando a dor e a dificuldade de movimentos são muito intensas ou quando é necessário retomar rapidamente a actividade, como é comum nos desportistas profissionais, costuma-se recorrer à administração de analgésicos por via oral (associados ou não a relaxantes musculares) ou sob a forma de sprays de aplicação local. Esta medicação, que visa aliviar a dor, permite que o segmento corporal afectado recupere a sua mobilidade com maior rapidez.

Embora as contracturas não originem, na maioria dos casos, complicações anatómicas persistentes, se forem graves e constantes, podem alterar a forma e o funcionamento dos ossos e das articulações mais próximas, sendo então necessário recorrer a uma intervenção cirúrgica para reparar os tecidos danificados.

Informações adicionais

Distensões e rupturas

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A distensão muscular corresponde a um estiramento brusco e significativo de um músculo, para além dos limites normais do movimento em que participa. As distensões musculares podem ser provocadas por traumatismos e gestos violentos, sendo comuns nos desportistas e nas pessoas que realizam actividades com objectos pesados.

As distensões musculares costumam afectar os músculos dos membros, na medida em que estes são os que estão envolvidos com maior frequência nos movimentos bruscos, apesar de poderem surgir em qualquer músculo do corpo. As suas manifestações mais evidentes são dor e inflamação da zona, contracção involuntária do músculo lesionado e dificuldade ou impossibilidade para mover o segmento ósseo correspondente, que acaba por adoptar uma posição fixa.

A ruptura muscular corresponde à ruptura parcial da massa muscular e costuma ser provocada por traumatismos muito violentos ou por feridas com objectos cortantes e penetrantes. Nestes casos, os sinais e sintomas acima mencionados são mais intensos, sendo acompanhados pela produção de uma hemorragia externa ou interna que deve ser detectada o mais cedo possível.

A produção de uma distensão ou ruptura muscular deve implicar a imediata interrupção da actividade que se estava a realizar, a colocação do membro afectado acima do nível do tronco e a aplicação de frio sobre a zona lesionada, por exemplo, utilizando uma compressa molhada com água fria ou um saco com gelo, com vista a aliviar os sinais e sintomas, parar uma possível hemorragia e favorecer a rápida recuperação.

O tratamento consiste basicamente na administração de analgésicos e anti-inflamatórios e no repouso do segmento afectado durante alguns dias ou semanas, de acordo com a sua gravidade e evolução. Por vezes, deve-se proceder à colocação de uma ligadura ou gesso para garantir a imobilização da zona. No entanto, nos casos mais graves, sobretudo em caso de rupturas significativas (como, por exemplo, perante o rasgar de um músculo), é preciso recorrer à realização de uma intervenção cirúrgica para reparar os tecidos lesionados.

Para saber mais consulte o seu Especialista em Medicina Desportiva ou o seu Ortopedista ou o seu Reumatologista
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